Moradores da Culatra celebram aniversário sem convidar políticos

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«Nos últimos anos foram muitas as promessas feitas por todas as forças políticas, e o povo da Culatra acreditou e criou expectativas de que a sua situação administrativa seria regularizada e resolvida, virando-se definitivamente a página da incerteza quanto ao reconhecimento devido da Aldeia da Culatra, regularização esta que se pretendia anunciar nesta data, infelizmente e pelo contrário, o que se pode constatar é que a Ilha da Culatra foi abandonada pelo poder local e pelo poder central e assim sendo, a única coisa que se pode anunciar no dia 19 de Julho de 2016, é que as infraestruturas e o espaço publico está ao abandono, a Culatra sem Estatuto jurídico/administrativo e entregue a si própria», informa Sílvia Padinha, presidente da direção da Associação de Moradores da Ilha Culatra.

Nesse sentido, «e uma vez que está em causa a vida das pessoas e correspondentes direitos fundamentais, este ano, a Associação decidiu festejar esta data única e exclusivamente com a população, não convidando para o evento qualquer Entidade Publica ou representante político, como forma de protesto, manifestando assim o descontentamento da população», sublinha a dirigente em nota de imprensa.

A associação lembra que «ao longo dos 29 anos de existência, sempre trabalhou em conjunto com as várias entidades quer a nível local, quer a nível central, sendo tradição, que nesta data comemorativa, todas as entidades partilhavam com a população os resultados do trabalho realizado, culminando com as respetivas inaugurações. Foi assim com a energia elétrica, água potável, escola, Centro Social, Rede de Passadeiras, Porto de Abrigo, Pista de Aterragem para Helicóptero de Emergência Medica e outras infraestruturas de apoio à população. Estes valores fundamentais de vida, só foram obtidos pela persistente luta reivindicativa e democrática da comunidade. Do muito trabalho realizado, a obra está à vista e a Aldeia da Culatra foi sendo progressivamente implementada com mais e melhores serviços e estruturas de apoio ao desenvolvimento social».

Em representação dos habitantes da Culatra, esta associação «esteve sempre disponível e teve a preocupação de participar ativamente em todas as decisões administrativas que, direta ou indiretamente os poderiam afetar, nomeadamente tomando posição na discussão pública do POOC e da POLIS e com base nas medidas contidas nesses planos, criou-se expetativas de que, por via das mesmas, a situação da Culatra fosse definitiva ou substancialmente regularizada. Ao invés tudo permanece na mesma e a falta de regulamento próprio está a por em causa todo o trabalho realizado».