Jovem farense mostra aos mais jovens que poupar é «Peanuts»

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Joana Jesus, 24 anos, mostra às novas gerações como encher o mealheiro sem grandes sacrifícios, ensina truques para gastar o menos possível em viagens, e dá ideias para personalizar objetos a custo zero com opções amigas do ambiente.

Nasceu na rede social Instagram, a 9 de abril e dá pelo nome de «@peanuts.pt», pela mão de Joana Jesus, jovem de 24 anos, natural de Faro, licenciada em Marketing pela Universidade do Algarve.

Desde os 18 anos que trabalha e cedo percebeu que poupar alguns euros, fazia toda diferença no final do mês.

«Comecei a trabalhar para sustentar a minha educação. Cheguei a ter cinco empregos ao mesmo tempo. Estava a part-time numa loja e era nadadora-salvadora nas folgas. À noite, servia pizzas e trabalhava como babysitter. Ao mesmo tempo, trabalhei num parque de festas de aniversário. Assim que comecei a trabalhar, apesar de ainda viver na casa da minha mãe, tornei-me logo muito independente e a saber gerir o meu dinheiro. Sempre dei muito valor e sempre tive cuidado onde o gastar. Depois tinha realidades muito diferentes à minha volta, amigas com outras possibilidades, e sempre valorizaram a minha maneira de ser. Não era só porque tinha necessidade de o fazer. Era também porque gostava de viver de uma maneira mais simples e de procurar as coisas mais baratas. Fui sempre vivendo assim e acabei por conseguir fazer muito mais coisas», conta ao barlavento.

Foi também nos seus primeiros trabalhos, que depressa concluiu que poupar era significado de «conseguir comprar as minhas coisas e fazer algo de que gosto muito, viajar. Já conheci 25 países. Em nove estive sozinha e estudei na Letónia quatro meses. Até a viajar, poupava já a pensar na próxima aventura e por isso pagava o menos possível em tudo», conta.

Com o decreto do estado de Emergência, a empresa de marketing olfativo, onde trabalha atualmente, colocou-a em layoff, dando-lhe o tempo necessário para criar o seu novo projeto, o «Peanuts».

«Comecei a pensar em algo que gostasse de fazer, mas que fosse muito natural e espontâneo no meu dia a dia. Pensei que o que mais se adequava a mim era a poupança, as pechinchas, a procura pelo mais barato e o personalizar a custo zero. Tenho várias amigas a perguntarem-me onde comprei tal coisa, ou como a fiz. Sempre senti que acabava por inspirar as pessoas à minha volta e a verdade é que a sociedade gosta de comprar o que já está feito e não pensa que isso acaba por sair mais caro».

Foi com essa linha de pensamento que durante todo o mês de março, Joana Jesus planeou a marca, os temas, as publicações e as cores. Foi tudo preparado ao pormenor, mas com um princípio base, «tudo a custo zero», explica.

E o que é afinal o «Peantus»? A farense responde: «uma plataforma para inspirar a poupar. Não estou a vender nada, por enquanto, mas exponho as minhas ideias, os meus truques e aquilo que encontro. Partilho o meu estilo de vida e estou a influenciar as pessoas de uma maneira positiva, a serem mais sustentáveis, a reciclarem materiais e a não serem tão consumistas».

Assim, na rede social, há cinco temáticas principais: «0utcheap Collection», que aborda as questões da moda barata; «Viagens Low Cost», onde são apresentados truques para se gastar o menos possível; «PPP» (Promoções, Produtos e Preços), que apresenta marcas mais em conta; «Cria e Decora», para mostrar que um objeto obsoleto pode ganhar uma nova vida; e «Surpresas Originais», que dá ideias de presentes divertidos, feitos à mão, mas que ficam na memória de todos.

Além disso, no último dia de cada mês, Joana Jesus lança a «Troca por Troca». É apresentada uma peça de roupa e qualquer pessoa pode sugerir outro artigo para trocar.

No «Peanuts» há publicações que provam e ensinam como é possível viajar por cinco dias, em três países diferentes, e gastar no total 180 euros. São apresentados os folhetos com as promoções mais interessantes da semana, alguns descontos relâmpagos de marcas conhecidas e até há opções para se comprarem livros a preços mais baratos. Joana Jesus dá também sugestões sustentáveis, que a própria garante praticar no seu dia a dia, como colocar um jarro na varanda, quando chove, para se poder aproveitar a água da chuva para outro fim.

