Cavalos-marinhos vão ter dois santuários na Ria Formosa

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Com o objetivo de se discutir a criação de áreas de refúgio para cavalos-marinhos na Ria Formosa, decorreu na terça-feira, dia 30 de abril, no auditório do Parque Natural da Ria Formosa, uma sessão de trabalho na qual estiveram presentes pescadores, empresas de turismo da natureza, e a produtora «Chimera Visuals», que está a realizar um documentário sobre estas espécies ameaçadas (Hippocampus gutulatus e Hippocampus hippocampus).

No final do encontro, ficou decidida a criação das duas áreas de refúgio previamente identificadas, uma delas com ajustamentos ainda a definir, e que ficarão interditas a qualquer atividade humana, exceto para fins de fiscalização e investigação, com vista à proteção das populações de cavalos-marinhos e do seu habitat.

«Na prática, significa que as duas áreas marinhas de proteção total, ou santuários marinhos, irão mesmo avançar. Resta agora aguardar pelas negociações que irão determinar a fração da área B que irá realmente ser protegida. Na área B, uma vez que se situa numa zona de maior atividade turística e de pesca, é necessário determinar uma zona que será melhor tanto para os cavalos-marinhos como para a comunidade», explicou ao «barlavento», João Rodrigues, 29 anos, licenciado em Biologia, mestre em Biodiversidade e Conservação Marinha e mentor da «Chimera Visuals».

A empresa está neste momento a finalizar a produção do documentário «Cavalos de Guerra», que conta com o apoio do município de Olhão e algumas entidades privadas da região, e que deverá ser apresentado ainda este ano em vários festivais de cinema documental, «para tentar levar a mensagem o mais longe possível».

Para realizar este filme, João Rodrigues tem contactado com várias entidades públicas com responsabilidade de gestão da Ria Formosa, o que lhe tem permitido também fazer uma auscultação e ao mesmo tempo, sensibilizar para o problema dos cavalos-marinhos. O projeto inclui também a publicação de um livro.

«Enquanto biólogo e conservacionista, a minha missão tem passado por informar as pessoas sobre a problemática que este ecossistema enfrenta e mostrar que a solução passa imperativamente pela união de todos aqueles que dependem da Ria», explica. «Todos têm dado o seu testemunho e contributo para a necessária mudança, para a salvaguarda de espécies como o cavalo-marinho e claro, toda a maravilha natural que ele representa», acrescenta.

Um estudo efetuado em 2001 revelou que a Ria Formosa era a zona de maior densidade de cavalos-marinhos de todo o mundo. Os estudos atuais revelam um decréscimo de 90 por cento na última década, o que torna as populações de cavalos-marinhos particularmente vulneráveis a fatores de pressão, podendo inclusive levar à sua extinção local. As ameaças estão identificadas e são variadas, desde a apanha ilegal com vista à exportação para o mercado asiático, à pesca acidental e até questões de ordem ambiental que interferem com a qualidade do habitat.

Na reunião, estiveram também presentes representantes do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), Câmara Municipal de Olhão, Autoridade Marítima Nacional, Unidade de Controle Costeiro e Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da Guarda Nacional Republicana (GNR), Fundação Oceano Azul, e investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve, responsáveis pelo parecer técnico base para a discussão do objetivo.