Bancos Alimentares Contra a Fome angariam 2125 toneladas de alimentos

  • Print Icon

Esforço e trabalho dos voluntários foi determinante para a campanha do último fim de semana, que envolveu mais de 40 mil pessoas a trabalhar para os Bancos Alimentares Contra a Fome de o país.

Os Bancos Alimentares Contra a Fome recolheram este fim de semana mais de 2.100 toneladas de géneros alimentares, na campanha realizada em 2000 superfícies comerciais de 21 regiões do país.

Prosseguem ainda ao longo da próxima semana, até 8 de dezembro, a campanha «Ajuda Vale», nos supermercados, e a campanha online.

Assim, 40 mil voluntários dos 21 Bancos Alimentares (Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel, Terceira, Viana do Castelo e Viseu) convidaram, durante o último fim de semana, os portugueses a partilhar os bens alimentares que compram para as suas casas.

Os portugueses aceitaram uma vez mais o convite dos Bancos Alimentares e aderiram a uma rede social real, partilhando alimentos com pessoas carenciadas da sua região. A confiança reiterada nos Bancos Alimentares ficou patente na generosidade das contribuições.

«Não podemos deixar de sublinhar o papel dos voluntários, pessoas de todas as idades, com convicções políticas e religiosas diversas que, participando, lado a lado, contribuem de forma fraterna e solidária para uma sociedade mais justa e coesa», refere hoje a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet.

«Temos de agradecer aos milhares de doadores, aos voluntários, às empresas e entidades que apoiaram esta campanha, dando assim o seu grande contributo para que os Bancos Alimentares possam continuar a acudir a muitas pessoas necessitadas».

Os géneros alimentares recolhidos serão distribuídos, a partir da próxima semana, a 2400 Instituições de Solidariedade Social, que os entregam a cerca de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas.

Isabel Jonet destaca ainda que é «muito importante e gratificante para todos os voluntários e para o Banco Alimentar poder contar com o apoio do Presidente da República, que dá assim destaque a esta rede social de carne e osso».

Até 8 de Dezembro, será ainda possível contribuir para a campanha através da «Ajuda Vale», vales que estarão disponíveis nas caixas dos supermercados ou das gasolineiras da BP, cada um dos quais inclui um código de barras para um de cinco produtos básicos (leite, azeite, arroz, atum e salsichas).

O Banco Alimentar disponibiliza ainda o site de doação online, dando assim a oportunidade de partilhar a todos os que não tiveram oportunidade de se deslocar aos pontos de recolha durante o fim de semana, aos que se encontram ou residem fora de Portugal.

Dois milhões de portugueses em risco de pobreza

Segundo os últimos dados divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mais de 2,2 milhões de pessoas estão em risco de pobreza em Portugal ou exclusão social (21,6 por cento da população). Se fossem considerados apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 43,4 por cento da população em Portugal estaria em risco. A rede de instituições de solidariedade desempenha, portanto, um papel ímpar e insubstituível na ajuda aos mais necessitados e o apoio alimentar é determinante nesta ajuda.

Estas campanhas dos Bancos Alimentares alertam ainda a sociedade, como um todo, para uma realidade que não pode deixar ninguém indiferente, sendo «muito importante não nos esquecermos que, no dia a dia, ainda há pessoas que precisam de ajuda para comer, principalmente numa altura como o Natal, onde ter a família reunida à volta de uma mesa é um desejo que podemos, cada um de nós, ajudar a concretizar», refere o Banco Alimentar.

Recolha nacional, ajuda local

Os 21 Bancos Alimentares Contra a Fome distribuem, ao longo de todo o ano, alimentos através de Instituições de Solidariedade Social por si selecionadas e acompanhadas em permanência por voluntários.

Estas asseguram um acompanhamento muito próximo e individualizado de cada pessoa ou família necessitada, de forma a ser possível efetuar, em simultâneo, um real trabalho de inclusão social, que conduza a autonomias.

De acordo com os dados da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, no ano passado, os 21 Bancos Alimentares em atividade em Portugal distribuíram 24262 toneladas de alimentos (com o valor estimado de 34 milhões de euros), num movimento médio de 97 toneladas por dia útil.

Prestando assistência a 2400 instituições, os alimentos foram entregues a perto de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas.

A atividade dos Bancos Alimentares norteia-se pelo princípio genérico da «recolha local, ajuda local», aproximando os dadores dos beneficiários, permitindo uma proximidade entre quem dá e quem recebe.

Possibilita o encontro entre voluntários e instituições beneficiárias, por um lado, e entre fornecedores da indústria agroalimentar, empresas de serviços, poderes públicos e o público em geral, em especial durante os fins de semana das campanhas de recolha, em que todos trabalham lado a lado por uma causa comum: a luta contra as carências alimentares e a fome.

O Banco Alimentar Contra a Fome foi criado em Portugal em 1991 com a missão de lutar contra o desperdício e distribuir apoio alimentar a quem mais precisa, em parceria com instituições de solidariedade e com base no trabalho voluntário. Existem atualmente 21 Bancos Alimentares.

A atividade dos Bancos Alimentares Contra a Fome prolonga-se ao longo de todo o ano. Para além das campanhas de recolha em supermercados, organizadas duas vezes por ano, os Bancos Alimentares Contra a Fome recebem, diariamente, excedentes alimentares doados pela indústria agro-alimentar, pelos agricultores, pelas cadeias de distribuição e pelos operadores dos mercados abastecedores.

São assim recuperados produtos alimentares que, de outro modo, teriam como destino provável a destruição. Estes excedentes são recolhidos localmente e a nível nacional no estrito respeito pelas normas de higiene e de segurança alimentar. Deste modo, para além de combaterem de forma eficaz as carências alimentares, os Bancos Alimentares Contra a Fome lutam contra uma lógica de desperdício e de consumismo, apanágio das sociedades atuais.