Como se não bastasse, o «Peanuts» dá ainda várias ideias criativas para personalizar peças de roupa, sapatilhas, malas e até objetos de decoração.

«Este é um projeto que me deixa muito orgulhosa porque abordo um tema, que às vezes pode ser menos interessante para os jovens, de uma forma muito divertida, simples, prática e descomplicada», opina. Uma ideia que parece não ter concorrência direta, pois «há outras plataformas que também abordam temas como a poupança, mas com as crianças, ou como gastar menos em viagens em família, ou como abordar a questão dos juros. É outro público alvo que não os jovens», como o «Peanuts».

Para o futuro, a plataforma prepara-se ainda para lançar uma nova vertente, venda de roupa em segunda mão, até porque, de acordo com a algarvia, «é o que faz sentido, libertar-me de algumas coisas que tenho em casa e ao mesmo tempo alguém aproveitá-las».

E com quase dois meses de projeto, e cerca de 500 seguidores, o feedback não poderia ser mais positivo: «acho que tem estado a correr super bem e estou contente. Recebo muitas mensagens privadas a darem-me força e a agradecerem e é isso que me dá motivação, o saber que já influenciei aquela pessoa, ou que alguém vai replicar o que fiz. Afinal de contas é algo novo, está a cativar os jovens, a fazê-los pensar e é esse o meu objetivo», conclui.

Conselhos para começar a poupar

A quem estiver a iniciar no processo de poupança, Joana Jesus deixa uma série de dicas.

«Primeiro, trabalhar por objetivos bem definidos. Tive cinco empregos simultâneos porque queria estudar no estrangeiro e fazer uma viagem. E depois ser racional, antes de comprar algo, faço sempre aquelas questões básicas se realmente me faz falta ou se preciso. Além disso, se algumas amigas estão a combinar jantar fora, por exemplo, será que preciso mesmo de ir, ou posso juntar-me a elas depois? Apenas um ou dois euros fazem a diferença na poupança. Aconselho também a ter-se um mealheiro em casa e retirar algum valor estipulado do ordenado e colocar lá».

Na questão das roupas, há também conselhos: «defendo muito os mercados, feiras, e coisas em segunda mão».

Já quanto à utilização de marcas, a jovem tem também um olhar muito assertivo. «Sou apologista de passar a perna às marcas. Visto e utilizo coisas de marca, mas só quando as consigo a preços mais baratos. O meu telemóvel é de marca, mas é remanufaturado e paguei um preço muito mais barato. Sapatilhas vejo sempre em segunda-mão ou tento pedir desconto a algum amigo que trabalhe na loja e consiga. Nunca pago balúrdios por nada, prefiro esperar ou procurar outra opção. Algo também muito importante é comprar apenas o que preciso e quando preciso», explicita.

Para uma ida ao supermercado, também há motes que a jovem segue.

«Como já vivo sozinha, faço sempre uma lista e vou de duas em duas semanas. Sou aquela pessoa que pode ir a três supermercados diferentes para conseguir melhores preços. Dou-me ao trabalho de ver os preços de cada, para usufruir das promoções. Mas atenção que quando vou às compras só trago o que está na lista e o que é essencial. Não adquiro o que me apetece no momento e muito menos vou a meio da semana comprar algo que me apeteça. Isso é um crime».

Interesses incomuns

Joana Jesus trabalha numa agência de marketing olfativo e lançou há cerca de dois meses a marca «Peanuts» que consiste em inspirar os jovens a poupar.

Ao contrário da maior parte das pessoas com a sua geração, pesquisa na Internet, nas redes sociais e nos folhetos de supermercados para estar sempre atualizada sobre preços e promoções.

Um dos seus passatempos consiste em dar uma volta nos hipermercados, não com o intuito de comprar, mas apenas para «ver o que aumentou ou diminui de preço, ou qual a promoção do mês que vem», conta ao barlavento.


«Gosto muito de saber os preços do que visto, que uso ou que compro. Sei o valor médio de quase tudo e gosto de fazer análises» e comparações.

«Tudo o que tenho e tive foi graças ao meu trabalho e esforço. Já trabalhei em imensos sítios diferentes e conheço inúmeras realidades. Isso fez-me ganhar estima pelas minhas coisas e deu-me muita estaleca, o que acho que é muito importante».