Saúde em falta de comparência em Portimão e no Algarve

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Outra vez? Sim, outra vez. Outra vez uma enorme preocupação em torno da Saúde no Algarve com enfoque em Portimão e no Barlavento algarvio.

Mais uma vez, o Serviço Nacional de Saúde (SNS), a unidade de Portimão do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) é notícia por razões que não são as melhores.

O encerramento da maternidade de Portimão devido à falta de médicos pediatras que pudessem assegurar os cuidados neonatais representou, ou deveria ter representado, apreensão para a totalidade da região.

Não existindo médicos disponíveis, para garantir os mínimos de segurança para as grávidas que fossem ao Hospital de Portimão, fez com que tivéssemos a maternidade encerrada.

Preocupante sinal do estado do SNS na região.

Recordo os mais distraídos que que o verão ainda não começou.

Estamos às portas da altura do ano em que toda a região duplica, e até chega a triplicar, a sua ocupação e acabámos de viver uma situação de rutura numa área essencial da prestação de cuidados hospitalares.

Uma área que representa um cartão de visita: a saúde.

O turismo é afetado por diversos fatores mas, saibamos, dois dos principais serão sempre a segurança e… a saúde.

Esta rutura do SNS dos últimos dias afetou residentes e todos os turistas nacionais e estrangeiros que, e bem, optaram por passar férias ou umas miniférias nesta sub-região algarvia.

Tenhamos noção que esta ampla área geográfica, no Barlavento algarvio, ficar sem resposta de urgência nas patologias da Mulher e da Criança durante todos estes dias representa vários fatores de risco.

Em primeiro lugar, representa uma grande falta de equidade dada aos barlaventinos por parte do governo. Em segundo lugar, obviamente, representa que durante estes dias apenas existiram duas vias em caso de necessidade de acesso ao SNS nesta área:

1) Ir à já saturada Urgência do Hospital de Faro, que no caso de um algarvio residente em Odeceixe significa 1h30 a 2h00 de viagem e fazer 250 quilómetros ida e volta, pagando do seu bolso o táxi ou a ambulância ou o combustível, em vez de 45 a 50 minutos e 120 quilómetros ida e volta à Urgência do Hospital de Portimão;

2) Ir, mais uma vez, a uma das unidades hospitalares do grupo Hospitais Particulares do Algarve, em Lagos ou em Portimão, pagando o que tem direito constitucionalmente!

É. Presente. É presente porque este problema não foi resolvido. É muito preocupante e continua a ser.

Continuamos sem saber quando o SNS falhará outra vez em Portimão e no Algarve.

Também preocupante é o silêncio de quem, outrora, e bem, quis impedir fecho de serviços hospitalares, quis evitar a destruição do nosso Hospital de Portimão e, reitero igualmente a mesma vontade, defendia que não podemos admitir que haja cidadãos de primeira e cidadãos de segunda, sobretudo quando se trata de um bem como a saúde.

Mas… fomos cidadãos de segunda nos últimos dias, sim! Fomos mesmo!

Onde estão essas vozes agora?

As preocupações exprimem-se e faz-se por resolver.

Temos de falar, temos obrigação de ouvir e pedir explicações reais e palpáveis nos locais certos onde os portimonenses são, e devem ser sempre, defendidos: no Poder Local.

Não podemos esquecer que, diariamente, os eleitos locais (de todos os partidos políticos e movimentos de cidadania) têm deveres perante os portimonenses e a luta por um SNS que funcione ao serviço das pessoas, com qualidade, acessibilidade e gratuitamente não é só quando temos outros partidos políticos diferentes dos nossos ao «leme» do país.

Longe vão os tempos das providências cautelares e das manifestações à porta do hospital.

Sei disso. Portimão sabe e tem visto isso. Todos entenderam e entenderão o porquê. É fácil.

Não é hora de perder a voz. É hora de unirmos vozes para se perceber como podemos, todos juntos, construir um futuro com ausência destas ruturas no nosso SNS. Sem medo de questionar.

Sem medo de dar a cara. Com coerência e defendendo diariamente Portimão e os Portimonenses.

É isso que espero de todos e é isso que, enquanto simples portimonense e algarvio, podem exigir e esperar de mim. Sempre.

Carlos Gouveia Martins | Presidente da Comissão Política do PSD Portimão