Vegan Box já serve refeições fora da caixa em Faro

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Negócio familiar quer conquistar até quem não segue o estilo de vida vegan. No novo espaço, chamado Vegan Box, no coração da capital algarvia, não entra nada de origem animal, nem qualquer tipo de plástico.

O número 4 da Rua das Mestras tem, desde o dia 2 de novembro, um espaço que serve receitas caseiras, para qualquer hora do dia, livres de proteína animal.

«A minha mãe e a minha irmã têm um grande gosto pela cozinha. Há sete anos, quando deixámos de comer carne, começou a aventurar-se e a criar receitas vegan. Com o passar dos anos, os amigos queriam provar os cozinhados dela. Todos a incentivavam a abrir um espaço com as suas receitas. Pensávamos que era impossível. Há três meses surgiu a oportunidade e decidimos agarrá-la. Eu estava sem trabalho, a minha irmã também, então era a altura ideal», explica ao barlavento Beatriz Lopes, de 25 anos, formada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Algarve e um dos rostos do «Vegan Box».

Segundo a sua mãe, Ana Lopes, de 47 anos, a ideia inicial era simples: um espaço vegan, que fosse um projeto de toda a família.

«Estava reticente porque tenho um emprego fixo e as rendas são caras. Por uma coincidência, encontrei este espaço. Viemos conhecê-lo, em família, no início de outubro. Juntos decidimos que iríamos abrir no início de novembro para celebrar o Dia Mundial do Veganismo [1 de novembro]. Foi uma decisão familiar e tinha mesmo que ser um compromisso de todos para assegurarmos o horário consoante a disponibilidade de cada uma de nós», explica.

Além das sopas e dos pratos, que diferem todos os dias, há receitas fixas no menu: batata doce recheada e seitan ou hambúrguer no prato ou pão. Para os adeptos de doces, também não faltam sugestões, há várias sobremesas como arroz doce de coco, salame de bolhacha Oreo, mousses de frutas e até pasteis de nata. De acompanhamentos há rissóis, empadas, quiches e vários queijos. Em comum? Todos confecionados pela mãe Ana Lopes ou pela filha Bruna Lopes, de 22 anos.

«Dá para vir cá almoçar, jantar, lanchar, comer antes de sair à noite ou até beber apenas um chá ou um sumo natural», explica Beatriz.

O melhor deste novo espaço é que qualquer opção é take away. Apesar de não ser obrigatório, a família Lopes apela apenas a que se leve a própria marmita de casa, de forma a não se utilizar plástico. A preocupação da família com o ambiente é tão grande que os produtos de limpeza têm de ser 100 por cento vegan e até a mobília tem de seguir o mesmo conceito.

«Tudo o que temos aqui é em segunda mão que reciclámos e restaurámos. Temos mesmo um móvel com quase 100 anos. Comprámos novo apenas alguns objetos específicos», revela a matriarca.

Outra opção que o espaço disponibiliza são bolos de aniversário por encomenda. De acordo com Ana Lopes, as opções no mercado são reduzidas e com preços acima da média. Uma tendência que o «Vegan Box» não segue.

«Às vezes, as casas valem-se de serem diferentes para terem preços superiores. Aqui queremos mostrar que tudo é possível, como em todas as alimentações. O que acontece em Faro é que quanto menos oferta há, maiores são os preços. Aqui uma refeição normal, ronda os 10 euros e os nossos pratos do dia custam 7,5 euros», esclarece Ana.

Ainda segundo Beatriz, o novo projeto serve também para isso mesmo, para desmitificar mitos.

«Perguntam-me muitas vezes o que como, e chegam a dizer-me que não posso comer bolos nem chocolates. Somos a prova de que podemos comer de tudo. É fácil ser vegan e é fácil comer bem, a preços acessíveis».

Em três meses de funcionamento, a adesão das pessoas parece estar a ser positiva, tanto por parte dos farenses como de estrangeiros.

«Primeiro vieram os curiosos que perceberam que estava a abrir um novo espaço. Temos muitos vegans, vegetarianos e não só. Os estrangeiros reagem muito bem. Temos mulheres que puxam os maridos, e maridos que incentivam as esposas. Temos até crianças a desafiarem os pais», refere Beatriz. A mãe Ana conta mesmo uma história que não a deixou indiferente.

«Uma criança de seis anos que nunca tinha experimentado um pastel de nata devido a intolerâncias alimentares. Comeu o nosso e adorou. Disse que era o melhor do mundo e depois veio cá e ofereceu-nos desenhos que pintou. São esses pequenos momentos que acabam por compensar muito o que aqui fazemos».

Em breve, «vamos ter disponível uma carta de vinhos portugueses vegan. Criei os vegalhau que são pasteis de bacalhau, onde a proteína utilizada é uma alga. Agora temos também os queijos. As opções são infindáveis e todas as semanas vamos apresentar novidades», promete Ana.

O «Vegan Box» está aberto de segunda a sábado, das 12h00 às 00h00, sendo que já há planos para se estender o horário até às 2h00 no verão.

«Uma forma de ativismo»

Beatriz Lopes, de 25 anos, a irmã Bruna de 22 e a mãe Ana, de 47 são os rostos por trás do novo espaço 100 por cento vegan, na cidade de Faro. Ao barlavento, Beatriz explica a importância de criar um projeto desta natureza.

«Eu e a minha irmã tornámo-nos vegan há sete anos. Começámos por cortar na carne e depois cortámos no resto. A partir do momento que o fizemos, já não havia volta a dar. As roupas que usamos agora são quase todas dadas por outras pessoas e produtos de cosmética só usamos se não forem testados em animais. Não compactuamos sequer com algo que não seja vegan e abrirmos este nosso cantinho é também uma forma de ativismo. Participámos no Dia do Veganismo e chegámos a ir a algumas manifestações. É uma causa a que nos dedicamos mesmo. Esta é uma forma de sermos ativistas 24 sobre 24 horas», diz Beatriz Lopes.

A mentalidade dos farenses está «mais aberta»

«Vegan Box» é o mais recente espaço em Faro dedicado ao veganismo. A família Lopes, mentora da ideia, começou a adotar opções vegan quando Beatriz tinha 16 anos e a sua irmã Bruna apenas 14. Hoje, as duas jovens, que participaram já em várias iniciativas ligadas a esse modo de vida, afirmam ao barlavento que Faro já se destaca nessa área.

«Acho que desvalorizamos muito o Algarve, mas somos muito fortes. Faro já tem cada vez mais uma mente aberta. Acredito que vão abrir cada vez mais espaços, não sei se 100 por cento vegan, mas o próximo passo é incluir opções vegans em todos os restaurantes. Já há consciência de que o veganismo é o próximo passo», opina Beatriz Lopes.