Os rastreios, ao detetarem precocemente determinadas doenças, permitem a maior parte das vezes, melhorar a qualidade de vida e aumentar a sobrevida e a eficácia dos tratamentos. Em algumas situações possibilitam a prevenção e a cura de algumas doenças que se não forem diagnosticadas atempadamente, se podem tornar incuráveis ou mesmo levar a uma morte precoce e evitável.
Determinados testes de rastreio podem permitir uma redução da mortalidade em 80 por cento, como é o caso do cancro colo do útero.
Este cancro tem início nas células que revestem o colo do útero, ou seja, a parte inferior desta estrutura. Apesar de ter uma incidência elevada é uma neoplasia com tratamento, sobretudo quando o diagnóstico é feito precocemente.
Com frequência, o cancro do colo do útero desenvolve-se gradualmente, ao longo de vários anos, iniciando-se com a presença de células pré-cancerígenas que evoluem posteriormente para cancro.
No entanto, na maior parte das situações estas células acabam por desaparecer sem necessidade de tratamento, existindo, contudo, casos que evoluem para cancros invasivos em menos de um ano.
Estas alterações podem ser detetadas precocemente através do exame de citologia cervico-vaginal, vulgarmente conhecido por teste de Papanicolau e que consiste na recolha de uma amostra de células, raspando a superfície do colo do útero.
Este exame deve ser realizado em mulheres dos 30 aos 60 anos, podendo ser efetuado a outros grupos etários em caso de fatores de risco conhecidos. Por princípio deve ser realizado anualmente, sendo que após dois resultados negativos consecutivos, o intervalo do rastreio poderá passar para os três anos.
Devem ser tidas em conta algumas atitudes que aumentam a precisão do Papanicolau: não deve ser realizado durante o período menstrual, ter relações sexuais, usar tampões, cremes vaginais, hidratantes, lubrificantes ou medicamentos vaginais nas 48 horas antes do exame.
Nos últimos anos além da citologia introduziram-se novas técnicas de rastreio deste cancro, como o teste do vírus do papiloma humano (HPV) que melhoraram substancialmente a eficácia e a sensibilidade para a sua deteção precoce.
A imunização com vacinas contra o vírus do HPV, confere uma proteção contra a infeção persistente (para alguns tipos) de quase 100 por cento, no caso de adolescentes e mulheres jovens. O teste e a vacinação contra o HPV em combinação com o rastreio citológico, permitem reduzir de forma global e drástica o cancro do colo do útero.
Contudo, sendo o rastreio uma ação de prevenção secundária, importa sempre reforçar os aspetos ligados à prevenção primária diretamente relacionados com a evicção dos comportamentos de risco: infeção por HPV, infeção por Clamidia, tabaco, hábitos alimentares, sistema imunitário enfraquecido, contracetivos orais, utilização de dispositivo intrauterino, história sexual, história familiar.
Só desta forma ficam estabelecidas as ligações sinérgicas e globais, que tornam verdadeiramente efetivo o combate ao cancro.
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