Taberna Ti Cidália, refúgio de pescadores e do peixe fresco em Quarteira

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Quando abriu, em 1963, a Taberna Ti Cidália era uma venda tradicional, que aviava os bens mais essenciais ao povo. Fica junto ao Porto de Pesca de Quarteira e é hoje uma das últimas tabernas de pescadores, onde a «tipicidade» ainda persiste às modas do turismo dominante.

É assim há 57 anos. Manhã cedo começam a chegar da faina os homens do mar para «matar o bicho», beber uma mini, ou um copinho de tinto.

Depois, acendem-se as brasas no fogareiro para assar o peixe fresco para o almoço.

Quando abriu, em 1963, era uma venda tradicional, que aviava os bens mais essenciais ao povo. Fica junto ao Porto de Pesca de Quarteira e é hoje uma das últimas tabernas de pescadores, onde a «tipicidade» ainda persiste às modas do turismo dominante.

Quem o diz é Teresa, 59 anos, que veio para aqui com a mãe, Cidália, ainda mal dava os primeiros passos.

Hoje está à frente da taberna, em conjunto com a irmã Clarinda, e os mais novos da família.

«Está a ver esta garrafa? Antigamente, os pescadores antes de irem para o mar, pediam à minha mãe: ò Ti Cidália, encha lá uma bombinha», que na verdade, era o vinho para juntarem ao farnel que levavam a bordo.

A casa foi remodelada há dois anos, mas isso não lhe tirou a alma, o centenário mosaico hidráulico, nem os tesouros que lembram a cultura piscatória daquela comunidade.

Teresa mostra a «bombinha» cujo rótulo presta homenagem à mãe, fundadora da Ti Cidália.

«Aquilo ali ao fundo é um papagaio. Montava-se na proa das embarcações à noite para chamar o peixe» com a luz do petromax. E sabe que os parais (uma espécie de base em madeira que servia para puxar os barcos para terra) em Quarteira têm uma particularidade? Têm orelhas», adaptações simples que serviam para agilizar a tarefa pesada de arrastar o casco à força de braços. Hoje são prateleiras atrás do balcão. Ainda têm função e uma história para contar.

«Ainda tenho ali uma barra de sabão Migo», muito apreciado pelas senhoras. «Os homens que não iam ao mar eram os ajudantes. Carregavam as paviolas para trazer o peixe dos barcos para a areia», onde era leiloado.

A família de Teresa tem uma embarcação de 12 metros, a «Maria Aliete» que fornece a taberna.

Apesar de estar um pouco escondida, muitos são os que aqui vêm provar os «molhinhos de sardinha panados» ou xarém à algarvia, ao almoço ou ao jantar, no alpendre com vista para as traineiras.

Ali perto, há outro edifício histórico, o estaleiro artesanal do Mestre Casinhas, que há quem defenda que poderia ser reabilitado para servir de Museu do mar e pesca de Quarteira, onde toda esta cultura material e imaterial pudesse ser também um atrativo cultural.

Resta dizer que durante o pico do verão, mesmo neste contexto pandémico, é melhor telefonar antes (96 114 26 00). E sim, Ti Cidália, ainda está viva. Tem 88 anos e às vezes, vai visitar a sua antiga taberna.