INATEL debate «Turismo para Todos» em Albufeira

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Depois de Blakeenberge, na Bélgica, é a vez do Algarve receber o Fórum Europeu da Organização Internacional de Turismo Social (OITS). O «barlavento» conversou com Fernando Ribeiro Mendes, presidente do conselho de administração da Fundação INATEL, que acolhe e organiza este evento bienal, cujo programa está disponível em http://www.istoforum2015.com/

Na perspetiva do INATEL, o que significa «Turismo para todos»?
Fernando Ribeiro Mendes: Evoluiu-se da expressão «Turismo Social» para «Turismo para Todos» por diversas razões. Por um lado, porque a primeira designação remete para turismo subsidiado, o que de facto é muito redutor. «Turismo para Todos» é um turismo social, mas também que se quer responsável e sustentável, inclusivo e ecológico. É para todos, respeitando para todas as bolsas, diferenças de interesses e de apetências por experiências diversificadas.

Porquê a escolha do Algarve em outubro?
A OITS decidiu que, este ano, a organização deveria caber a Portugal e à nossa Fundação. Entre outras motivações, pretendemos conferir uma marca internacional às comemorações dos 80 anos da fundação INATEL que decorrem em 2015. Pesou ainda na decisão o facto de possuirmos um excelente equipamento hoteleiro em Albufeira, que é uma referência europeia no «Turismo para Todos». E claro, as excelentes relações com a autarquia de Albufeira, que desde logo nos apoiou cedendo gratuitamente o seu Auditório Municipal. Finalmente, assumimos que o Algarve é uma região com grandes potencialidades para o turismo fora da época alta, aliás, altura em que esta tipologia de turismo mais se realiza. Vamos receber conferencistas e operadores de Portugal, Espanha, Itália, França, Bélgica, Reino Unido, Alemanha, Hungria e Brasil. Queremos que eles sintam que em outubro é possível passar umas excelentes férias no Algarve.

Quem são os principais destinatários do evento e quais as vossas expetativas de participação?
Todos os membros da OITS, que são atualmente, 150 em 35 países da Europa, América e África. São essencialmente organizações privadas e públicas com e sem fins lucrativos que incluem organizações turísticas, proprietários de unidades hoteleiras, pousadas da juventude, agências e operadoras, sindicatos, cooperativas, ONGs, instituições educacionais e organizações oficiais de turismo. Além destes, o encontro destina-se também a operadores turísticos, autoridades locais e regionais, administrações nacionais de turismo ou estudantes de turismo, economia e gestão. Contamos ter cerca de 200 conferencistas.

O Turismo Acessível também é um tema em debate?
Sim, é uma obrigatoriedade para melhorar a oferta a este nível no contexto europeu. Dado que o mote do fórum é «inovação» será discutido num workshop como tornar as plataformas digitais de turismo mais acessíveis, numa perspetiva prática.

Que gostariam que resultasse deste fórum?
O Fórum propõe concentrar-se no tema da inovação, através de três áreas de intervenção: Responsabilidade Social Corporativa, Novas Tecnologias e Inovação em Programas e Produtos. Gostaríamos que, através da partilha de experiências, os conferencistas saíssem do Algarve com mais ferramentas para inovarem no sector. Do último evento saiu um documento que foi entregue em Bruxelas, no Parlamento Europeu, com as 10 prioridades para o Turismo Social e que ainda hoje se encontram na base de muitas discussões e projetos a nível europeu.

Vai ser apresentado algum projeto em primeira mão?
Mais que projetos em primeira mão, que também haverão, o mais importante será a troca de experiências internacionais de sucesso que os oradores trarão. Do nosso lado, iremos apresentar a nova ferramenta que temos vindo a desenvolver – o Portal PortuGo – que irá tornar acessível a toda a gente a oferta de turismo responsável e sustentável existente em Portugal.

Qual é a relação atual do INATEL com o Algarve? E relativamente ao resto do país, que papel tem esta instituição no turismo e na vida dos portugueses hoje?
A Fundação INATEL tem uma Unidade Hoteleira com 327 quartos em Albufeira desde 1960. Além desta unidade, realizamos anualmente dezenas de viagens turísticas para o Algarve com origem em todo o país. A Fundação tem também no Algarve trabalho de décadas na Cultura Imaterial e no desporto para todos, nomeadamente na organização de campeonatos desportivos.

Vão ser envolvidas as escolas de hotelaria e turismo e a universidade do Algarve?
Sim, serão convidados a participarem como as universidades e estudantes de todos o país, até porque é uma excelente oportunidade para se fazerem contactos à margem do Fórum com importantes atores internacionais de Turismo.

Quando se ouve falar de INATEL a maioria das pessoas pensam na terceira idade. Os jovens acabam por beneficiar do que esta instituição tem para oferecer?
O público sénior tem efetivamente uma grande confiança na Fundação INATEL, o que para nós, é motivo de grande orgulho. Contudo, os jovens beneficiam de programas que lhes são mais dirigidos, por exemplo na área do Turismo de Natureza, Turismo e Voluntariado ou Escapadinhas.
A Fundação INATEL tem cerca de 200 mil associados e três áreas de ação: Turismo, Desporto e Cultura, para todas as idades.

Os 12 mandamentos do Turismo com ética

Segundo Fernando Ribeiro Mendes, presidente do conselho de administração da Fundação INATEL, a ideia de ética para o Turismo tem por base a Declaração de Montreal e o Código Global de Ética para o Turismo, da Organização Mundial do Turismo. Estes valores resumem-se basicamente em 12 pontos:

• Respeito pela diversidade das crenças religiosas, filosóficas e morais dos turistas e da comunidade onde estamos inseridos;
• Respeito pelas leis, usos, costumes e tradições da região onde estamos inseridos;
• Respeito pelos turistas que nos visitam, os seus modos de vida, gostos e expectativas;
• Respeito pela igualdade entre homens e mulheres e promoção da inclusão e os direitos dos grupos mais vulneráveis, nomeadamente crianças, idosos, deficientes e minorias étnicas;
• Rejeição de qualquer forma de exploração do ser humano;
• Salvaguarda do ambiente e os recursos naturais, defendendo, nomeadamente, a preservação da água e da energia;
• Respeito pelo património natural constituído pelos ecossistemas e a biodiversidade, preservamos a fauna e flora locais;
• Respeito pelo património artístico, arqueológico, cultural e religioso;
• Incentivo às produções culturais e artesanais tradicionais, e sem a padronização e o empobrecimento cultural;
• Primazia à criação de emprego direto ou indireto local e regional, em caso de iguais habilitações e prioridade à mão de obra local;
• Assegurar a transparência nas relações comerciais com fornecedores e turistas;
• Assegurar os direitos fundamentais dos trabalhadores, nomeadamente o direito a um salário digno, a uma formação ajustada, inicial e contínua; a uma proteção social adequada e a uma precaridade limitada ao máximo possível.