A Saúde e a Passagem de Ano de 2019 para 2020

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Comemorámos a passagem de ano no refúgio do nosso lar, num ambiente caseiro e ameno, com as passas e um espumante enquanto desfilavam no ecrã da televisão, variadíssimas reportagens sobre o evento ano novo.

Em todas as entrevistas e foram muitas e em várias regiões e cidades, o primeiro desejo de todos foi muita saúde, melhor saúde, mais saúde e só depois vinha a paz, o amor e o dinheiro.

Vi também com muita atenção, sua excelência o sr. Presidente da República que, na Ilha do Corvo proferiu a sua mensagem de Ano Novo. A primeira palavra foi para a saúde.

Atenção sr. Primeiro ministro e sr. ministro das Finanças, está nas vossas mãos a reestruturação do Serviço Nacional de Saúde, a melhoria das condições de trabalho com rácios de profissionais adequados em todas as áreas e uma gestão das instituições de saúde séria e competente.

Concretamente no Algarve, e após a infeliz criação do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, com a fusão dos três hospitais, sendo que a distância de dois dos hospitais para o Hospital Central de Faro (nome pomposo, mas que não corresponde à realidade), varia entre 70 a 100 quilómetros.

As condições de trabalho pioraram, a falta de recursos humanos e de equipamentos foram-se acentuando, o acesso tornou-se mais difícil e tudo se foi degradando, a par de uma gestão grosseira e inepta.

Não passa pela cabeça de ninguém, a não ser pelo Ministério da Saúde, que um Conselho de Administração com quatro elementos de Faro, sediados em Faro e um de Portimão, tenham a capacidade de gerir os três hospitais do Algarve com cerca de 750 camas e distantes uns dos outros, um Centro de Medicina Física e Reabilitação com internamento, em São Brás de Alportel, três urgências básicas de saúde e ainda a atividade relacionada com a Universidade do Algarve.

Por todas estas razões a prestação de cuidados de saúde degradou-se substancialmente e o caos instalou-se.

A falta de investimento público na saúde não é ficção, é uma realidade e levou à proliferação de hospitais e clínicas privadas, onde o Estado resolveu investir.

Têm sido cambalhotas demasiadas e sucessivas a favor de uma medicina privada de um governo socialista.

Se a sra. ministra da Saúde, que já devia ter sido demitida ou que já deveria ter posto o lugar à disposição de tão fraquinha que é, não se decide pela reversão da fusão dos hospitais do Algarve e mantém o CHUA, então que cumpra a legislação, e que os hospitais tenham na gestão conselhos de administração autónomos e independentes, como foi previsto.

Os portugueses não podem estar sujeitos a que os nossos gestores e mandantes sejam por vezes os mais medíocres, mas apenas por serem partido-dependentes. É lamentável e vergonhoso, mas é a verdade!

As propostas existem. Ao menos olhem para elas, senhores governantes.

Luís Batalau | Médico com Cédula Profissional 13805