Restauração e fornecedores inovam para sobreviver

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Perante um presente em que a incerteza é transversal a quase todo o tecido empresarial da região, há quem consiga adaptar-se ao que o mercado hoje precisa, a pensar também no dia de amanhã.

«Não posso ficar sentado, à espera do divino, de uma varinha mágica que me venha pagar as contas. Se cair amanhã, ao menos, lutei e tentei», diz ao barlavento Guy Doré, um dos quatro chefs que têm restaurantes no primeiro andar do centro comercial Mar Shopping Algarve, em Loulé. Está há semanas a trabalhar sozinho, todos dias, em turnos que começam às 9 horas.

«É verdade que no primeiro dia, senti-me um pouco estranho», diz. «Se não tivesse acontecido esta pandemia, para mim, 2020 teria sido o ano de crescimento», já que «nos últimos meses de 2019 o negócio começou a ficar equilibrado».

Mas na última quinzena de março, o chef Doré, viu-se a braços com «uma situação financeira dramática». Teve de dispensar os 12 colaboradores para layoff e ponderou desistir de vez.

«No meu caso, investi aqui quase 200 mil euros porque sempre acreditei» no projeto Algarve Chefs Experience.

«Claro que é muito mais fácil largar tudo e dizer: vamos respirar e logo se vê. Mas isto mexeu comigo. Tinha de tomar a decisão ponderada de continuar ou não, porque esta pandemia é capaz de não parar durante meses», explica o proprietário do G’s Bistro, profissional com 30 anos de experiência na cozinha.

«Sou o único com um conceito de bistro francês. As pessoas sentam-se ao balcão. É como eu entendo a comida. Uma partilha. Isso, penso que vou perder. Já ninguém se vai sentar no meu balcão antes de haver uma cura, ou uma vacina», lamenta.

«Pensei: tenho que reinventar o conceito. Para manter a minha empresa, terei que tentar outro método». Lembrou-se que o nicho do take-away poderia ser uma solução.

A cozinha a vácuo que já utilizava era perfeita para se diferenciar. Começou por pedir autorização à administração do Mar Shopping Algarve, porque o primeiro andar estava encerrado.

«Falámos numa terça-feira e no sábado seguinte consegui abrir. Criaram um acesso só para mim, ligaram escada rolante e elevador» para os clientes poderem recolher a comida entre 12h00 e as 16h00, assim com foi colocado um roll-up informativo e divulgação nas redes sociais.

«Foram espetaculares comigo. Fui surpreendido pela positiva. Quando estávamos a funcionar normalmente, às vezes, porque somos muitas lojas e todos diferentes, há a sensação que não nos estão a ouvir. A verdade é que até produziram as etiquetas para as embalagens de vácuo», para ajudar a reduzir os custos do chef.

«Esta técnica do vácuo não é nova. A grande vantagem é que continuo a minha experiência de oferecer ao cliente um produto de muita qualidade. É perfeito para o confinamento. Quem aquecer estas refeições em casa, em banho-maria, se não fizer asneiras, irá comer tal como eu as produzi», brinca.

Bastam cinco minutos para reavivar uma refeição gourmet. E há quem venha de Aljezur buscar doses para a semana inteira, já que a comida se mantém fresca durante alguns dias.

No menu há chili com carne, tiras de frango com molho de natas e cogumelos, perna de pato confitada com batata doce e abóbora, lombo de salmão ou pratos com um toque típico da gastronomia francesa, fondue de alho francês com natas e vinho branco ou filete de robalo com ratatouille, sendo este um dos pré-cozinhados com mais saída.

No futuro pós-pandemia, «quando as pessoas perderem o medo de sair, se calhar, farei um take-away mais tradicional, em vasilhame de vidro e quero ter mais oferta».

Para já, o chef também leva as doses a casa de quem precisar desse serviço.

«Estou a gerir o meu tempo entre as encomendas e as entregas. Às vezes é um pouco frustrante porque estou a tomar conta de tudo sozinho: preparar, limpar, cozinhar. Mas quero continuar, e dar vontade às pessoas de jantarem no restaurante, mas em casa», garante. Experimentar é fácil, basta ligar para o chef Doré (934242717).

