«Mar sem Plásticos» é objetivo europeu e passa por Olhão

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Enquadrado no ciclo «Diálogo com cidadãos: o que posso eu fazer pela Europa?», o Mercado Municipal de Olhão foi palco de uma conversa sobre a poluição e os efeitos do plástico no ecossistema marinho.

Um debate que juntou Joana Cruz, professora da Universidade do Algarve (UAlg) e investigadora do Centro de Ciências do Mar, Lurdes Carvalho, técnica superior da CCDR e responsável pela agenda regional da economia circular, Alcina Sousa, coordenadora da Docapesca, Sílvia Padinha, presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra, Angelina Ramos, responsável pelo FOR-MAR, Centro de Formação Profissional das Pescas e do Mar e Renata Fleck, responsável pela comunicação da SCIAENA, Associação de Ciências Marinhas e Cooperação.

A moderação coube a Aquiles Marreiros, diretor de serviços da CCDR. Segundo referiu Joana Cruz, «os plásticos descartáveis, ou de utilização única, representam 50 por cento do lixo marinho e constituem a maioria dos resíduos que desaguam nas praias». A iniciativa «A Pesca por um Mar sem Lixo», apresentada pela Docapesca, de recolha dos resíduos gerados a bordo e capturados nas artes e artes, que desde 2017 envolve 130 profissionais da Culatra, este ano chegará a mais quatro portos do Algarve.

Ouvido pelo «barlavento», Francisco Serra justificou que faz todo o sentido incluir esta discussão na celebração do Dia da Europa. «A humanidade, a certa altura do processo industrial e do desenvolvimento económico, encontrou o plástico como solução barata de sustentabilidade. O problema agora é que somos nós e os mares as vítimas do uso indiscriminado de larga escala desse material. Há zonas no planeta onde já há mais plástico no mar do que aquilo que é possível reverter. Não tenho ilusões que este problema vá durar ainda muito tempo até nós o conseguirmos controlar e diminuir as repercussões no meio ambiente. Mas temos de incentivar e sensibilizar os cidadãos com este tipo de ações».

Francisco Serra sublinhou ainda que esta temática «vai ao encontro de um dos objetivos para o próximo programa quadro 2030, «Uma Europa mais ecológica». A curto prazo, está prevista a criação de uma Estratégia Europeia para os Plásticos na Economia Circular e legislação específica. António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão, anunciou que «o mercado do peixe pretende, até ao final do próximo ano» erradicar o uso de sacos de plástico.