Livro sobre os «40 Anos do SNS» apresentado na UAlg

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Obra conta com textos de diversas personalidades.

«40 Anos do SNS» é o título do livro da autoria de Maria Elisa Domingues, que será apresentado por Adalberto Fernandes, antigo ministro da Saúde, no dia 20 de fevereiro, às 18h30, no Anfiteatro Teresa Gamito (edifício 1), no Campus de Gambelas da Universidade do Algarve.

O livro, constituído por 11 capítulos, debruça-se sobre variados temas relacionados com a história do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tais como os seus precursores, a saúde materno-infantil, cuidados de saúde primários e hospitalares, saúde mental, envelhecimento e saúde, entre outros.

Conta, ainda, com textos de diversas personalidades, nomeadamente do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, e dos bastonários das várias ordens profissionais da área da Saúde.

A autora explica que «foi num programa de informação que eu, então, coordenava e apresentava na RTP, que António Arnaut divulgou pela primeira vez, para o grande público, o seu projecto do Serviço Nacional de Saúde. Ainda jovem, e desde sempre interessada pelo que à Medicina dissesse respeito, não pude deixar de me regozijar com aquilo que me pareceu ser uma extraordinária reforma para o país. Mas lembro-me de que, na época, quer à direita, quer mesmo à esquerda, nem todos aplaudiram a ideia sem reservas»

Maria Elisa Domingues acrescenta que «quando, no ano passado, por total coincidência, fui convidada a escrever um livro a assinalar os 40 anos do SNS, a primeira coisa que fiz foi telefonar a António Arnaut e contar-lhe do projecto: até aos seus últimos dias, pude contar com o seu apoio e entusiasmo. Tudo o que pudesse, de alguma forma, servir para ajudar a manter vivo o «seu» SNS era, para ele, motivo de interesse. Talvez por isso tenha sentido tanto a falta dos seus telefonemas com ideias e sugestões. Mas não só: com a morte de António Arnaut, o país perdeu um homem bom e íntegro, como poucos».

A responsável pela obra não esquece o período antes da revolução de abril, lembrando que «antes mesmo do 25 de Abril, uma geração de servidores do Estado, de grande capacidade intelectual e espírito empreendedor, havia começado a construir os alicerces do que viria a ser o SNS: sem Arnaldo Sampaio, Gonçalves Ferreira, Baltazar Rebelo de Sousa, Albino Aroso ou Miller Guerra, teria sido mais difícil erguer o Serviço Nacional de Saúde. No balanço dos 40 anos, este livro evoca também esses precursores». No fundo, «procurei registar aquelas que foram as grandes conquistas do SNS, graças às quais passámos de um país atrasado, com maus indicadores de saúde, para um dos mais bem colocados, a nível europeu. Críticas, ouvi muitas, e não deixei de assinalar as que me pareceram mais pertinentes: tentei também que, neste livro, se ouvissem as vozes e o sentir dos trabalhadores da saúde e dos doentes».

Mas celebrar 40 anos «deste projecto audacioso é, acima de tudo, motivo de júbilo. É isso que sinto por, durante uns meses, ter acompanhado as pessoas e os lugares onde, diariamente, se constrói o SNS», conclui Maria Elisa Domingues.