COVID-19: Praias do Algarve vão ter vigilância monitorizada ao minuto

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Praias não concessionadas serão alvo de atenção redobrada na época balnear 2020. Zonas vigiadas terão sinalética informativa sobre a lotação. Agentes da Polícia Marítima irão usar uma aplicação móvel (app) própria, coordenada pelos Capitães de Porto, com informações em tempo real, de modo a facilitar uma gestão mais rápida de meios e recursos. Tudo para promover a segurança nos areais algarvios.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revelou os números de lotação máxima para cada área balnear concessionada, na quarta-feira, dia 27 de maio. Apesar de serem números que ainda se encontram em consulta informal, já é possível ter uma ideia de como será a época balnear de 2020, a iniciar no sábado, dia 6 de junho.

Ouvido pelo barlavento, Fernando Rocha Pacheco, chefe de Departamento Marítimo do Sul, refere que fez «um levantamento bastante detalhado e exaustivo» para a Capitania do Porto de Faro [a qual tem jurisdição na Praia da Deserta, Praia de Faro, Quinta do Lago, Ancão, Garrão Nascente, Garrão Poente, Vale do Lobo, Loulé Velho, Almargem, Forte Novo, Quarteira e Vilamoura].

«Em todas, na generalidade, os números da lotação máxima definida pela APA são sempre superiores à frequência média diária de banhistas de anos anteriores. Ou seja, não vamos ter dificuldades em acomodar as pessoas que venham para as nossas praias com o devido espaçamento, porque a lotação máxima foi calculada com o fator COVID-19, de distanciamento social, e de facto os números de lotação máxima são superiores àquilo que é a frequência média», estima Rocha Pacheco.

Lancha salva-vidas SR-37 em patrulha ao largo da Praia de Faro, a 30 de maio.

Portanto, «não antevejo que haja uma redução nas praias concessionadas e grandes areais. Não quer isto dizer que, nas outras capitanias, pontualmente, não haja praias mais pequenas, como em Lagoa, em que de facto exista uma redução no número de banhistas. Mas é perfeitamente possível acomodar aquilo que é a frequência média diária de banhistas com a lotação máxima que foi prevista», considera.

Apesar de o Capitão do Porto de Faro revelar que por parte da Polícia Marítima não existirá reforço de meios, uma vez que «não existe capacidade» para tal, o mesmo não acontece com os militares da Marinha.

«Houve já um reforço de militares e serão integrados nas capitanias para vigiar as praias. Todos os anos isso acontece. Mas neste verão, o número será ainda mais reforçado. Trata-se de um dispositivo multidimensional e integrado, que cada Porto terá capacidade de gerir, dentro das suas competências e tarefas, e de acordo com as necessidades».

Por parte da Polícia Marítima, a atividade será gerida, «com os recursos que temos, privilegiando, em termos de priorização de tarefas, o espaço balnear, de modo a que a Polícia esteja mais permanente nos areais, em relação a anos anteriores», acrescenta Rocha Pacheco.

Também este ano, as praias não concessionadas merecem uma maior atenção por parte da Autoridade Marítima Nacional.

«Vamos ter vigilância monitorizada porque prevemos que as pessoas que por norma escolhem frequentar praias concessionadas, atentas à sua consciência cívica e preferindo um maior distanciamento social, poderão procurar alternativas. Aí reforçamos a nossa atenção na vigilância e salvamento marítimo. Também nesse aspeto houve um reforço quer da vigilância monitorizada, quer da vigilância aquática», explica ao barlavento.

Aplicação móvel (app) atualizada ao minuto

Nesse sentido, segundo revela Rocha Pacheco, a Polícia Marítima terá à disposição uma aplicação móvel (app), desenvolvida pela Marinha, de raiz, para monitorizar as contingências impostas pela pandemia da COVID-19.

