Frota algarvia quer singrar no Campeonato Mundial de Vela 420

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Três tripulações algarvias, todas campeãs nacionais no seu escalão vão competir entre os 24 países e 462 atletas. Os treinos conjuntos começaram em outubro de 2018.

Paulo Baptista e Luís Niza são já nomes conhecidos no mundo da vela. Começaram a modalidade com seis anos, alcançaram a medalha de bronze no Europeu de Juniores, na Croácia, mas em 2008 largaram a modalidade. 11 anos depois, resolveram voltar a competir em casa.

Ganharam o Campeonato Nacional e preparam-se agora para o Campeonato Mundial, no escalão 420, que se realiza em Vilamoura entre os dias 3 e 11 de julho.

«Em outubro comprámos material novo e começámos a preparar-nos para esta prova. Há alguns anos que não competimos e não conhecemos a frota. Já fizemos alguns treinos aqui e conseguimos bons lugares. À nossa frente ficou o atual campeão mundial neozelandês e os espanhóis que, são uma das frotas mais fortes. Não baixamos os braços. Numa competição como esta está tudo em aberto», começa por explicar ao «barlavento», Paulo Baptista, de 32 anos e atual diretor desportivo do Clube Náutico de Tavira.

Apesar do escalão em que se inserem ser maioritariamente composto por velejadores com idades mais baixas, a partir dos 15 anos, o atleta afirma que essa pode ser uma mais-valia.

«Há sempre vantagens. Quando se é jovem cometem-se bastantes falhas. Dentro de água isso é comum. Nós cometemos erros, mas menos erros básicos que jovens de 16 anos. Temos muito mais experiência, já fizemos mais regatas e já nos conhecemos há muito tempo», explica Paulo Baptista ao «barlavento».

Luís Niza e Paulo Baptista.

Mesmo com os anos de experiência, Paulo revela que ambos se encontram nervosos. «Acontece-nos sempre».

Ao contrário da equipa feminina algarvia, bicampeã nacional de 420, Beatriz Gago e Marta Fortunato, de 15 e 17 anos respetivamente.

Ao «barlavento» manifestaram-se tranquilas.

No fundo, «queremos apenas pôr em prática o que treinámos o ano inteiro. Não temos um objetivo definido, só queremos dar o nosso melhor e esperar que seja suficiente para um bom lugar» revela Beatriz Gago.

Mesmo não criando muitas expetativas, a verdade é que as algarvias, na Regata de Carnaval, que se disputou em Vilamoura, conquistaram o segundo lugar, ficando à frente de várias frotas espanholas, incluindo das vice-campeãs do mundo.

Segundo Beatriz Gato «aumentou-nos a confiança». Outro aspeto positivo, para as velejadoras, que competem juntas desde 2017, é o facto de jogarem em casa.

«Vilamoura tem condições muito específicas e quando fizemos treinos com a equipa alemã, há uns dias atrás, reparámos que elas tinham mais dificuldades em velejar aqui do que nos. Não estão habituadas a esta ondulação e nós estamos mais à vontade», revela Marta Fortunato.

A estas duas tripulações juntam-se Manuel Fortunato e Frederico Baptista, atuais campeões nacionais juniores.

Os seis decidiram treinar em conjunto.

«Aqui no Algarve somos apenas três tripulações e optámos por nos juntar aqui em Vilamoura para nos ajudarmos uns aos outros. Fizemos a preparação toda juntos. Treinar com outro barco faz com que os dois cresçam muito, desta maneira conseguimos partilhar técnicas, logo é positivo para todos» conta Paulo Baptista.

É também com esta perspetiva que Marta Fortunato refere que «tivemos sorte por esta competição se estar a realizar ao lado de casa. Era um desperdício não aproveitarmos esta oportunidade. Depois em provas internacionais não olhamos para outros portugueses como uma concorrência, somos todos uma equipa».

A sua parceira Beatriz Gago conclui: «não vamos estar a estragar propositadamente uma regata a outras portuguesas. Representam o nosso país tal e qual como nós».

