Enfermeiros do Algarve sentem-se «traídos» pelo CHUA e ARS

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«Pior que o medo que possamos sentir deste vírus, só mesmo o sentimento de termos sido traídos pelos burocratas do sistema» diz a direção regional de Faro do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

«Os enfermeiros estão na linha da frente no combate à pandemia, muitas vezes sem os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) em quantidade e qualidade que deveriam estar garantidos, com imposição do aumento dos horários de trabalho e sem os períodos de descanso que também lhes deveria ser garantido, preocupados com as suas famílias, com medo de serem fonte de contágio e de se infetarem», disse hoje a direção Regional de Faro do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), a propósito do Dia Mundial da Saúde.

«Têm medo mas estão lá, no combate. Não precisaram de um papel escrito, nem tão pouco de assinar atas! Estão lá porque têm um código deontológico, porque são resilientes, porque sabem que os doentes e as suas famílias precisam deles», diz aquela entidade em comunicado assinado pelo dirigente Nuno Manjua.

«Mas também sabem que as administrações que agora lhes impõem horários de 12 horas, que não lhes dá os devidos descansos, que exige, exige, exige, são as mesmas que assinaram atas e comprometeram-se a contar-lhes todo o tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira mas…. desses compromissos escritos fizeram tábua rasa».

«São enfermeiros trabalhadores que disponibilizam os seus conhecimentos, o seu esforço físico e mental, a sua saúde, a sua responsabilidade para estarem onde têm que estar. Neste Dia Mundial da Saúde, em que os enfermeiros algarvios estão a lutar na linha da frente no combate ao maior desafio que instituições, e eles próprios, já alguma vez tiveram, importa sublinhar que eles, os enfermeiros, não recuaram, não ficaram à espera de orientações superiores», lê-se ainda no comunicado.

«É esta fibra que, no dia a dia, os enfermeiros demonstram ter que, afinal, falta aos administradores do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) e da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve».

A Organização Mundial de Saúde (OMS) designou o ano de 2020 como o ano dos enfermeiros.

«O reconhecimento não é só internacional, é também nacional, local, nos nossos bairros, quando toda a comunidade aplaude os seus heróis. Percorremos apenas quatro meses do ano de 2020. Aos administradores do CHUA e da ARS do Algarve o que exigimos, o que os enfermeiros exigem é a tradução desse reconhecimento. Cumpram os vossos compromissos porque pior que o medo que possamos sentir deste vírus, só mesmo o sentimento de termos sido traídos pelos burocratas do sistema».

Em causa está o «acordo histórico» que o SEP assinou com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve no dia 23 de setembro de 2019 e que levou os enfermeiros a desconvocarem uma greve.

Desde janeiro de 2018 que estes profissionais aguardam o descongelamento das progressões das carreiras, que na altura, em plena campanha pré-eleitoral, foi acordado por ambas as partes.

Ouvido pelo barlavento, Nuno Manjua não poupa críticas. «Lamentamos que as administrações, nas suas decisões, não tratem os enfermeiros com a mesma seriedade e coragem, com que os enfermeiros respondem sempre que são chamados a intervir, seja ou não num período de pandemia», disse.