Pescadores algarvios contestam fecho prematuro da captura de biqueirão

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A pesca do biqueirão vai ser interdita na próxima quarta-feira, 6 de novembro, numa altura em que ocorre mais na costa sul do país.

A medida por parte da tutela motivou hoje o protesto de duas organizações de produtores do cerco sediadas no Algarve, a Olhãopesca e a Barlapescas.

Ouvido pelo «barlavento», Miguel Cardoso, dirigente da Olhãopesca explica nos últimos meses houve uma grande concentração de biqueirão na costa norte, o que levou a uma «captura exagerada» na ordem das quatro toneladas por dia, «às vezes até mais, antecipando a quota do ano seguinte».

Desde 1986 que, em águas portuguesas, as capturas de certas espécies são restringidas por Totais Admissíveis de Captura (TAC) acordados anualmente em Conselho de Ministros das Pescas e repartidos por quotas entre os Estados membros, segundo o Princípio da Estabilidade Relativa.

Assim, o TAC anual de biqueirão, para 1 de julho 2019 a 30 de junho 2020, foi revisto em baixa e fixado em 10240 toneladas, cabendo a Portugal 5343 toneladas para o período entre 1 de julho de 2019 e 30 de junho de 2020.

No entanto, em virtude da utilização antecipada da mesma, a quota foi ajustada para 3196 toneladas, e como tal, a pescaria será encerrada antes da época prevista, na quarta-feira dia 6 de novembro, por esgotamento da referida quota.

O biqueirão foi sobretudo capturado pela frota a operar a norte do Cabo da Roca «de forma massiva, com limites diários de captura elevados», sem ter em conta a extensão do período (julho de 2019 a junho 2020).

Assim, os pescadores algarvios consideram que estão a ser prejudicados.

«O biqueirão que agora está a passar na costa algarvia vem limpo, não traz mistura, e tem-se mostrado rentável para o sector. É importante numa altura em que a frota do cerco precisa de fazer alguma captura alternativa à sardinha», lamenta o dirigente.

«O problema é que agora nos vemos confrontados com este fecho prematuro» que na perspetiva dos algarvios é uma medida injusta.

«Com fim de promover a pesca a norte, prejudica-se o sul. Isto revela uma má gestão do recurso com graves consequências para a frota situada a sul. Vamos exigir ao governo para implementar medidas mais equilibradas de forma a que a quota dê para o ano inteiro e para todos», remata.