Universidade do Algarve abre 2.723 vagas para o ano letivo 2026-2027 e reforça os concursos especiais, que passam a ter mais peso nas entradas.
A Universidade do Algarve (UAlg) abre 2.723 vagas para 2026-2027, mais 50 do que no ano anterior, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto para o Ensino Superior (IES).
Entre as 13 universidades públicas, a UAlg é a única que regista uma redução no número de vagas no Regime Geral de Acesso, com menos cinco lugares face ao ano anterior, fixando-se em 1.651. A descida contrasta com o aumento da oferta no concurso nacional na maioria das instituições, num ano em que cresce também o peso das vias alternativas de acesso.
Este aumento resulta do reforço dos concursos especiais, que contam agora com 989 vagas (+65), enquanto o Regime Geral de Acesso (RGA) — o concurso nacional através do qual os estudantes que concluem o ensino secundário se candidatam nas três fases anuais — desce para 1.651 (-5). Os regimes especiais fixam 83 vagas (-10 face ao ano anterior).
Na prática, isto significa que cada vez mais estudantes entram na UAlg por vias alternativas ao concurso nacional — como maiores de 23 anos, diplomados de cursos técnicos superiores profissionais, transferências ou estudantes internacionais — e não apenas pelo regime geral.
O sistema de ensino superior, no total público e privado, soma 107.598 vagas, mais 2.882 do que em 2025, segundo o comunicado do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
Entre a excelência e a baixa procura
A Universidade do Algarve regista contrastes acentuados nos níveis de procura medidos pelas notas de acesso da primeira fase de 2025. Engenharia Eletrotécnica e de Computadores regista a nota mais alta entre as instituições que oferecem o curso, com 177,0 pontos. Este resultado coloca o curso entre os 30 com nota de acesso mais elevada a nível nacional, num universo de 1.045 cursos com notas registadas.
No extremo oposto, Turismo em Portimão regista a nota mais baixa do país nesta área — 106,0 pontos —, ficando em último lugar entre as 12 instituições que oferecem o curso e na 13.ª posição do ranking nacional de notas mais baixas. O mesmo curso em Faro apresenta 110,5 pontos, também entre as posições mais baixas a nível nacional.
Farmácia situa-se em penúltimo lugar entre as seis instituições que ministram o curso (112,3 pontos), enquanto Psicologia ocupa o 10.º lugar num universo de 12 instituições (156,0 pontos), apenas à frente da Universidade da Madeira.
Fisioterapia mantém uma posição intermédia, com 153,0 pontos, ocupando o sexto lugar entre 10 instituições. Biologia Marinha surge em segundo lugar entre três ofertas, com 116,8 pontos, apenas atrás do Instituto Politécnico de Leiria.
A amplitude entre o curso mais procurado e o menos procurado na UAlg é de 71 pontos: Engenharia Eletrotécnica com 177,0 e Turismo em Portimão com 106,0. A média das notas de último colocado na UAlg situa-se nos 126,7 pontos. No conjunto dos 1.045 cursos com nota registada a nível nacional, a média é de 134,8 pontos, o que coloca a instituição abaixo da média nacional.
Dos 44 cursos da UAlg com nota do último colocado registada na 1.ª fase, apenas um integra o top 100 nacional das notas mais altas. No sentido inverso, cinco cursos surgem entre as 100 notas mais baixas do país — numa análise feita sobre 1.045 cursos com nota registada a nível nacional: Turismo (Portimão e Faro), Ciências da Educação e da Formação, Farmácia e Arquitetura Paisagista.
Medicina e engenharias com maioria fora do regime geral
Há cursos na academia algarvia em que os concursos especiais são a principal via de entrada.
É o caso do Mestrado Integrado em Medicina (MIM), que fixa 96 vagas, todas por concursos especiais, o que significa acesso 100% fora do regime geral. Destas, 12 vagas destinam-se a estudantes internacionais, correspondendo a 12,5% do total.
No Instituto Superior de Engenharia (ISE) da UAlg, o padrão repete-se. O curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores fixa 60 vagas, das quais 39 por concursos especiais (65,0%), 20 no regime geral (33,3%) e uma por regime especial (1,7%). As 15 vagas internacionais representam 25,0% do total e estão incluídas nas vagas de concursos especiais.
Por sua vez, Engenharia Mecânica abre 60 vagas, com 39 por concursos especiais (65,0%), 20 no regime geral (33,3%) e uma por regime especial (1,7%), incluindo 15 estudantes internacionais (25,0%).
Já Engenharia de Sistemas e Tecnologias Informáticas fixa 57 vagas, com 36 por concursos especiais (63,2%), 20 no regime geral (35,1%) e uma por regime especial (1,8%). É o curso com maior proporção de estudantes internacionais, 20 vagas, equivalentes a 35,1% do total.