Aviludo reconfigura-se para o retalho

É uma empresa de âmbito nacional, certificada e especializada na indústria, comércio e distribuição de produtos alimentares, bem conhecida dos algarvios, que opera no canal Horeca desde 1984. Mas numa altura em que esse mercado sofreu um duro golpe, a empresa redirecionou a oferta e parte dos recursos para o retalho.

Assim, lançou dois novos serviços de vendas adequados às restrições impostas pela pandemia: em drive-in ou em entrega ao domicílio.

«Quando criámos o canal de acesso online que permite ao consumidor final fazer a sua encomenda de forma rápida, cómoda e segura, lançámos o serviço de entregas ao domicílio, sem custos de entrega, para encomendas de valor igual ou superior a 100 euros. No entanto, face à complexidade da situação que o país e as pessoas estão a viver, à qual somos sensíveis e solidários, tomámos a decisão de baixar esse valor para 55 euros. Desta forma, conseguimos encontrar um equilíbrio entre a oferta logística que podemos oferecer, e a necessidade ao acesso de produtos alimentares por parte das pessoas», explica Artur Campelo, diretor comercial da Aviludo.

No entanto, face à propagação da pandemia da COVID-19, a Aviludo lançou dois novos serviços de entrega de produtos alimentares com o objetivo de fomentar a adoção dos comportamentos aconselhados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), de forma a promover «o distanciamento social e a permanência dos cidadãos nas suas casas.

«A empresa continua todos os dias a alargar o leque de oferta de produtos para o consumidor final e que está neste momento a desenvolver uma outra plataforma de compras online para agilizar ainda mais o processo de encomenda», que deverá ser lançada muito em breve, segundo o barlavento apurou.

Sobre as entregas ao domicílio, a Aviludo já dispunha de uma frota própria, «que é certificada pela qualidade e que está equipada e preparada para mais este desafio».
O serviço também está disponível através de telefone (289 300 320).

Mar Shopping Algarve prepara reabertura dia 1 de junho

Mesmo antes de ser declarado o estado de Alerta, ao qual se seguiu o estado de Emergência, o centro comercial de Loulé já estava a implementar um conjunto de medidas preventivas para evitar a propagação do vírus SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19. No decorrer deste período difícil, a administração tem vindo a apoiar os lojistas, isentando-os de quaisquer encargos até que possam reabrir os seus espaços. Tem ainda estado a apoiar a comunidade, distribuindo semanalmente, e até final de junho, cabazes alimentares completos a 150 famílias carenciadas dos municípios de Faro e de Loulé.

O MAR Shopping Algarve reabrirá na data que o governo determinar, com as limitações necessárias para assegurar a saúde e a segurança. Como até aqui, desde que a pandemia chegou a Portugal, o centro comercial enquadrará todas as suas ações e medidas nas recomendações e normas determinadas pela Direção-Geral de Saúde (DGS). Já estão em marcha os preparativos para a reabertura, prevendo o reforço da higienização e desinfeção dos espaços e dos dispensadores de gel desinfetante em vários locais, a limitação da lotação no interior, a limitação dos lugares disponíveis no espaço de restauração, sinalética e avisos para que as pessoas respeitem a distância de segurança entre si. Também estão a ser dadas recomendações aos lojistas sobre normas de higiene, limitação de clientes e distanciamento social que devem garantir, entre muitas outras medidas a anunciar em breve.

Herman Gewert, diretor geral do MAR Shopping Algarve.

«Neste período tão desafiante para todos, o MAR Shopping Algarve tem procurado estar mais próximo do que nunca da comunidade que nos envolve e dos nossos colaboradores e parceiros, já que acreditamos que, só unidos, conseguiremos ultrapassar esta fase e a voltar a prosperar, beneficiando uns dos outros. Gostava mesmo de destacar o esforço de todos os profissionais que têm trabalhado no centro e nas lojas que mantêm as portas abertas pela importância que a sua atividade tem no abastecimento das populações. Para mim, são verdadeiros heróis», remata Herman Gewert, diretor-geral do MAR Shopping Algarve, ao barlavento.