Zoomarine mostrou como se salvam os animais aquáticos da poluição em Quarteira

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Pelo terceiro ano, a Autoridade Marítima Nacional, convidou os biólogos do Porto d’Abrigo Centro de Reabilitação de Espécies Marinhas do Zoomarine, para participarem no exercício de combate à poluição do mar, na manhã de quarta-feira, dia 15 de maio.

O cenário é bastante possível, considerando a costa algarvia é cruzada por diversas rotas marítimas com elevado intensidade de tráfego.

Um navio petroleiro derramou 500 litros de crude (petróleo bruto) que provocaram ferimentos em duas tartarugas e um golfinho roaz, que acabaram por dar à costa.

Os animais, representados por bonecos de tamanho e peso quase idêntico ao real, foram avaliados e resgatados pelos especialistas do Porto d´Abrigo.

Élio Vicente, biólogo e diretor do Centro de Reabilitação, explicou ao «barlavento» todos os procedimentos feitos ao animais, desde a primeira intervenção até à estabilização clínica.

«Estamos aqui a simular o que seriam as consequências indiretas de um acidente de crude na vida marinha. Os bonecos estão cobertos com nutella e corante preto de forma ser o mais semelhante ao crude possível. Começamos por fazer o ponto de situação e concentrar todos na mesma zona. Limpamos as vias aéreas superiores e verificamos se há ferimentos. Protegemos os olhos e as feridas com produtos médico-veterinários e depois fazemos a estabilização do animal. Alguns poderão receber injeções de adrenalina ou outros medicamentos. Se não existirem urgências de maior, transportamos os animais para as caixas. O resgate termina quando chegam ao nosso Centro», na Guia, em Albufeira.

«Podem ficar alguns dias ou semanas, até se garantir o seu bem-estar e autonomia para regressarem ao meio selvagem. Se por algum motivo o animal não estiver em condições, bem, será o Estado Português a decidir o seu destino», sublinhou Élio Vicente.

Questionado sobre a importância destas simulações, o biólogo afirmou que são importantes a vários níveis.

«Primeiro do que tudo, ajuda-nos agilizar estes procedimentos. Estamos a falar de situações muito complexas que implicam muitos meios, muitas equipas e diferentes entidades. Temos de testar a capacidade de resposta. Tal como acontece com os humanos, em acidentes com animais marinhos, num minuto pode ganhar-se ou perder-se uma vida. Por isso, temos de ter a garantia que atuamos o mais rápido possível», sublinhou o biólogo, há 28 anos ao serviço do Zoomarine.

«Outra situação é o facto de estarmos a lidar com um contaminante, um crude e daí a importância de o representarmos com nutella. Como deixa marcas, ajuda-nos a perceber onde é que os nossos fatos, o animal e o areal ficam mais contaminados. Por fim, estes exercícios permitem-nos garantir que as nossas equipas ganham confiança nestas respostas. Esta é uma situação que pode acontecer e por isso quanto mais treinos e ensaios fizermos, mais mecanicamente vamos agir quando for necessário», sintetizou Élio Vicente.

Apesar de acidentes com crude, segundo o diretor do entro de Reabilitação de Espécies Marinhas do Zomarine, não acontecerem há muitos anos, «a contaminação é feita de muitas formas». Por exemplo, através da cadeia alimentar.

É neste cenário que entra a problemática dos plásticos nos oceanos, sobre a qual Élio Vicente é da opinião que «é muito grave e vai-se tornar ainda mais, antes de se conseguir encontrar uma solução. Não nos podemos esquecer que os plásticos entrar no mar há mais de 50 anos».

O biológo encara este serviço do Zoomarine, como «uma questão de princípio, uma vez que durante muitos anos fomos a única equipa do país com conhecimento técnico do ponto de vista de maneio. Quando as autoridades precisavam de apoio tinham de recorrer a quem sabia. E os únicos veterinários de mamíferos marinhos, com formação, trabalhavam connosco. Deste modo, conjugou-se o nosso princípio ético de estarmos disponíveis para ajudar, a nossa capacidade técnica única e claro, o nosso gosto pelos animais».

O Porto d´Abrigo Centro de Reabilitação nasceu em 2002 como o primeiro especializado em espécies marinhas, mas de acordo com diretor, desde a fundação do Zoomarine que os biólogos do parque ajudam animais em perigo. O espaço tem a capacidade para cerca de 20 animais, mamíferos ou répteis marinhos, sendo que neste momento apenas alberga cinco cágados. A exercer funções no espaço está uma médica veterinária, um biólogo e um biólogo marinho.

O parque aquático Zoomarine abriu portas em 1991 e desde essa data que tem procurado não só divertir todos os que por lá passam, como também ajudar animais marinhos feridos.