Algarve poderá ter vantagens na retoma do turismo pós-Coronavírus

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João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, acredita que a pandemia de COVID-19 já está a mudar futuros comportamentos de consumo. Portugal e a região algarvia poderão ter uma vantagem competitiva no futuro, durante a retoma pós-Coronavírus.

Olhando mais para a frente, e imaginando um mundo pós-Coronavírus, João Fernandes acredita que esta pandemia já está a mudar futuros comportamentos de consumo.

Destinos de massas e concentração de multidões poderão vir a ser conotados como cenários de risco.

Destinos menos explorados, períodos do ano menos concorridos e produtos como o turismo de natureza, o golfe, o Cycling and Walking ou outros que envolvam grupos de menor dimensão, poderão vir a ser os fatores de eleição num horizonte temporal próximo.

Se assim for, Portugal e o Algarve poderão ter uma vantagem competitiva e quem sabe, uma mais rápida recuperação turística.

Neste momento, «interessa avaliar os mercados emissores, monitorizar as condições dos canais de distribuição, operadores, online travel agencies e companhias aéreas, para quando chegar a altura de se poder investir, tenhamos as apostas mais eficazes» para novas campanhas de marketing.

João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve.

E como tal, «possamos saber qual a mensagem, qual o meio e qual o público-alvo que está em condições de nos visitar. Por exemplo, o mercado britânico adotou medidas diferentes do resto da Europa. Poderia ser especialmente preocupante o impacte que isso teria no nosso principal mercado emissor. Vamos imaginar, que de acordo com as previsões avançadas pela consultora McKinsey, teríamos, no cenário mais favorável, uma retoma de viagens em junho», avança ao barlavento.

«Se o nosso principal mercado emissor estivesse particularmente afetado nessa altura, poderíamos ser obrigados a desviar completamente o foco. É muito importante conhecermos estas dinâmicas para podermos ter procura, e oferta ajustada», considera.

Google: Portugal (ainda) não está conotado com o Coronavírus

Para já, «deixámos de ter um esforço promocional do destino Algarve nesta altura em que há uma redução drástica da procura e em que não se antevê, no curto prazo, que seja profícua a mobilização de recursos para atrair visitantes», diz João Fernandes.

Portanto, «aquilo que estamos a fazer é a estudar mercados e canais de distribuição em termos de situação face à pandemia, mas também a estudar possíveis tendências de novas procuras».

Na semana passada, o presidente do Turismo do Algarve assistiu à apresentação do relatório Google Travel Breakfast, que analisa os diferentes mercados emissores, como estão afetados e como respondem, em termos de imagem, à pandemia.

Nesta perspetiva, «qual a imagem que Portugal tem na sua relação com o Coronavírus, comparativamente aos destinos concorrentes? Há uma imagem mais positiva, em termos relativos. Nas procuras online que nos relacionam com o Coronavírus, estamos na 38º posição. Por outro lado, nas habituais procuras pelo destino para visitar, estamos nos primeiros 20 lugares do ranking».

Como tal, segundo o insight da Google, «não estamos a ser tão conotados como os nossos concorrentes com as dificuldades inerentes à COVID-19. Isso é muito importante do ponto de vista da marca. O que podemos inferir é que a nossa associação ao impacte do Coronavírus no viajante é substancialmente mais benévola do que os nossos concorrentes», conclui o presidente do Turismo do Algarve.

ASAE abriu caminho a uma cultura de segurança nas empresas

Durante a primeira fase de prevenção e controlo da pandemia da COVID-19 «estivemos muito atentos e articulados com as autoridades de saúde para ajudar a implementar os planos de contingência nas empresas» do sector, revela ao barlavento João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve.

«Às vezes negligenciamos quão importante é o facto de as nossas empresas terem experiência de planos de higiene e segurança. Quando vamos a outros países, queixamo-nos da nossa Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) porque vemos por cá exigências que não existem no estrangeiro. Mas a verdade é que hoje, do ponto de vista da preparação das pessoas e das infraestruturas, temos uma capacidade extra para atender a casos» que exigem medidas extraordinárias, como é o caso desta pandemia.

«É muito mais fácil ensinar e implementar novos procedimentos a alguém que está habituado a seguir determinadas regras de higiene e segurança», diz. A articulação com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve também foi determinante para a RTA conseguir passar «uma mensagem tecnicamente melhor preparada» às empresas, para agilizarem medidas de prevenção e controlo.