Algarve Race Resort será hospital de retaguarda caso necessário

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Turismo do Algarve está a reunir informação sobre que as empresas solidárias que oferecem alojamento temporário aos profissionais de saúde e outras que possam ser ativadas caso a pandemia de COVID-19 se agrave.

Além das várias unidades hoteleiras que estão a oferecer alojamento aos profissionais de saúde que dela necessitem durante a atual crise pandémica, a Região de Turismo do Algarve (RTA) está também «a contactar hotéis, numa perspetiva hipotética e futura, de podermos vir a ter hospitais de retaguarda para familiares e turistas infetados», segundo revelou ao barlavento João Fernandes, presidente daquela entidade e da Associação Turismo do Algarve (ATA).

A ideia é podermos concentrar essa necessidade em alojamentos qualificados, hotéis com boas condições, para em conjunto com o Algarve Biomedical Center (ABC) podermos fazer uma vigilância ativa e bem articulada» com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve. Um exemplo desta retaguarda poderá ser o Algarve Race Resort, junto ao Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão.

«Claro, isto apenas será necessário se houver um agravamento significativo das condições de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Numa situação em que o SNS tenha dificuldade em atender às pessoas infetadas, optará, como já opta hoje, por encaminhá-las para o seu local de acomodação. No caso dos residentes será em casa. No caso dos turistas, serão os hotéis», acrescenta.

No entanto, esta é uma das possibilidades que está em cima da mesa, para que, se um dia tal medida for mesmo necessária, turistas infetados «possam vir a ter uma resposta com vigilância ativa, com vários telefonemas por dia, com um acompanhamento da evolução dos sintomas, e o eventual reencaminhamento para os hospitais, em caso de urgência».

João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve

Para João Fernandes «uma nota positiva nesta situação, que é completamente demonstrada nos relatos que vamos recebendo, é o facto de se perceber muito bem, que apesar das difíceis circunstâncias que vivemos, a experiência e a boa-temperança de um destino, dos seus empresários e trabalhadores faz muita diferença», nota.

«Há destinos nossos concorrentes que durante esta catástrofe estão a pôr os hóspedes na rua. Uma atitude diferente daquela que é a nossa. Nós, tal como já tinha acontecido durante a falência da Thomas Cook, estamos, uma vez mais, a mostrar que somos talhados para acolher», sublinha.

João Fernandes destaca que apesar do momento difícil que muitas empresas do sector atravessam, não tem faltado solidariedade.

«Sim, um pouco por todo o Algarve. Temos vindo a receber contactos de várias empresas, desde grandes hotéis aos pequenos hósteis. Contactam a RTA para informar a sua disponibilidade e indicam qual a capacidade de alojamento e os serviços e condições que disponibilizam de forma voluntária. É um gesto muito importante».

Ao nível institucional, «a Câmara Municipal de Faro está a coordenar esta oferta para os profissionais de saúde do Hospital de Faro, em conjunto com a administração daquela unidade».

Em Portimão, «a autarquia investiu no alojamento existente no próprio Hospital do Barlavento e já tem dois hotéis na cidade, o Júpiter e o Oriental disponíveis», para acolher profissionais de saúde.

«Mas temos outros exemplos desta solidariedade empresarial. Por exemplo, a Visacar está a disponibilizar viaturas à Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve para suprir necessidades na deslocação para prestação de cuidados de saúde».

Também «o Hotel Quinta do Lago está a disponibilizar toalhas para os centros dedicados ao atendimento a suspeitos. O Hotel Afonso III, em Faro, está a alojar pessoal médico para evitar contágios no seus núcleos familiares, entre muitos outros pequenos/grandes contributos».

As primeiras unidades que se ofereceram os seus serviços foram o Cabanas Park Resort, em Tavira, detido por António Parente através da Madre SGPS, e o Carvoeiro Clube Group, em Lagoa, uma das maiores empresas do sector no Barlavento algarvio.