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Região pode estar à beira da «emergência hidrológica».

A Agência Portuguesa para o Ambiente (APA) divulgou esta manhã um novo boletim mensal de armazenamento nas albufeiras de Portugal continental.

De acordo com o mesmo, em nenhuma das seis barragens algarvias se verificou um aumento das reservas de água durante o mês de novembro. Muito pelo contrário, continuou a registar-se a tendência de permanente decréscimo de reservas, iniciada na primavera de 2018 e não interrompida durante o período de outono, inverno e primavera de 2018/19.

Uma análise mais detalhada dos dados disponíveis permite concluir que, para as seis barragens algarvias, em média se observa o aumento das reservas de água entre final de outubro e de novembro.

De facto, as variações médias (ou seja, as diferenças entre armazenamentos em novembro e outubro de cada ano) são sempre positivas. No entanto, é também verdade que são ligeiramente mais frequentes os anos em que não se verifica o aumento de reservas em novembro, comparativamente com outubro, do que o contrário.

Adicionalmente, a água armazenada no final de novembro de 2019 na Barragem de Odeleite é a mais baixa de toda a série de dados disponíveis (para os meses de novembro) e está a cerca de metade do que existia em final de novembro de 2018.

Na Barragem do Beliche existem alguns valores mais baixos na década de 1990 (1993, 1994 e 1995), mas novembro de 2019 surge logo a seguir; comparativamente com novembro de 2018, a proporção é semelhante à verificada em Odeleite.

Na Barragem da Bravura só o final de novembro de 1995 apresenta um volume de água armazenada inferior ao do presente ano. A proporção entre novembro de 2018 e de 2019 está em linha com a verificada para as barragens algarvias da bacia hidrográfica do Guadiana.

Por último, na bacia hidrográfica do Arade, a Barragem de Odelouca tem ainda um histórico de dados muito reduzido (de apenas nove anos), mas o final de novembro de 2019 é o que apresenta o menor volume de água armazenada.

As Barragem do Arade e do Funcho destoam bastante do padrão de comportamento das restantes barragens algarvias e apresentam situações intermédias, ou seja, os respectivos armazenamentos no final de novembro de 2019 posicionam-se no meio das séries de dados, quando os mesmos são ordenados por ordem decrescente.

Em consequência, as disponibilidades de água para a população, para a agricultura e para a biodiversidade regional estão cada vez mais próximas de níveis críticos.

Se todo o Planeta vive atualmente em estado de emergência climática, o Algarve deverá estar hoje, inegavelmente, em estado de emergência hidrológica.