Movimento «Juntos Pelo Sudoeste» lança vídeo e crowdfunding

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Movimento cívico «Juntos Pelo Sudoeste» lançou um vídeo e uma campanha de angariação de fundos a propósito do 32º aniversário do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV).

O Movimento «Juntos Pelo Sudoeste» lançou um vídeo e uma campanha de angariação de fundos a propósito do 32º aniversário do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, como Área Protegida (Decreto-Lei 241/88, de 7 de julho).

No vídeo, é possível ver «não só a progressão descontrolada da agricultura intensiva sob plástico, como também o claro incumprimento do objetivo de preservar os valores naturais existentes e regular e fiscalizar a ocupação do solo de uma das zonas costeiras mais valiosas na Europa».

Em simultâneo, este movimento de cidadania lança também uma campanha de crowdfunding cujo objetivo é angariar donativos para «financiar uma abordagem judicial a este problema, uma vez que não têm surtido efeito até à data os apelos que têm sido feitos às entidades envolvidas para que se estabeleça um diálogo sério e equilibrado sobre o presente e o futuro deste território».

Em nota enviada à redação do barlavento, este movimento cívico sublinha «a incompetência do Estado português na preservação de um valioso património ecologicamente sensível, sobretudo pela falta de monitorização, fiscalização e penalização por parte do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) no que respeita ao impacto ambiental de práticas agrícolas danosas para a água, solo, ar, biodiversidade, habitats protegidos e ordenamento do território».

O movimento justifica ainda a iniciativa «num quadro de seca severa e de emergência climática e quando a crise sanitária da COVID-19 veio colocar todo o modelo de desenvolvimento das últimas décadas em causa, em que inclusive vários cientistas têm relacionado a destruição de habitats com a proliferação de vírus, acreditamos que esta situação se tornou insustentável e descredibiliza completamente o governo e o Estado Português».

Paisagem protegida desde 1988

Em 1988 a área do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina foi classificada como
Paisagem Protegida, tendo sido elevada a Parque Natural (PNSACV) em 1995, conjugando esse território com uma área marinha adjacente (Decreto Regulamentar no 26/95, de 21 de setembro).

Abrigo de uma grande diversidade de habitats costeiros, onde se destacam espécies endémicas no domínio da flora, da avifauna e da ictiofauna, o PNSACV alberga uma significativa zona marinha com arribas, praias, dunas, charnecas e zonas húmidas (com estuários, sistemas lagunares, cursos de água, lagoas temporárias, pequenos açudes e uma vasta zona húmida costeira).

Por estas razões, esta região foi incluída, entre 1997 e 1999, nos Sítios de Importância Comunitária e Sítios de Proteção Especial da Rede Natura 2000, tendo o Estado Português assumido compromissos acrescidos de conservação da natureza a nível comunitário.

Agora, o movimento defende que «num Parque Natural não pode predominar uma lógica de desenvolvimento económico à custa da degradação ambiental, paisagística e social, sem que haja uma reflexão e soluções consistentes, que respondam às preocupações da população e de outros sectores fundamentais da região do Sudoeste, com vista a uma compatibilização entre os valores de um território classificado e as ctividades económicas que aí se desenvolvem».