Castro Marim lamenta posição de Idanha-a-Nova que «raia a xenofobia»

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Câmara Municipal de Castro Marim veio hoje, segunda-feira, dia 4 de maio, lamentar a tomada de posição da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, que «transformou uma situação de carácter humanitário num jogo de culpas entre municípios».

A autarquia de Castro Marim diz que apelou à Embaixada da Roménia em Portugal a resolução da situação do grupo de trabalhadores, tendo dirigido o mesmo apelo a outras entidades governamentais, «mas das quais, até hoje, não obteve resposta».

Assim, segundo a edilidade algarvia, a Embaixada da Roménia encetou todos os esforços para acolher, com o mínimo de dignidade humana, os 15 cidadãos, garantindo um alojamento que seria, à partida, no município de Castelo Branco, situação que se alterou já durante o translado efetuado pelo Município de Castro Marim. Importa sublinhar que só nesta condição saíram de Castro Marim.

«A bem da verdade, importa esclarecer que a autarquia castromarinense só teve em mente uma resposta humanitária, quer no acolhimento, quer na resolução desta situação, e rejeita as acusações de falta de respeito institucional e desconsideração pela saúde da comunidade idanhense».

«Lembramos que esta mesma autarquia foi surpreendida com a chegada do grupo à vila, tendo sido informada por órgãos de comunicação social. Numa situação deste cariz haverá valores maiores que se levantam e compete às autarquias esclarecer e acalmar as suas populações», diz em comunicado a autarquia de Castro Marim.

«A bem da verdade, importa esclarecer que as autoridades competentes foram informadas do translado, com nota da Embaixada da Roménia em Portugal. Importa esclarecer as regras de isolamento social não ficaram comprometidas em momento nenhum, tendo os cidadãos já sido testados à COVID-19, todos negativos, em Elvas, na sua primeira tentativa de passar a fronteira».

«Também importa referir que os cidadãos romenos são seres humanos, são cidadãos europeus e não estavam ilegais em Portugal», sublinha a Câmara Municipal de Castro Marim.

«Acreditamos que quer o Município de Elvas, quer o Município de Castro Marim, quer o Município de Idanha-a-Nova, fizeram o melhor que puderam, quer em prol das suas populações, quer em prol do grupo de cidadãos romenos, mas rejeitamos tomadas de posição acusatórias e inadequadas ao contexto, que raiaram a xenofobia», reforça a edilidade.

Assim, «quer esta autarquia reiterar o agradecimento e reconhecimento do esforço e empenho de todos os envolvidos na resolução da situação – a GNR de Castro Marim, a santa Casa da Misericórdia de Castro Marim, o delegado de saúde local e os colaboradores do município, que fora do âmbito das suas funções, garantiram o bem-estar dos 15 trabalhadores e a melhor resolução do problema».

Este, «que foi um caso lamentável, devia ser o mote para reflexões diplomáticas Portugal-Espanha, uma vez que já há notícia de que enquanto o espaço aéreo em Portugal está aberto, as fronteiras em Espanha poderão estar fechadas até outubro. Este é um assunto que deve ter solução desde que haja vontade e esforço político nesse sentido», conclui o comunicado.