Quarteirão Cultural de Loulé vai avançar

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A Câmara Municipal de Loulé já contratou os serviços do arquiteto Vítor Mestre para apresentar um projeto denominado Quarteirão Cultural de Loulé, «o qual que resultará numa intervenção arrojada e ambiciosa capaz de colocar a cidade na rota nacional dos locais culturais a visitar obrigatoriamente», avançou Vítor Aleixo.

Não foi apenas um dia de festa, mas uma oportunidade para refletir «sobre o que fizemos no passado, no sentido de, em conjunto, melhorarmos as nossas prestações no futuro», referiu Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, durante o discurso do Dia do Município, na quinta-feira, 30 de maio.

Em jeito de balanço, afirmou que «Loulé é reconhecido pelo seu equilíbrio orçamental e a sua sustentabilidade financeira. Atingimos o valor de dívida orçamental mais baixo dos últimos oito anos, reduzindo de cerca de 95 milhões de euros para os atuais 25 milhões, menos 74 por cento deste 2011. Implementamos uma minoração de 30 por cento, o máximo permitido por lei, na taxa mínima do IMI para as freguesias do interior, e em 2019, diminuímos em 80 por cento o valor das taxas a cobrar sobre a atividade económica em geral, nessas mesmas freguesias. Combater o declínio do interior rural do concelho e promover um desenvolvimento económico e social mais harmonioso em todo o território» é um dos objetivos para os próximos anos, de acordo com o autarca.

«O nosso propósito é sem dúvida, cumprir a visão de desenvolvimento que temos para o concelho. Que seja ambientalmente responsável e dinamizador de ações para adaptação às alterações climáticas, um concelho coeso socialmente, com realizações concretas ao nível dos impostos, educação, apoios sociais, e habitação. Com as balizas temporais de 2019-2030, terão lugar várias políticas de habitação que pretendem promover o acesso à habitação para todos, criando soluções sustentáveis», anunciou o edil.

«Em Quarteira, assinámos um protocolo com a Autoridade Marítima Nacional e iremos construir um novo Posto Marítimo e uma nova Estação Salva-vidas que irão aumentar a segurança dos pescadores e dos banhistas, assim como responder ao aumento do tráfego marítimo. O concelho irá também estar na vanguarda da investigação na área da saúde e turismo de saúde com a construção de duas infraestruturas em Loulé e Vilamoura, no âmbito do projeto ABC Loulé Active Life Health & Research», referiu Vítor Aleixo, no dia em foram assinados os protocolos com as várias entidades envolvidas.

Tal como tem vindo a ser noticiado, o município vai investir cerca de 16 milhões de euros na construção de dois edifícios, o ABC Loulé Active Life, em Vilamoura e o ABC Loulé Health Research Center, em Loulé. Ambos vão receber, de acordo com a estratégia do governo, vários projetos na área de investigação científica, das biociências, envelhecimento ativo, educação e formação, entre outras.

«Estes projetos alavancarão uma melhoria significativa na prestação de melhores cuidados de saúde a residentes e aos muitos milhares de turistas que visitam a região ao longo do ano. Conhecimento e inovação surgem aqui apoiados no investimento público municipal, porque sabemos ser esta uma receita de sucesso para a relação de investimento privado estrangeiro e nacional, e que a região e o país merecem», voltou a sublinhar Vítor Aleixo.

E em forma de conclusão, afirmou que «estamos a projetar, investiu-se muito mas de forma planeada, estruturada e consciente. Loulé é cada vez mais um município moderno, competitivo, reconhecido a nível nacional e internacional, voltado para o futuro do seu território e das suas gentes».

Loulé celebrou o Dia do Município

Palácio Gama Lobo é nova Casa do projeto «Loulé Criativo»

Um dos momentos mais altos do Dia do Município de Loulé teve lugar na manhã de sábado, dia 1 de junho, com a inauguração do Palácio Gama Lobo.

«O edifício que inauguramos vê agora ser-lhe devolvido todo o seu esplendor com uma extraordinária obra de recuperação, que valeu 1,3 milhões de euros, levada a cabo pela Câmara Municipal de Loulé», anunciou o autarca Vítor Aleixo, na presença de Pedro Siza Vieira, Ministro-Adjunto e da Economia, que presidiu à cerimónia.

A antiga casa nobre, que remonta à segunda metade do século XVIII é, segundo o autarca, «um marco referencial da arquitetura civil de Loulé. A obra de recuperação e salvaguarda do património construído da cidade vem na linha de uma orientação autárquica a que tenho a honra de dar corpo e que olha para a reabilitação das cidades como um dos recursos mais poderosos para a dinamização de outras formas de turismo», afirmou o edil.

