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A Autoridade Marítima Nacional realizou um exercício de combate à poluição do mar, por hidrocarbonetos ou outras substâncias perigosas, na manhã de quarta-feira, dia 15 de maio.

Os quatro cenários de treino decorreram na zona nascente da praia de Vilamoura, na freguesia de Quarteira, e no interior do porto de pesca de Quarteira.

Ouvido pelo «barlavento», Cortes Lopes, Comandante da Zona Marítima do Sul e Capitão do Porto de Faro, explicou que este tipo de simulacros acontece, pelo menos, uma vez por ano.

Cortes Lopes, Comandante da Zona Marítima do Sul e Capitão do Porto de Faro.

«Se algum dia ocorrer uma catástrofe de contaminação por hidrocarbonetos aqui no Algarve, as entidades com responsabilidade de coordenação, têm que treinar os seus padrões de desempenho para poderem responder. Portanto, o primeiro objetivo é elevar o seu desempenho. O segundo objetivo passa por treinar a cooperação com as outras entidades, porque sozinhos não conseguiríamos fazer face a calamidades. Por fim, queremos sensibilizar para os aspetos ambientais e para todos os cuidados que as pessoas deverão ter face a este tipo de calamidades», explicou Cortes Lopes.

Um dos cenários simulou um derrame de crude (petróleo bruto), por um petroleiro, que navegava ao largo da costa algarvia, e que decidiu proceder à lavagem ilegal de porões.

Os elementos da Autoridade Marítima restringiram, de imediato, a área contaminada, representada por pipocas, com boias.

Após a recolha, o material poluente foi colocado num tanque apropriado. O derrame petrolífero, contudo, causou danos ambientais. Três mamíferos marinhos foram afetados, duas tartarugas e dois golfinhos, representados por bonecos de tamanho real, deram à costa cobertos de crude.

Para esta situação, os biólogos do Zoomarine, convidados pela Autoridade Marítima, mostraram quais os processos de estabilização clínica a realizar antes do transporte dos animais para o Porto d´Abrigo Centro de Reabilitação, localizado nas instalações do parque aquático, na Guia, em Albufeira.

Apesar de navegarem a sul do Algarve cerca de 200 navios por dia, segundo o Cortes Lopes, incidentes com crude, nos últimos anos «felizmente, não têm acontecido».

No entanto, o militar relembra o caso mais recente. «Em 2017 tivemos uma contaminação de óleo de palma nas ilhas da Armona, Culatra e Deserta. 200 quilómetros de praia ficaram contaminados com 90 toneladas de óleo de palma, proveniente de um navio que limpou os seus porões. Foram precisas mais de duas semanas e a colaboração de cerca de 500 pessoas para conseguirmos fazer face a uma situação daquelas».

Os outros exercícios, segundo Cortes Lopes que exerce funções no Algarve desde dezembro de 2016, realizaram-se dentro das instalações da Docapesca.

«Uma embarcação em reparação caiu do berço, perto da rampa do porto, derramando algum óleo hidráulico que chegou ao mar. Depois, simulou-se uma fuga durante o reabastecimento de combustível de um barco de pesca. A rotura inesperada de uma mangueira fez com que algum gasóleo escorresse para a água», detalhou.

Em ambas as situações, os elementos da Autoridade Marítima Nacional «restringiram a área aquática contaminada, seguindo-se a recolha e filtragem dos hidrocarbonetos».

O simulacro faz parte de um plano nacional denominado «Mar Limpo», em vigor desde 15 de abril e foram conduzidos pela Autoridade Marítima Nacional, através do Departamento Marítimo do Sul, com parceria com a Proteção Civil do Algarve, Bombeiros Municipais de Loulé e o Zoomarine, totalizando cerca de 100 elementos.

Envolveu também um turma do 3º ano da Licenciatura em Biologia Marinha da Universidade do Algarve.