Tartaruga Quinas volta ao mar depois de reabilitada pelo Zoomarine

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Depois de um mês e meio para estabilização e reabilitação no Porto d’Abrigo do Zoomarine (centro de reabilitação para espécimes aquáticos), o Quinas, como foi baptizado pelos portugueses, voltará ao mar no dia 7 de agosto. A devolução, uma vez mais, contará com a cooperação da Marinha.

Foi há seis semanas que esta tartaruga-de-couro ficou presa em cabos marinhos, na Meia Praia, em Lagos.

Os riscos para a sua saúde eram vários (infeções devido aos ferimentos e cortes que sofreu, septicemia, pneumonia por aspiração de água do mar, etc) e potencialmente fatais – e os seus quase 300 quilogramas de peso representavam desafios (clínicos e de maneio) impensáveis até à data.

Para esta operação, a Marinha integrará nas operações do NRP António Enes (F471), uma Corveta da Classe João Coutinho.

A juntar a isto, foi preparada uma caixa especial para que a devolução possa decorrer em alto-mar, 10 milhas náuticas a sul de Portimão. E o plano é que, nas suas costas, o Quinas leve um aparelho que permitirá ao Zoomarine acompanhar a sua progressão (velocidade, direcção, profundidades de mergulho, etc) ao longo dos meses.

O Zoomarine revelou que «a ajudar o Quinas estiveram muitas pessoas e várias entidades, e agradeceu em nota de imprensa «aos veraneantes da Meia Praia, e aos seus nadadores-salvador, à Polícia Marítima, ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera, ao Mestre Pedro Patacas e ao Mestre Antero Fernandes, ao G.A.I.A., por criar o magnífico movimento «Mãos ao Mar», e a Cristian Briceag, por tanto apoiar o dito».

Aquele parque deixou ainda um agradecimento «às centenas de portugueses que sugeriram nomes e ao que neles votaram – para escolher o bem patriótico Quinas, bem como a todos os que se preocuparam com a causa».

Apesar deste processo de reabilitação ter chegado ao fim com sucesso, culminado com este regresso da tartaruga ao seu habitat, o Zoomarine alerta para a manutenção dos desafios ambientais que continuam ativos: «as redes de pesca, plásticos abandonados, poluição química, urgência climática, cabos marítimos», apelando aos portugueses para que mudem «comportamentos para limitar estes riscos desnecessários».

A concluir a declaração enviada às redações, o Zoomarine faz ainda um paralelismo histórico com «os 500 anos do épico feito de Fernão de Magalhães», questionando «que melhor homenagem do que lhe dedicar a viagem de uma das espécies que mais longe e mais fundo consegue navegar?», e deixando ainda desejos de boa navegação ao Quinas, e desejando que o animal nunca mais volte «a precisar da ajuda de humanos».