Pecado Karnal é a nova forma de saborear o Mundo Lick

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Famoso espaço noturno em Boliqueime não se deixa vencer pela pandemia e abre como restaurante Pecado Karnal. Ideia é juntar música e diversão à mesa ao longo do ano, segundo conta ao barlavento Fernando Pacheco, CEO do grupo Kapital.

Depois de uma primeira abertura em regime soft-opening, o novo restaurante Pecado Karnal inaugurou no sábado, 25 de julho e promete ser uma alternativa, numa altura em que a COVID-19 dita limitações ao público e aos empresários da noite.

«Desde que fizemos a mudança da Kadok para Lick, sempre tivemos este espaço mais como um serviço aos nosso clientes, do que um negócio», começa por explicar Fernando Pacheco, CEO do grupo Kapital, empresário espanhol radicado no Algarve e um dos mais respeitados deste nicho. Até aqui, a ideia era que a cada verão, um chef reconhecido do público português pudesse explorá-lo.

«Este ano, por causa desta situação que estamos todos a viver, pensamos: porque não aproveitar a única hipótese que há para podermos abrir portas, enquanto negócio noturno em Portugal, e tentar dar força a um conceito que podemos continuar no resto do ano?».

O novo Pecado Karnal não pretende competir com a «excelente restauração» que já existe no Algarve.

«Nunca na vida. Não é realmente a nossa intenção. O conceito tem mais a ver com a diversão. Estamos disponíveis para organizar festas de aniversário, ou despedidas de solteiro, por exemplo. Achamos que o espaço é giro e o nosso ADN tem de ter sempre música» ao vivo ou com DJs. «Vamos tentar fazer jantares-espetáculos, coisas mais malucas», diz.

«A nossa experiência é que até julho, o verão algarvio não arranca. Não queremos fugir do turista, mas o nosso público é o português», sublinha.

Com a pandemia, o que muda na noite? «Muda a incerteza. Porque ao nível em que trabalhamos, a programação geral começa a ser preparada com meses de antecedência. Estou a falar da contratação de pessoal, de artistas, de alojamento, de muita coisa que uma casa destas precisa. Reduzimos toda a operação a um restaurante, para tentar oferecer uma opção, uma novidade, com toda a segurança», aos fiéis clientes do Lick.

Este ano, «não haverá festas de verão. Mas acho que podemos ter algo muito bom, que é o público vir cá jantar e descobrir um lado mais íntimo e pessoal dos artistas que gostam. Há artistas que gostam dessa proximidade e outros para quem é um desafio. Em casas como o FABRIK, em Madrid, que é um pouco maior que o Lick, é muito complicado estar sentado numa mesa a ouvir um DJ. É como como ir ao futebol e ver o jogo a quilómetros do campo», compara.

Questionado sobre se prevê prejuízos, Fernando Pacheco responde que «se não perder, já será ganhar. Mas se perdermos um bocadinho, e conseguirmos que o Pecado Karnal esteja no circuito de opções das pessoas do Algarve e de quem nos visita, bem, poderemos considerar essa perda como um investimento de futuro».

«A nossa intenção é abrir não apenas no verão, mas durante todo o ano», reforça.

Em relação ao nome, o CEO não esconde que «é forte. O nosso conceito é sempre um pouco transgressor. Pecado Karnal inspira-se no menu, na carne que vamos servir, de ser um restaurante carnívoro. Claro, há opções vegetarianas, pois todos temos amigos que não querem pecar», brinca.

«Foi ideia minha, falei com as minhas referências e amigos, e todos disseram que se calhar, estamos a viver um tempo em que a carne não é politicamente correta. Há outras opções mais saudáveis, mas quase todos gostamos de alguma forma, de pecar».

«Felizmente, depois do que investimos no rebranding da Kadok para Lick, temos uma casa que o ano passado foi eleita entre os 100 melhores clubs do mundo. Não é por acaso que isso acontece. É por ter um cartaz internacional muito forte, que este ano, não irá acontecer. Temos DJs que estão disponíveis, mas há sempre o risco das viagens», e da quarentena que pode ser imposta pelos seus países de origem.

«Penso que isto também abre oportunidade de abrir portas a uma série de artistas a que o público não está habituado. No início, alguns ficam admirados com o nosso desafio. Mas depois de eu explicar, o conceito, até gostam. Até porque hoje vivemos num mundo em que todos temos de nos reinventar».

«No ano passado abrimos o Kick, um clube para 500 pessoas, com o objetivo de vencer a sazonalidade e dar continuidade ao mundo Lick. Abrimos todos os primeiros sábados de cada mês, focado na música eletrónica», conclui.

O Pecado Karnal está aberto todos os dias a partir das 20 horas, e tem com o selo Clean & Safe do Turismo de Portugal. A admissão pode ser feita até às 23 horas. À entrada do estabelecimento há medição de temperatura. É obrigatório o uso da máscara em todos os locais, exceto durante a refeição. Há também gel desinfetante em diferentes locais à disposição, bem como máscaras à venda para algum cliente mais esquecido das normas atuais.

O restaurante vai contar com oito menus diferentes, incluindo ainda uma opção vegetariana. As reservas para grupos são possíveis mas num limite até 20 pessoas e podem ser feitas por telemóvel (912 220 002).