Esta é a terceira vez que o Campeonato do Mundo de Vela, de escalão 420, onde todos os barcos têm dois tripulantes e possuem três velas, decorre em Portugal.

Segundo José Massapina, vice-presidente da classe internacional, as três tripulações «têm fortes possibilidades de atingirem o pódio».

Já em relação aos outros portugueses, o vice-presidente é também otimista. «Toda a equipa portuguesa é boa e esperamos bons resultados».

Para Massapina a competição tem tudo para ser «um sucesso», sendo que é de grande importância para a região.

«Este Campeonato do Mundo vai, em primeiro lugar, mostrar aos velejadores que Vilamoura é um local privilegiado para navegar, e, em segundo, leva o Algarve e o país além fronteiras e isso é muito importante».

As primeiras regatas realizam-se no sábado, dia 6 de julho, sendo que estão previstas duas provas diárias, divididas em dois campos e três escalões: Feminino, onde compete Beatriz e Marta, Open, em que se encontram as outras duas tripulações algarvias e o Under 17, para jovens com menos de 17 anos. A entrega de prémios será na quinta-feira, dia 11 de julho.

Nuno Reis.

Competição distinguida como evento ecológico

O Campeonato Mundial de Vela, de escalão 420, que se realiza entre os dias 3 e 11 de julho em Vilamoura, junta 462 atletas, 24 países, 72 treinadores e cerca de 700 familiares. Números avançados por Nuno Reis, o diretor da competição.

No uso da palavra, um dos pontos realçados pelo responsável, foi o galardão de eco-evento que a prova recebeu por parte da Algar.

Segundo Nuno Reis, a competição distingue-se a nível ecológico de todas as outras. «O que fizemos foi algo inovador. Todos os prémios, e ainda são bastantes, são feitos de cortiça. Um campeonato como este gastaria, no mínimo, 30 mil garrafas de água. Quisemos eliminá-las e por isso distribuímos, gratuitamente, cantis a todos os atletas, sendo que há vários pontos de enchimento de água disponíveis. Além disso, entregámos a todos os treinadores sacos reutilizáveis para recolha de lixo dentro das embarcações. Os sacos são feitos de lonas, outdoors e mupis utilizados em Vilamoura».

Por fim, toda a quantidade de resíduos recolhida, ao longo de toda a competição, será pesada e mensurada.

A quantia resultante será entregue à Instituição Centro de Apoio à Criança de Quarteira.

Nuno Reis deixou ainda a mensagem de que o evento foi «muito difícil de montar, com uma logística enormérrima». Em termos de números são 76 pessoas na equipa da organização da Vilamoura Sailing, 58 pessoas na equipa de mar, juízes internacionais de sete países distintos, com um investimento perto dos 800 mil euros.

Mundial com impacto económico na região

O início de julho fica marcado em Vilamoura com o Campeonato do Mundo de Vela 420. Entre os dias 3 e 11, juntam-se no Algarve mais de 400 velejadores de 24 países.

Segundo José Massapina, vice-presidente da classe internacional, a preparação de cada atleta é variada.

Há quem esteja em Vilamoura a treinar há semanas, como é o caso das tripulações algarvias, mas também há quem tenha aterrado em Portugal há pouco tempo.

Feitas as contas, o impacto económico na região será de dois milhões e meio de euros, traduzidos em 10 425 dormidas e 41 700 refeições.

Os números são avançados por parte da organização do evento, o Centro de Estágios Vilamoura Sailing.

Para Massapina, «é importante para nós termos em casa este campeonato. As condições de Vilamoura são únicas por diversos motivos: pode-se velejar o ano inteiro, o custo de vida, a hotelaria e as facilidades que foram dadas aos atletas fazem com que este destino seja bastante atrativo e tenha este êxito. Estamos a falar de uma competição que tem impacto na economia local e nacional e faz com que o Algarve também cresça e seja conhecido além fronteiras».