PSD Loulé vai boicotar a homenagem a Kumba Yala

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A secção concelhia de Loulé do Partido Social Democrata (PSD) decidiu por unanimidade boicotar a presença na inauguração da Rua Kumba Yala, promovida pela Câmara Municipal de Loulé no sábado, dia 1 de fevereiro.

Em nota enviada às redações, aquela força na oposição considera que «aquele que deveria ser um dia de festa para todos os louletanos as comemorações do dia da elevação a cidade – fica ensombrado por uma iniciativa do foro meramente pessoal do presidente da autarquia, que era amigo próximo do antigo presidente da Guiné Bissau».

No entanto, diz o PSD Loulé, «a justificação oficial, porém, é a de que Kumba Yala foi jogador de futebol do Louletano e por aqui deixou muitos amigos, e que tendo ocupado um cargo de alto relevo na antiga colónia portuguesa, encaixa no perfil de uma personalidade que merece ser publicamente reconhecida».

Até aqui, tudo bem, «não fora o facto da realidade ser bem diferente da mensagem que Vitor Aleixo pretende passar. E a verdade é que Yala foi um membro destacado do PAIGC e acérrimo combatente na guerra colonial contra os portugueses. Para nós, é um verdadeiro contrassenso a mesma autarquia que homenageia militares mortos na guerra do Ultramar, afixando os seus nomes em placas de honra na fachada principal da Câmara Municipal, vir agora distinguir quem promoveu ou contribuiu para essas mortes», sublinha o PSD Loulé.

«E desengane-se quem ousar acusar-nos de qualquer sentimento xenófobo ou racista. Isto nada tem a ver com raças, credos ou cores. É, apenas e só, uma questão de bom senso. Mas há mais: o homem cujo nome Vitor Aleixo quer perpetuar numa rua da nossa cidade é o mesmo que fomentou a instabilidade política no seu próprio país, apadrinhando desordens e guerrilhas entre etnias, para encontrar uma forma de se perpetuar politicamente, à semelhança de tantas e tantas ex-colónias europeias em África», lê-se ainda na nota.

Kumba Yala foi eleito presidente da República da Guiné-Bissau em 2000, «mas tornou-se uma figura tão controversa que acabaria deposto por um golpe militar em 2003. Factos são factos, e estão à mercê de quem os quiser consultar. E é por isso que repudiamos esta decisão do executivo municipal, que, voltamos a sublinhar, é promovida pelo seu presidente, de quem o agora homenageado foi amigo próximo».

O PSD Loulé pergunta: «com tantas e tão distintas personalidades oriundas do concelho de Loulé ou que aqui passaram parte significativa das suas vidas, temos mesmo a necessidade de atribuir nomes de rua a amigos do presidente da
autarquia?»

Por tudo isto, «e porque sabemos que de nada serve tentar contrariar alguém que cultiva a máxima do quero, posso e mando, não nos resta outra alternativa senão boicotar a presença nesta suposta homenagem, apelando a todos os
louletanos — em especial aos antigos combatentes — que nos acompanhem nesta manifestação de repúdio».