«É um dispositivo que acabou de ser criado e que será coordenado pelos vários Capitães de Porto. Cada um dos homens no terreno terá um smartphone com essa app instalada, que permite ao comando saber, em tempo real, a sua localização. Também vamos saber, qual o estado da lotação de cada praia. Esses números serão reportados através da app, ao Capitão de Porto, permitindo gerir os meios de forma flexível e dinâmica, direcionando-os para as zonas com maior afluência de pessoas ou que necessitem de salvamento marítimo», explica.

A esta, junta-se ainda uma outra app implementada pela APA, a «Info Praia», que permite a qualquer cidadão conhecer a lotação de cada praia, através do smartphone.

«Isto com o objetivo de permitir aos utentes, antes mesmo de saírem de casa, saberem o estado de ocupação de cada zona. Assim, à partida, podem dirigir-se para praias mais vazias», explicita Rocha Pacheco.

Além disso, através da mesma app será ainda possível obter informações sobre a qualidade da água, sanitários, vigilância, apoios de praia, posto de socorros e até estacionamento.

Por outro lado, à entrada de cada praia concessionada, «haverá uma sinalética que refletirá esse estado de lotação da mesma, através do código de cores verde, amarelo e encarnado, dependente da taxa de ocupação. Ou seja, a luz será verde, se estiver ocupada até 25 por cento [ocupação baixa]; amarela, de 25 a 50 por cento [ocupação elevada] e encarnada, acima de 50 [ocupação plena]».

O Comandante do Porto de Faro chama a atenção para esse controlo que se «destina apenas para informar as pessoas. A nossa aposta é na informação e na sensibilização do público. Não se destina a proibir as entradas nas praias, mas a que os utentes possam decidir-se por opções menos lotadas. Em paralelo, as autoridades vão sensibilizar, aconselhar e a informar os banhistas em relação ao distanciamento que devem ter».

Venda ambulante não está interdita

Já em relação às vendas ambulantes nos areais do Algarve, «tal atividade não está interdita. Haverá é cuidados adicionais de saúde. Os vendedores têm de usar máscara ou viseira e têm de privilegiar o percurso pelas passadeiras. Além disso, todo os bolos têm de ser servidos com pinças. Qualquer venda ambulante licenciada está permitida, desde que sejam tomados estes cuidados», refere Rocha Pacheco.

O que está mesmo proibido são as massagens e qualquer tipo de desporto coletivo como jogos de bolas ou raquetes, «para qualquer praia, sem exceção».

Medidas que, na opinião do Capitão de Porto, deverão ser bem acatadas pelos algarvios, uma vez que durante a quarentena e o confinamento, «o grau de acatamento das recomendações das autoridades foi muito elevado. Houve um sentido de responsabilidade das pessoas, por iniciativa própria, muito elevado».

Mesmo em relação aos turistas, Rocha Pacheco conta que não está preocupado, «até porque se espera que este ano, a frequência das praias seja inferior. O sentido cívico das pessoas tem sido elevado e depois, a lotação máxima das praias é superior à frequência média, isto salvo algumas exceções das praias pequenas».

António Miguel Pina: «Se não houver cuidado, podemos ter de voltar ao confinamento»

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), António Miguel Pina, ao barlavento admite que, de momento, não tem grande preocupação em relação ao início da época balnear.

Mas também não deixa de se sentir «relativamente apreensivo. É uma nova realidade e vamos esperar que as pessoas tenham o cuidado de ir para a praia e que respeitem as questões do distanciamento. Vamos ver como corre», diz o também presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil.

Questionado sobre os números publicados pela APA, o também autarca de Olhão esclarece que «são apenas indicativos e dizem respeito às áreas balneares. Ou seja, a areais que têm concessões ou condições de segurança proporcionadas pelas autarquias. Existe muito mais areal além desse. De qualquer maneira, com as conversas que tive com os meus colegas do Algarve, todos mostraram que os números vão de acordo com as expetativas».

António Miguel Pina.

