Empresário farense Miguel Gião junta Adão a EVA com pokés

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Adão, espaço emblemático de Faro, renasce no EVA Senses Hotel com um conceito inovador. Comida saudável de fusão, inspirada nos sabores havaianos e da Ria Formosa.

«O principal objetivo de trazer de volta o Adão à cidade, é oferecer aos farenses um novo conceito e dar vida à marina de recreio», explica ao barlavento Miguel Gião, diretor executivo do grupo EQEPEC, que explora o emblemático bar Columbus e a recém-inagurada marisqueira LODO.

«Já trabalhávamos com o Eva Senses, com o rooftop e a piscina, mas esse é um projeto sazonal de verão. A ideia era mantermos a ligação ao hotel durante todo o ano, abri-lo à cidade e estar mais perto dos residentes. Queríamos criar algo muito local, saudável e instagramável, que é o que as pessoas querem. Em hotelaria, sou fanático por novas tendências. Em Lisboa abriram, no último ano, dois espaços de pokés. Nós já tínhamos a noção do que queríamos, só faltava mesmo definir a ideia. Escolhemos os pokés porque não existia ainda nenhum espaço dedicado a esta cozinha no Algarve. Há apenas sítios que fazem apontamentos. Estou super apaixonado pelo conceito», revela Gião.

E o que são pokés? O empreendedor esclarece.

«Uma espécie de sushi desconstruído e mais saudável, que é confecionado na parte baixa do Oriente. Quando os pescadores vinham do mar com o peixe, marinavam-no com um molho à base de soja, vinagre e sésamo, para o preservar. Depois era servido com frutas e algas marinhas. Nasceram assim os pokés, um conceito muito saudável e leve».

O espaço, que estava já a ser planeado desde 2019, abriu as portas ao público no dia 15 de junho. Conta com 20 lugares de esplanada e 18 no seu interior, sendo que o peixe é o ingrediente principal.

«É tudo local e comprado todos os dias. O segredo é o próprio produto e não vale a pena inventar», garante.

No menu há opções para todas as horas do dia e para todos os gostos, até para vegetarianos. Para petiscar, ou de entrada, há sopa fria de pepino com coentro, ostras, tiras de legumes com húmus e carpaccio muxama. Há quatro pratos de ceviche (corvina, gamba, salmão e ostras) e três opções de carne em formato de tacos (magret de pato, maminha e barbecue ribs).

Quanto aos pokés, custam entre os 11 e os 15 euros e há sete variedades: gamba, lingueirão, muxama, vegetariano, salmão, atum e o Adão.

Este último além de ser o favorito de Gião é também o best seller da casa.

«Porque tem uma mistura de vários pokés [atum, salmão e gamba] e é um pouco picante [jalapeños e cebola roxa]», justifica.

Qualquer uma destas opções pode ser acompanhada por sumos naturais, ou até detox. Já para terminar a refeição, há sobremesas variadas, como pavlovla de frutos vermelhos ou tropicais. No entanto, para os mais gulosos, a escolha mais segura será a banoffe pie, que junta banana, toffe e nata batida. Todas os pratos estão à responsabilidade das chefs de cozinha Inês Pirinhas e Joana Pires, que na opinião do responsável, «são excelentes» e revêm-se neste estilo.

«Há muitos anos existia aqui um café, onde há agora o ginásio, que se chamava Adão. O meu pai levava-me com ele para comermos os bolos fantásticos que tinham. Eram conhecidos pela pastelaria. Essa foi a primeira razão. Depois porque o Adão junta-se à EVA [nome do hotel] e juntos representam a humanidade. Por fim, porque o meu filho se chama Adam, então achei que tinha tudo a ver connosco», conta.

Questionado sobre o risco de inaugurar um novo negócio em plena pandemia, Gião afirma que o truque é a adaptação.

«Temos de nos reinventar. Já estávamos em fase de produção e quando começámos as obras no início do ano, não sabíamos que isto ia acontecer. Nos outros espaços que temos, como por exemplo a Ostraria Lodo, adaptámos o menu para acrescentar valor ao cliente, para estarmos em maior sintonia com esta fase da economia. No Adão, escolhemos mesas redondas na esplanada de propósito, para evitar grandes ajuntamentos. Temos de nos adaptar à realidade», sublinha.

De qualquer forma, o empreendedor considera que está preparado para os cenários que possam vir a marcar o verão algarvio de 2020. «Estamos a contar que este ano sejam três épocas baixas seguidas. A nossa faturação de junho foi igual à de janeiro. Estou a fragmentar os negócios para um cenário menos positivo. Esperamos que os próximos três meses tragam algum oxigénio» à região.

Facto é que com menos de um mês de abertura, no Adão há clientes portugueses a encherem a casa todas as noites.

«Há mais pessoas ao jantar que ao almoço, porém temos sempre a casa cheia à noite. Turistas não há, são só residentes. A verdade é que temos conseguido alcançar o nosso objetivo principal, abrir à cidade», diz Gião, com satisfação.

Para o futuro a longo prazo, a vontade é só uma ampliar a esplanada para mais perto da Ria Formosa e da marina.

Como para o empresário «é uma coisa de cada vez», as primeiras novidades chegam já na sexta-feira, dia 10 de julho.

«O cartaz ainda não está fechado, mas vamos ter noites temáticas no lobby do hotel. Na sexta-feira, a partir das 18h teremos um momento ligado aos anos 1960/70 com disco. No sábado será jazz e no domingo vamos ter um DJ convidado», conclui. O Adão está aberto de segunda a domingo, do 12h00 às 23h00. As reservas podem ser feitas através de contacto telefónico (916 732 015).