Mais demissões nos Hospitais do Algarve. É tempo de dizer basta!

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Aqueles que consideravam que a resposta do Serviço Nacional de Saúde no Algarve não podia piorar, enganaram-se.

Depois de todas as vicissitudes que se verificaram nos cuidados de saúde dos Hospitais do Algarve, nos últimos meses, esta semana fomos confrontados com a recusa do Diretor Clínico do Centro Hospitalar do Algarve (CHUA) em permanecer no cargo e idêntica posição de uma vogal executiva do Conselho de Administração.

Também o diretor do Serviço de Ortopedia do CHUA pediu a exoneração, num dos serviços mais depauperados e onde se acumulam as listas de espera, ultrapassando em muito os prazos legais.

Junte-se a estas desistências o descontentamento de um grupo de cinco diretores de serviço dos hospitais da região, que manifestaram recentemente o seu descontentamento pela deficiente situação das unidades de saúde algarvias e que não se vão manter na atual posição, se não houver respostas concretas da tutela.

Como em novembro e dezembro de 2019 já tinham apresentado a demissão as diretoras dos serviços de Medicina Intensiva dos hospitais de Faro e Portimão, os algarvios arriscam-se a que as depauperadas unidades hospitalares da região nem sequer cumpram os chamados serviços mínimos.

O mandato do Conselho de Administração terminou em dezembro, mas até ao momento a Ministra da Saúde não indicou se vai reconduzir a equipa atual. Certo é que não contará com os profissionais que já manifestaram a sua indisponibilidade para permanecer.

O título desta crónica deveria conter a expressão algarvia «tem avonde!», a qual é usada quando já não há capacidade para suportar mais uma situação, como a que se vive no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA). Tem avonde, ou já chega!

Ao longo do debate sobre o Orçamento do Estado, questionei a Sra. Ministra da Saúde, relativamente à construção do Hospital Central do Algarve, tendo recebido sempre respostas inconclusivas, ou até um silêncio estrondoso, ofensivo para com os deputados eleitos e cuja função é defender os seus eleitores. 

Provavelmente incomodada com a reação dos deputados do PSD eleitos pelo Algarve, que têm vindo a desmascarar as falsas promessas e a demostrar – através dos números inscritos no Orçamento de Estado entretanto aprovado – que a realidade é um desinvestimento real no Centro Hospitalar Universitário do Algarve, a Ministra da Saúde procurou esconder que há menos 30,5 por cento de verba para a aquisição de medicamentos em 2020, comparativamente a 2019, entre outros números igualmente negativos.

A chuva de demissões dos  diretores clínicos justifica que a Sra. Ministra viesse a correr à região, prometer (mais uma vez!) que a obra do Hospital Central iria avançar, sem no entanto explicar como se vai construir aquela unidade de saúde, quando não há nem um cêntimo consagrado no Orçamento do Estado 2020, nem sequer no plano plurianual até 2023 e até podermos avançar mais, pois nem o Plano Nacional de Investimentos, conhecido por PNI 2030, prevê verbas para o hospital. São 10 longos anos em que a única garantia é a de promessas vazias, sem suporte orçamental.   

Pois bem, o que lhe pergunto, Senhora Ministra, e espero que responda aos Algarvios sem sofismas: como vão funcionar os hospitais do Algarve em 2020, com verbas inferiores a 2019? Como vão funcionar as especialidades com clínicos demissionários?

Como podem hospitais dignos desse nome, trabalhar sem suficientes pediatras, ou oftalmologistas, ou ginecologistas, ou ortopedistas e com os serviços de urgência a dependerem sempre de equipas e contratos externos? 

Exigem-se medidas urgentes, essenciais para inverter o estado comatoso da saúde no Algarve, com consequências cada dia mais gravosas para os doentes que necessitam de cuidados e para os utentes encalhados em listas de espera quilométricas.

Porque no Algarve o Serviço Nacional de Saúde é exatamente isto: um caos! Foi a região onde houve mais reclamações em 2017, onde as listas de espera para as consultas em vez de diminuírem, cresceram. Onde se registaram 5600 queixas em 2018, quando em 2017 as reclamações foram 2500. 

Sra. Ministra, vai continuar a ignorar o desespero dos utentes do Algarve?

Já basta! (Tem avonde!)

Rui Cristina | Deputado da Assembleia da República do PSD eleito pelo círculo de Faro