«Haverá ainda lugar a alguns acertos, mas o documento da APA está mais de 80 por cento correto. Está ainda em fase de consulta pública e será agora alvo de algumas propostas de correção por parte dos municípios. Este é um documento de partida que se trata de uma nova realidade, não significa que quando for necessário, o mesmo não seja alterado. Estamos em fase de aprendizagem», explica.

António Miguel Pina não prevê a possibilidade de cada município ter regras próprias de gestão das praias. «Eventualmente, vão é ter estratégias para tentar que se cumpram as regras. Cada um usará a criatividade no sentido de ajudar à ocupação do areal, desde logo com a contratação de pessoas para ajudar, sensibilizar e orientar, como os assistentes de praia. Ou então, a delimitação do areal, de modo a orientar os banhistas, para que não se percam espaços vazios entre sombrinhas. Estamos todos a trabalhar nessas estratégias».

Para os algarvios, Pina deixa um conselho: «que este mês de junho, em que não iremos ter uma grande pressão de pessoas de fora da região, sirva para nos irmos habituando a esta nova forma de estar» na praia.

«E, acima de tudo, que não percamos a consciência de que continuamos a estar em estado de alerta em relação à COVID-19. Se não continuarmos a ter os mesmos cuidados, podemos ter de voltar ao confinamento. Isso dependerá do bom comportamento e da nova forma de socializar. Que o espírito de cumprimento e de perceção destas regras de segurança para todos continue a estar presente como até agora e em todas as outras matérias».

Já para os turistas, o pedido do presidente é só um: «pedimos que respeitem as regras de acolhimento, seja nas praias, ou espaços públicos. Todos nós, aqui no Algarve, estamos a trabalhar em criar regras para garantir a segurança de todos. Aqueles que venham pedimos apenas que as respeitem e que percebam que, em primeiro lugar, estão pensadas para a sua própria segurança».

Capacidade das praias é «importante auxiliar»

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem já disponível na Internet (https://apambiente.pt/), todos os valores de capacidade máxima para as praias do Algarve. No Barlavento, totalizam-se 79 zonas balneares concessionadas, sendo que 48 são grandes e 31 pequenas. Com maior capacidade está a Praia da Rocha, em Portimão, com potencial para 8800 pessoas. Segue-se a Meia Praia Nascente, no concelho de Lagos, com 8700.

Em contrapartida, com potencial para menos de 100 utentes, encontram-se cinco praias: Arrifes (Albufeira), Albandeira (Lagoa), Camilo (Lagos), Marinha (Lagoa) e Tremoços (Lagoa). A Praia da Marinha é a mais pequena de toda a região, com a possibilidade de 15 banhistas no total.

Já no Sotavento, as 31 praias referenciadas foram classificadas como grandes. A Praia de Faro e a de Monte Gordo (Vila Real de Santo António) são as maiores, com potencial para 12600 utentes.

Em seguida está a Manta Rota (Vila Real de Santo António), com capacidade para 6300. A única praia do Sotavento que fica abaixo dos 1000 banhistas é a Fuseta-Ria, com a possibilidade de ter 700 pessoas.

De acordo com a APA, a capacidade das zonas balneares concessionadas foram apuradas «a partir de um conjunto de critérios que conjugam a dimensão do areal; a influência de marés; as regras de distanciamento e de segregação de acessos; a capacidade de estacionamento e ainda alguns fatores específicos associados ao risco costeiro, como por exemplo a existência de arribas».

Estes valores, segundo a APA, são «um importante auxiliar para a gestão e utilização segura das praias, pois é a partir deles que pode ser dada informação – ao cidadão e às autoridades – de modo a direcionar os devidos comportamentos, de uma forma responsável».

Por fim, a APA chama ainda a atenção para a proposta que se encontra «para consulta informal, para poder ser enriquecida com a opinião de todos», sendo que todos os contributos podem ser enviados por email ([email protected]).