Tudo a postos para celebrar o novo ano com novo circo em Monchique

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Já se vislumbram as tendas de circo das duas companhias que prometem tornar inesquecível a festa Novo Ano, Novo Circo, a partir de amanhã, em Monchique, ao abrigo da programação do Lavrar o Mar – as artes no alto da serra e na Costa Vicentina.

É uma azáfama para ultimar toda a máquina de cena que dará vida ao espetáculo Forever, happily pelo Colletif Malunés. É o cabeça de cartaz do evento Novo Ano, Novo Circo, em Monchique.

Luz, som, trapézios, figurinos e todos os acessórios estão a ser preparados com cuidado para que nada falhe na primeira apresentação desta companhia belga em Portugal.

Juliette Correa, atriz e acrobata, não esconde a felicidade de estar no Algarve nesta quadra festiva.

«Estamos deveras entusiasmados. Nunca montámos a nossa tenda numa pequena vila como Monchique, no meio de uma serra, e isso muda um pouco a rotina daquilo que tem sido a nossa tournée europeia. Estamos mesmo muito contentes», sublinha Juliette que, em cena, interpreta a personagem «Branca de Neve».

Lola Devault-Sierra e Juliette Correa e do Collectif Malunés mostram os figurinos ao barlavento.

Segundo a intérprete, este é um espetáculo que «aborda os contos de fadas para retratar o papel da mulher na sociedade. Tem vários momentos fortes e surpreendentes para o público» que aliás, por vezes, fica «numa relação de proximidade, muito íntima» com os artistas.

«É um espetáculo dinâmico e generoso», feito por um elenco cuja média etária ronda os 30 anos.

Outro aspeto interessante é que a companhia faz um esforço para traduzir uma parte do texto para o idioma do país anfitrião. Monchique não será excepção e por isso, entre sorrisos, já se pratica «bom dia» e «obrigada» dentro da tenda do Colletif Malunés.

De acordo com Juliette Correa, o novo circo está muito desenvolvido em França e na Bélgica. Conta com o apoio dos governos de ambos os países, onde muitos teatros apostam neste género performativo.

Por outro lado, as escolas francesas e belgas «estão cheias» de candidatos que querem fazer carreira numa companhia como esta. Alguns vêm até da América Latina ou de países nórdicos para aprender a arte.

Um pouco mais abaixo, no final da ladeira que desce do Heliporto de Monchique, está montada uma tenda amarela.

Lá dentro, Maël Velly, diretor técnico da companhia francesa L P’tit Cirk, está rodeado de guitarras. «São cerca de 50 para cinco acrobatas», cujas idades rondam os 25 e 30 anos. Amanhã, em Monchique, farão a 107ª apresentação do espetáculo Les dodos.

Segundo Giacomo Scalisi, que assina a programação do Lavrar o Mar em conjunto com a coreógrafa Madalena Victorino, «é o trabalho de um grupo de jovens recém-formados nas artes performativas que têm uma relação muito especial com guitarras. Fazem tudo com elas, desde a música à acrobacia».

Continuando a tradição que, desde 2016, tem atraído cada vez mais pessoas a Monchique na altura do fim do ano, os próximos dias serão algo «nunca antes visto no interior algarvio».

«Uma continuação de um evento que começa a ser uma referência no país. Até 2018 tivemos apenas um espetáculo que esgotava muito rapidamente, com cinco apresentações. Ficávamos aflitos porque não conseguíamos dar uma resposta à procura. Assim surge a iniciativa Novo Ano, Novo Circo que tem duas tendas e dois espetáculos diferentes, mas com um denominador comum, que é o facto de serem protagonizados por jovens artistas muito talentosos», explica Giacomo Scalisi.

Maël Velly, diretor técnico da companhia francesa L P’tit Cirk com Giacomo Scalisi.

«A ideia que queremos passar ao público é: venham a Monchique. Aproveitem para passar o dia connosco. Vai mesmo valer a pena», garante. «A ideia é que as pessoas possam vir mais cedo, assistam a um espetáculo, jantem em Monchique e fiquem para ver o outro».

Junto à tenda do Colletif Malunés está a ser montado um gastrobar temporário chamado «Entrecirques – manjares e beres» que será dinamizado por Luigi Gautero, empresário e chef de cozinha em Aljezur, onde gere os restaurantes Gulli e Várzea.

Além do novo circo, na noite de 31 de dezembro haverá também um concerto da recém-estreada Orquestra Vicentina, «que com os seus ritmos quentes nos ajudarão a enfrentar o frio da serra, juntamente com as comidas e bebidas que fazem parte desta festa» simples, mas muito divertida.

Os espetáculos podem ser vistos entre os dias 27 de dezembro e 5 de janeiro (com excepção dos dias 30 de dezembro e 2 de janeiro).

O primeiro de cada dia será Les dodos pelo coletivo francês L P’tit Cirk, às 18 horas.

Às 21h30, começa o Forever, happily pelo Collectif Malunés.

A organização recomenda a compra dos bilhetes com antecedência através da plataforma BOL (https://lavraromar.bol.pt), embora também haja a venda de entradas nos dias de espetáculo.

O Lavrar o Mar conta com os apoios das Câmaras Municipais de Aljezur e Monchique, 365 Algarve, CRESC Algarve e Direção-Geral das Artes.

Um «aposta ganha» diz Rui André

Ouvido pelo barlavento, Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, garante que está tudo pronto para receber os muitos visitantes de um evento que já vai sendo «uma referência no país».

«Ficou na moda esta festa ligada à cultura e ao mundo do novo circo. De ano para ano tem vindo a aumentar a procura e quisemos também corresponder. Este é o momento alto de uma programação que tem provado que é possível ter uma oferta de grande qualidade num território de baixa densidade, em espaços improváveis».

Para o autarca, o projeto Lavrar o Mar – as artes no alto da serra e na Costa Vicentina é uma «aposta ganha. Tem feito acima de tudo a formação de públicos e traz a Monchique pessoas de todo o país, o que muito nos orgulha. Por outro lado, também tem conseguido aumentar o número de pessoas locais que não tinham o hábito de consumir este tipo de espetáculos».