A Assembleia Concelhia de Faro do Bloco de Esquerda (BE), reunida na sexta-feira, 5 de fevereiro, considera que «como desde sempre, Faro não protegeu os munícipes e os seus bens».
Em causa, o mau tempo que assolou a capital algarvia ao longo desse dia e que provocou estragos e inundações.
Em comunicado enviado hoje às redações, o BE considera que a forte chuva «veio mostrar que esta cidade não está defendida contra as intempéries. O sistema de escoamento das águas pluviais é insuficiente e temos edifícios que não suportam chuvadas mais fortes». Como no Algarve «chove pouco, mas há períodos de chuvadas intensas, devíamos estar preparados para estes fenómenos».
«A crescente impermeabilização do solo urbano e a falta de infraestruturas para o escoamento das águas deve ser atribuída aos vários executivos municipais que têm gerido mal a cidade. É o resultado direto da política do betão que caracterizou o crescimento de Faro. Acresce que o escoamento das águas pluviais é uma obra pouco visível que não dá os votos das iluminações de Natal ou dos toldos no verão. É, porém, fundamental para a vida dos cidadãos», critica o BE.
«Este problema agravar-se-á com os previsíveis efeitos das alterações climáticas, em particular, a subida do nível do mar que dificultará o escoamento das águas e o aumento de frequência e intensidade dos fenómenos meteorológicos extremos como as chuvadas e ventanias. Se se insistir no desprezo pelo conhecimento científico, se na recusa da interpretação destes sinais, se não começarmos agora a tomar medidas o futuro cobrará», lê-se ainda no comunicado.
«É preciso atuar em dois campos. Por um lado, minimizar os caudais, revertendo a impermeabilização do solo com a criação de espaços verdes por toda a cidade. Por outro, repensar e redimensionar a rede de esgotos pluviais, procurando recuperar os leitos das antigas ribeiras que foram transformados em vias urbanas».
Já em relação ao edificado, «não basta a construção antissísmica e de eficiência energética. Será necessário ser mais exigente no escoamento das águas pluviais dos terraços e coberturas e, também, garantir a sua resistência aos ventos fortes», numa perspetiva de futuro.