CHUA sem medicamentos para doenças crónicas e raras

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Cristóvão Norte pede ao governo que e tome medidas para «estancar a hemorragia na região».

Ao longo dos últimos meses, tem-se registado um incomum aumento de queixas por parte de doentes e seus familiares a respeito da falta de medicamentos no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA).

O problema é denunciado por Cristóvão Norte, deputado algarvio do PSD, em nota pública, avançada na terça-feira, 11 de junho, à comunicação social.

De acordo com o parlamentar, «muito desses casos, inclusivamente já denunciados em mais do que uma ocasião pelos deputados do PSD na Assembleia da República, continuam a manifestar-se, alguns deles até com maior gravidade».

Tal situação «conduz a que os doentes, em desespero, se desloquem ás farmácias dos hospitais para recolher a medicação que lhes foi prescrita – muitos casos de doenças raras e crónicas –essencial para preservar a sua qualidade de vida, mas que por força de sucessivos adiamentos, veem a sua situação clínica perigar, deteriorar-se, causando sempre muita angústia em pessoas que estão em situação de fragilidade».

A título meramente exemplificativo, segundo Cristóvão Norte, tem sido adiado sine die a entrega de Privigen ou Octagam, terapêutico para casos de:

Sindromes de imunodeficiência primária (agamaglobulinémia e hipogamaglobulinémia congénita, imunodeficiência comum variável, imunodeficiência combinada grave, síndrome de Wiskott Aldrich);

Hipogamaglobulinemia em doentes após transplante alogénico de células estaminais hematopoiéticas (TCEH);

Hipogamaglobulinemia e infeções bacterianas recorrentes em doentes com leucemia linfocítica crónica nos quais a antibioterapia profilática tenha falhado;

Hipogamaglobulinemia e infeções bacterianas recorrentes em doentes com mieloma múltiplo em fase estacionária que não tenham respondido a imunização pneumocócica;

SIDA congénita com infeções bacterianas recorrentes.

Como terapêutica de imunomodulação para:

Trombocitopenia imunitária primária (PTI), em doentes com risco elevado de hemorragia ou antes de uma cirurgia para correção da contagem de plaquetas;

Polineuropatia desmielinizante inflamatória crónica (PDIC);

Doença de Kawasaki;

Síndrome de Guillain-Barré.

«Este é apenas um exemplo. É muito importante que o acesso à saúde destes cidadãos não fique em causa, pois muitos deles encontram-se com graus de incapacidade elevados, reconhecidos pelo Estado em juntas médicas e a necessidade de a medicação ser aplicada em tempo é vital para a sua saúde», considera ainda o deputado do PSD em nota pública.

Importa, pois, «que o governo dote o CHUA dos instrumentos financeiros e de gestão para que estas falhas progressivamente mais recorrentes sejam resolvidas e tome medidas para estancar a hemorragia na região».