Aleixo sublinhou que neste caso, o objetivo nunca foi «apenas criar um objeto estético, de contemplação. Tínhamos também de conseguir trazer vida e economia, e é assim, que surge agora mais um local dinâmico, inovador, promotor de identidade e de economia de base local».

O imóvel será a casa do projeto «Loulé Criativo», coordenado pela Câmara Municipal para «pretende atrair talentos profissionais, estudantes e investigadores, e funcionar como um incubadora de novas atividades económicas assentes nas artes e ofícios e ainda sendo um polo de dinamização do território, sobretudo na área do turismo criativo».

Promover «atividades turísticas no interior» através de «produtos como o turismo de natureza, observação de aves, e caminhadas» é «o caminho do futuro» para «nos tornarmos mais competitivos e nos diferenciarmos de outros destinos europeus», disse ainda o autarca.

Através deste projeto, «os artesãos têm a oportunidade de trabalhar em rede, e em parceria com diversos designers com o intuito de desenvolver investigação e experimentação na área das artes e ofícios, e assim criar uma visão integrada de uma estratégia para a produção local, o que irá gerar mais oportunidades, conhecimento e notoriedade para os seus produtos», concluiu.

Na ocasião, Pedro Siza Vieira elogiou a «qualidade da reabilitação» pela forma como consegue modernizar e adaptar o imóvel «a novos usos e soluções, à disposição da comunidade para o futuro».

O governante admitiu que já não visitava Loulé há muito tempo e que quase não reconheceu a cidade.

«É muito mais notável e moderna, e interessante, porque mostra de outra forma aquilo que sempre aqui esteve», concluiu.

Já Henrique Ralheta, coordenador do projeto «Loulé Criativo», explicou que os objetivos são «promover o património cultural do concelho, a interação entre os turistas e o património, o surgimento de novas atividades e novos empreendedores, e a criação de uma rede de vários agentes locais, artesãos, empresas e artistas».

E traçou um balanço positivo, pois em 2018 foram desenvolvidas 70 atividades nas quais participaram 476 indivíduos. Ralheta reforçou ainda que o concelho de Loulé foi o primeiro a nível nacional a pertencer à rede internacional Creative Tourism Network.

A cerimónia contou ainda com a presença da escritora Lídia Jorge, vários deputados à Assembleia da República eleitos pelo Algarve, o Reitor da Universidade do Algarve Paulo Águas, o presidente da Região de Turismo do Algarve João Fernandes, vereadores, presidentes de juntas de freguesia, entre outros representantes da sociedade civil e forças de segurança.

Exposição dedicada a Tossan «é um ato de justiça»

Integrado no programa oficial do Dia do Município de Loulé, na quinta-feira, 30 de maio, foi inaugurada a exposição «O homem que só queria ser Tossan», que aborda a vida e obra desta artista.

Para Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, trata-se de «um ato de justiça para com um grande algarvio. Tossan foi um vilarealense que deixou uma marca nos seus contemporâneos pela sua capacidade de ilustrar, escrever poemas, e ilustrar livros infantis. Um homem que foi um dos grandes responsáveis pela notoriedade que o poeta algarvio, e meu avô, poeta António Aleixo adquiriu no país, e que apesar deste seu legado de cultura da região, é infelizmente, um ilustre desconhecido», sublinhou.

«Pensámos, em Loulé, prestar-lhe uma homenagem digna do valor e à altura que teve como pessoa», referiu ainda o autarca que teve «a felicidade de durante um período muito particular da minha vida em Lisboa, conviver quase diariamente com o Tossan».

inaugurada a exposição «O homem que só queria ser Tóssan»

O autarca agradeceu ainda o trabalho de Jorge Silva, autor e criador da exposição. «O sentimento que tenho é que existia uma dívida que estava por saldar, por parte da minha família e do meu avô, o poeta António Aleixo, para com o Tossan. Sinto como se hoje essa dívida sentimental tivesse sido paga, entre pessoas que se conheceram, admiraram e se estimaram. O Tossan merece isso e muito mais. Toda a gente vibrava com o seu sentido de humor, a sua inteligência, com a sua sabedoria. Foi um homem muito admirado, e por isso, esta exposição é mais do que merecida. É uma grande oportunidade de podermos homenagear um grande homem e um grande artista», concluiu um grato Vítor Aleixo.

Pedro Mexia recebeu prémio literário
Pedro Mexia (ao centro).

Durante a cerimónia do Dia do Município foi ainda atribuído o 4º Grande Prémio Literário, instituído entre a Câmara Municipal de Loulé e a Associação Portuguesa de Escritores, ao crítico literário e colunista em diversos jornais Pedro Mexia, pelo livro «Lá Fora», publicado pela editora Tinta da China.

O prémio destina-se a galardoar uma obra em português, e a um autor português, publicado em livro e em primeira edição em Portugal, no ano de 2018, e que este ano foi no valor de 12 mil euros.