Pirá, a primeira cevicheria do Algarve inaugurou em Loulé

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Restaurante especializado na confeção de ceviches aposta apenas em pratos de peixe ou vegetarianos, com influências sul americanas. Pirá promete ainda ser um local cultural para acolher exposições, declamações de poesia, música ao vivo e peças de teatro.

«O meu maior sonho sempre foi abrir um restaurante em Loulé. Há anos que tenho essa semente plantada na minha cabeça. Fazia questão de oferecer à cidade algo que ainda não existia». Quem o garante ao barlavento é Cauê Reis, chef de 32 anos e proprietário da primeira Cevicheria no Algarve, o Pirá, localizado na porta número dois da Rua Serpa Pinto.

E em que consiste o ceviche? «Uma explosão de sabores na boca. É um prato que veio do Peru, mas com influências de quase todo o lado do mundo. A base é um sumo de lima com bom peixe fresco, cebola roxa, malagueta e leche de tigre, uma espécie de caldo feito a partir da marinada do peixe, com alho, gengibre e malaguetas», responde o empreendedor.

Mas no menu do Pirá, além do clássico ceviche, há ainda mais cinco receitas, todas criadas pelo chef.

«Todos de fusão. Temos o amarelo tropical em que a base é a corvina, onde junto manga, maracujá e leite de coco. Há um que tem como inspiração o Algarve, o marafado, com polvo, cenoura, pimento e amêndoas. O vermelho picante é com robalo, beterraba, frutos vermelhos e malagueta».

«Temos um vegan, feito com palmilto [miolo de uma palmeira] e o último é o preto negro porque ao atum braseado uno o feijão preto, tinta de choco e algas. Qualquer um deles é servido com chips de batata doce e tiras de milho. Basicamente vamos fazer uma grande fusão de ceviches», detalha.

Em comum partilham a origem da proteína: águas algarvias e o Mercado de Loulé. «Sempre fresco diariamente. O nosso peixe, para mim, é dos melhores», acrescenta.

À carta dos ceviches, que será sempre a mesma todo o ano, juntam-se «quatro salgadinhos à base de peixe e dois tartacos (tártaro com tacos). Tudo caseiro», detalha Cauê.

Em relação aos preços, os ceviches vão dos 8,75 até aos 12,50 euros, os tartacos rondam os oito euros e o salgado mais caro, à base de marisco, custa 4,95.

Com a chegada do mês de abril, há também novidades no Pirá. Segundo explica o chef: «vão entrar na carta 10 novos pratos. Serão com peixe ou vegetarianos porque neste restaurante não entra carne de qualidade nenhuma. Quase todos vão ter elementos de sabores sul americanos e alguns com influências algarvias e portuguesas. Até asiáticas, se me apetecer. A ideia é todos os meses ter 10 pratos diferentes. Vão também entrar as sobremesas, que irão também ser alteradas mensalmente».

Para beber, há uma carta com 10 vinhos diferentes, sendo que a maior parte serão brancos, espumantes e rosés, uma vez que «são os que casam melhor com o ceviche».

Para o responsável, o novo espaço, inaugurado na terça-feira, dia 10 de março, é um «desafio, a ganhar forma há cinco meses. As pessoas chamam-me louco e eu agradeço. Cevicherias em Portugal há poucas e no Algarve não conheço nenhuma, mas claro que há restaurantes que servem ceviche, não são é especializados».

«As pessoas são ligadas às tradições e quando aparece algo que é novo, às vezes, torcem o nariz. Mas vamos ser mais teimosos. Os estrangeiros quase todos conhecem o ceviche por isso tenho a certeza que vai atrair muitos turistas a Loulé. Quero mudar um pouco a cultura de beber cerveja e comer tremoços. Porque não beber cerveja e comer ceviche? Televisão só vamos ter na altura do Euro porque acima de tudo o Pirá é cultura, cores e sabores».

Cultura porque além de ser um restaurante, o Pirá é também um espaço para acolher «qualquer tipo de arte. Vamos ter música ao vivo, noites poéticas, workshops de dança, showcookings, peças de teatro e as nossas paredes vão ser galerias para pintores. Vai ser um espaço aberto. Esta foi uma ideia que me surgiu porque tenho amigos de infância, daqui de Loulé, que são autodidatas e cheios de talento e aqui vão poder mostrá-lo a todos».

E qual o motivo do nome peculiar Pirá? Para Cauê a escolha foi simples, «o meu nome é de origem tupi-guarani e pirá significa peixe nessa língua».

Quanto ao futuro, de acordo com o responsável, «o objetivo é expandir o espaço para outras cidades algarvias. Criar mais Cevicherias, ou até pensar em outras especialidades. Mas para já queremos consolidar o público e dar a conhecer o ceviche».

O Pirá tem capacidade para 40 pessoas, sendo que em abril terá uma esplanada com mais 12 lugares. Às sextas e aos sábados está aberta até às 2h00, sendo que Cauê garante que serão noites «onde o restaurante se transforma num gastrobar, com música ao vivo, mas sempre com ritmos latinos para fazer mexer o ombro». Domingo e segunda são dias de folga.

Às terças e às quartas, além de almoços, o Pirá está aberto até às 18h00 com várias hipóteses para lanchar. Na quinta-feira, o restaurante abre às 12h00 e estende o horário até ao jantar, «uma noite mais calma, dedicada à poesia, literatura e teatro», garante o chef.