Albufeira não esquece o antigo presidente da Câmara Municipal Carlos Eduardo Silva e Sousa e continuará os projetos idealizados pelo autarca, conforme José Carlos Rolo, atual presidente do executivo camarário, garantiu durante a cerimónia do Dia da Cidade, na segunda-feira, 20 de agosto.
«Temos uma dívida para com ele, porque foi um homem justo, bom, um cidadão exemplar, um político com um percurso discreto, mas de grande importância, e um autarca que mereceu por duas vezes a confiança dos albufeirenses», disse José Carlos Rolo, perante uma plateia com diversos autarcas algarvios, representantes políticos, amigos e família de Carlos Silva e Sousa.
Numa cerimónia emotiva, a Câmara Municipal de Albufeira atribuiu a Medalha de Honra do Município – Grau Ouro, a título póstumo, ao antigo edil, tendo também colocado o retrato na Galeria dos Presidentes e editado um pequeno livro biográfico, onde consta a entrevista que cedeu ao «barlavento», a última que deu no primeiro mandato.
A dívida que o concelho tem para com Carlos Silva e Sousa não se esgota nesta ação, pelo que, do ponto de vista de José Carlos Rolo, dar continuidade aos «grandes projetos de Carlos Silva e Sousa» será outra forma de o honrar. «Terão a continuidade devida tendo em conta as circunstâncias de cada momento. O plano de drenagem [de prevenção das cheias] está em andamento, encontrando-se na fase final as sondagens no terreno por onde irá passar o túnel. Depois teremos a elaboração dos projetos e o lançamento do concurso para que as grandes obras aconteçam. No plano da habitação, pegámos nos projetos de Carlos Silva e Sousa e iremos ampliá-los ainda mais. Estamos a identificar terrenos para que, dentro de muito pouco tempo, nasçam em cada zona do concelho entre 20 a 30 habitações de caráter social».
O rol de intenções não fica por aqui, pois a autarquia está também «a identificar espaços para que haja um parque industrial e comercial, que sirva para aumentar a diversidade económica do concelho e torná-lo mais sustentável. Em breve, iremos apresentar um novo plano de reabilitação de espaços urbanos, o qual passa pela conclusão das nossas ruas e estradas, que inclui pavimentação, iluminação, reabilitação de sistema de águas residuais e pluviais, não esquecendo a reabilitação dos acessos às praias e estacionamentos», avançou José Carlos Rolo. A educação e a cultura são outros dos pilares do desenvolvimento da comunidade, sendo de prever também uma forte aposta nestas duas áreas. «Queremos, com o nosso trabalho, honrar todos os cidadãos e, desse modo, devolver a Carlos Silva e Sousa o tanto que ele nos deu. Fazemos isto em nome de todos quanto aqui vivem, trabalham e sonham», justificou o presidente da Câmara Municipal, que durante o mandato anterior foi vice-presidente de Carlos Silva e Sousa.
«Um amigo meu, um amigo de todos nós, embora evidentemente com as teimosias de cada um, muito facilmente chegávamos a pontos de consenso. Sei o que significa ter arrojo nos dias de hoje. Carlos Silva e Sousa foi um homem arrojado, lutador, mas também um homem que sonhou com o futuro, um homem que tinha a sua singularidade. A sua perda, quer para a família, quer para amigos, foi uma situação difícil de ultrapassar, por tão inexplicável e inesperada que ela nos pareceu», recordou José Carlos Rolo.
Não foi, porém, o único a lembrar as virtudes do antigo presidente de Câmara. Também o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa associou-se à cerimónia de homenagem do seu antigo aluno e enviou uma missiva que foi lida pelo chefe da Casa Militar tenente general João Vaz Antunes.
«O gesto desta edilidade ao ligar as celebrações do Dia do Município a esta homenagem, a um dos filhos desta terra, reveste-se de particular significado pela nobreza que revela. É justíssima a atribuição ao doutor Carlos Silva e Sousa, a título póstumo, da Medalha de Honra do Município de Albufeira, por aquilo que fez em defesa das populações e das legitimas pretensões do Algarve. Por aquilo que fez enquanto deputado à Assembleia da República, autarca, advogado e cidadão empenhado na defesa do bem comum, mas acima de tudo pelo que fez enquanto personalidade integral e multifacetada que se dedicou, como poucos, à salvaguarda da nossa cultura, economia, justiça social», escreveu o Presidente da República.
«Para sempre recordarei a sua derradeira intervenção, horas antes de nos deixar, arrebatada em cerimónia a que quis comparecer. Para sempre recordarei também o aluno de há tantas décadas, o amigo leal, o colaborador devotado e teimoso, o trabalhador incansável e apaixonado. Por isso me associo emotivamente a este ato de justiça e memória na certeza de que o exemplo da vida de Carlos Silva e Sousa será seguido por todos quantos tiveram o privilégio de o conhecer», justificou Marcelo Rebelo de Sousa.
Ainda neste dia, Carlos Silva e Sousa foi lembrado por José Alberto Alegria, cônsul honorário do Reino de Marrocos e decano do corpo consular sediado em Albufeira. «Sendo ilustre filho de Albufeira, o seu mundo, os seus mundos não se confinavam a este território que ele tão bem conhecia, nem a este Algarve que ele tanto amava, nem a Portugal que ele tão superiormente serviu. A sua cultura vasta e diversificada chamava-o a conhecer e compreender outros territórios e outras gentes, sempre numa perspetiva de enriquecimento pessoal e de melhor compreensão das pessoas da sua terra. Não terá sido por acaso que este nosso conterrâneo exerceu com brio e em tempos sucessivos, funções consulares ao serviço de dois países, de dois continentes tão diferentes, como São Tomé e Príncipe e a Lituânia», lembrou.
Já Paulo Freitas, presidente da Assembleia Municipal, que se emocionou durante o discurso, referiu que Carlos Silva e Sousa deixou marcas na cidade, no concelho e na vida daqueles que o rodearam. «Não era só um amigo, foi um mentor, um companheiro, um crítico. Partilhamos desde o mesmo fato, à mota, à pesca, ao barco e sempre com cumplicidade nos momentos e alegria na vida. Quem o conhecia sabia que tinha isto como filosofia. Vivemos apegados à critica, ao negativismo, e esquecemos de nos divertirmos. E ele à sua maneira fê-lo», resumiu.
José Carlos Rolo aproveitou ainda a cerimónia para agradecer aos bombeiros, ao movimento associativo, aos funcionário municipais e à Banda Filarmónica de Paderne, a segunda ais antiga do país.



