Constância Simões, portimonense de 12 anos brilha no surf nacional

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Apesar da tenra idade, a jovem já se destaca no surf a nível nacional, disputando títulos contra surfistas de mais idade.

Filha de um surfista e uma bodyboarder, as ondas fazem parte da sua vida e são quase genéticas. Mas sempre se interessou por outras modalidades, tendo praticado natação e judo, desde tenra idade, skate desde 2016, e taekwondo, desde 2018, além de treino físico funcional.

É aluna do Quadro de Excelência, no 6º ano de escolaridade no ensino integrado de música, tendo o 2º grau em saxofone. E deixou uma palavra de agradecimento às colegas, que a ajudam com os apontamentos, quando falta para competir.

«Quando era mais nova, fomos viver em Timor. Numa viagem a Bali, porque o meu pai faz surf, pus-me de pé na prancha, pela primeira vez, e a partir daí comecei a surfar. Tinha cinco anos», foi-nos dizendo, com um ar desenvolto. Mas, segundo a mãe, «mal começou a andar, o pai deu-lhe a adrenalina das espuminhas, puxando-a numa prancha, na rebentação, e nunca mais parou».

Regressada a Portimão em 2013, continuou a praticar e a entrar em pequenas competições inter clubes, tendo o pai por treinador. Até que, há dois anos, ingressou nas competições a sério, a nível nacional, ostentando já um palmarés invejável.

O Future Surfing School (Clube Naval de Portimão) foi a sua primeira escola. Em 2016, mudou para o Portimão Surf Club, mas regressou ao Clube Naval de Portimão no início deste ano.

Para Constância, o surf representa o prazer de viajar e de se divertir, em sintonia com os amigos. E, de vez em quando, a adrenalina das competições.

Embora o seu escalão seja sub-12, também compete em sub-14 e sub-16, onde encontra algumas surfistas quatro anos mais velhas. Mas o facto não a amedronta, como podemos ver pelo quadro de resultados.

E a Constância explica porque compete nesses escalões etários mais elevados: «Primeiro, para aprender mais. Depois, porque não há muitas meninas da minha idade a fazer surf, ao meu nível. Elas praticam, mas não vão aos campeonatos, umas porque não têm possibilidades e outras porque não querem ir. Tenho de ir a outras competições para encontrar adversárias mais fortes e evoluir».

O seu desempenho em sub-14 e sub-16, no Rip Curl Grom Search deste ano, competição bienal, foi excelente. A sua vitória em sub-14 feminino deu-lhe uma viagem como prémio. O 2º lugar em sub-16 proporcionou-lhe a presença no Europeu da competição, em outubro, em Peniche, onde será apurado um surfista para se juntar ao vencedor, no Mundial de 2020.

O verão, na costa sul do Algarve, com poucas ondas e muitos turistas nas praias, não oferece as condições propícias para treinar para o Europeu. Contudo, a surfista disse-nos que, na costa vicentina, ainda há praias de difícil acesso e, por isso, pouco concorridas e com ondas, onde poderá fazer a sua preparação.

O «barlavento» quis saber como é que os surfistas conseguem distinguir, ainda ao longe, a onda que é boa para surfar e aprendeu que «uma onda que vai rebentar em toda a praia, não serve. Mas uma onda que vai rebentar num determinado lugar, é boa. E, pela sua formação, sabemos».

Para uma miúda que já surfou em Malibu, Trestles, Encinitas, Huntington, San Clemente e fez um surftrip aos Açores, em 2017, com ondas de dois metros, essa capacidade de julgamento deve ser muito apurada.

Aliás, os Açores foram o marco para a viragem e, a partir de 2018, o seu objetivo passou a ser a evolução, o que a conduziu a um estágio com José Maria Cabrera, em Lanzarote, no final de 2018.

Interessante é o modo como os atletas se relacionam com os treinadores. «Antes de cada heat, que dura 20 minutos, analisamos o mar, em conjunto com o treinador. Quando vamos para a água, temos dados que nos ajudam a escolher as ondas e o modo de as apanhar. Embora os treinadores, por vezes, nos deem mais algumas instruções, a partir de terra. Entretanto, alguém filma a nossa prestação. No meu caso é a minha mãe e, ao chegarmos a casa, analisamos o desempenho».

Constância confidenciou-nos que edita os seus vídeos, uma outra paixão. E que, no futuro, quer ser surfista e editora de vídeos.

Até lá, existe um investimento grande por parte dos pais, um casal de arquitetos, quer em tempo, quer em deslocações, quer financeiro, porque os clubes só conseguem suportar uma parte dos custos envolvidos e os patrocínios não abundam, embora a nossa entrevistada, aos 12 anos, já tenha dois patrocinadores.

Como nos disse Cristina, a mãe, «nós não queremos forçar nada, mas damos-lhe todo o apoio. Ela quer competir e é muito exigente para com ela, tanto no surf, como nas aulas e na música».

A terminar, Constância acabou por confidenciar que, dentro de água, em competição, os nervos abundam. «Quando sabemos que alguém é melhor, ou quando ouvimos que uma competidora fez uma boa classificação numa onda, porque nós, na água, vamos ouvindo os resultados, aparecem os nervos, sabendo que temos de fazer uma onda boa para ficar em primeiro e, por vezes, o tempo começa a faltar. Mas, quando apanho uma onda boa, posso fazer o que quero e sinto-me livre, alegre e feliz».

E também nos foi dizendo que faz treino físico específico, duas vezes por semana, logo de manhã, antes de ir para as aulas, para poder ter a força e a flexibilidade necessárias. Em suma, não é fácil ser campeão e obriga, além das condições genéticas, a muito trabalho, muita disciplina e muito amor ao que se faz.

Como despedida, pediu a todas as crianças que praticam surf que «vão às competições, mesmo que achem que não estão bem, porque aprendem, divertem-se e, às vezes, podem conseguir resultados».

Palmarés

Até 2017, a Constância competiu principalmente no Desporto Escolar, alcançando sempre o pódio.

2018
Circuito Nacional de Surf
3º lugar sub-12 – Regional Sul
Campeã Regional (Sul) sub-16 Feminino
Vice-Campeã Regional (Sul) sub-18 Feminino
7º lugar na Finalíssima Viana do Castelo sub-18 Feminino

Outros:
2º etapa Regional Centro Ericeira – 4º lugar sub-16 feminino
Caparica Super Grom – 2º lugar sub-14 feminino

Rip Curl Grom Search
1º lugar sub-12 feminino GERAL
1º lugar sub-14 feminino GERAL

2019
Circuito Nacional de Surf
3º lugar sub-12 – Regional Sul
Campeã Regional (Sul) sub-16 Feminino
Campeã Regional (Sul) sub-18 Feminino

Outros:
Caparica Power 1ªetapa – 3º lugar sub-12

Rip Curl Grom Search
1º lugar sub-12 feminino GERAL
1º lugar sub-14 feminino GERAL
2º lugar sub-16 feminino GERAL