Por fim, Engenharia Civil tem 56 vagas, distribuídas por 20 no regime geral (35,7%), 35 por concursos especiais (62,5%) e uma por regime especial (1,8%), incluindo 15 internacionais (26,8%).
Também na Gestão em regime noturno o peso das vias alternativas supera o regime geral. Em Faro, Gestão noturno fixa 64 vagas, 37 por concursos especiais (57,8%), 26 no regime geral (40,6%) e uma por regime especial (1,6%).
Em Portimão, são 55 vagas, 32 por concursos especiais (58,2%), 20 no regime geral (36,4%) e três por regime especial (5,5%).
Cursos mais dependentes do regime geral
No extremo oposto, há cursos onde o regime geral concentra a maioria das entradas.
Enfermagem fixa 40 vagas, todas no regime geral (100%). Fisioterapia apresenta 26 vagas no regime geral em 29 totais (89,7%). Gestão de Empresas regista 70 vagas no regime geral em 87 totais (80,5%). Educação Básica fixa 42 em 55 (76,4%) e Biologia Marinha 64 em 84 (76,2%).
Nestes cursos, a pressão concentra-se sobretudo na primeira fase do concurso nacional.
Notas mais altas confirmam pressão
As notas do último colocado na primeira fase de 2025 mostram onde a concorrência é mais exigente.
O valor mais elevado registou-se em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, com 177,0 pontos. Seguem-se Psicologia (156,0) e Fisioterapia (153,0).
Acima dos 140 pontos surgem ainda Enfermagem (143,8), Ciências Biomédicas (143,0) e Ciências da Comunicação (143,0).
Internacionalização concentrada nas engenharias
Em termos absolutos, Engenharia de Sistemas e Tecnologias Informáticas lidera com 20 vagas internacionais. Segue-se um grupo com 15 vagas cada: Engenharia Informática, Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, Engenharia Mecânica, Engenharia Civil e Línguas, Literaturas e Culturas.
Em termos percentuais, Engenharia de Sistemas apresenta o maior peso relativo de internacionais (35,1%), seguida de Engenharia Civil (26,8%) e das restantes engenharias industriais (25,0%).
O que isto significa?
Segundo os dados do IES, a Universidade do Algarve cresce no total de vagas, mas redistribui o peso das entradas. Nos cursos tecnológicos, os concursos especiais e os dirigidos aos estudantes internacionais assumem papel estrutural na composição das novas turmas. Nas áreas da saúde e da comunicação, o regime geral mantém forte pressão competitiva.
Top 10 UAlg por peso de Concursos Especiais (% do total do curso)
- Medicina (MIM) — 96/96 — 100,0%
- Engenharia Eletrotécnica e de Computadores — 39/60 — 65,0%
- Engenharia Mecânica — 39/60 — 65,0%
- Engenharia de Sistemas e Tecnologias Informáticas — 36/57 — 63,2%
- Engenharia Civil — 35/56 — 62,5%
- Gestão (regime noturno, Portimão) — 32/55 — 58,2%
- Gestão (regime noturno, Faro) — 37/64 — 57,8%
- Economia — 30/60 — 50,0%
- Arquitetura Paisagista — 20/43 — 46,5%
- Turismo (Portimão) — 30/65 — 46,2%
Top 10 UAlg por vagas para Estudantes Internacionais (% do total do curso)
- Engenharia de Sistemas e Tecnologias Informáticas — 20/57 — 35,1%
- Línguas, Literaturas e Culturas — 15/53 — 28,3%
- Biotecnologia — 10/37 — 27,0%
- Engenharia Civil — 15/56 — 26,8%
- Engenharia Eletrotécnica e de Computadores — 15/60 — 25,0%
- Engenharia Mecânica — 15/60 — 25,0%
- Arquitetura Paisagista — 10/43 — 23,3%
- Línguas e Comunicação Intercultural — 10/56 — 17,9%
- Bioengenharia — 5/30 — 16,7%
- Economia — 10/60 — 16,7%
Nota: As vagas para estudantes internacionais já estão contabilizadas nos concursos especiais.
Top 10 UAlg por notas mais altas na 1.ª fase do RGA de 2025
- Engenharia Eletrotécnica e de Computadores — 177,0
- Psicologia — 156,0
- Fisioterapia — 153,0
- Enfermagem — 143,8
- Ciências Biomédicas — 143,0
- Ciências da Comunicação — 143,0
- Ciências Farmacêuticas — 138,8
- Ciências Biomédicas Laboratoriais — 138,5
- Marketing — 136,8
- Imagem Médica e Radioterapia — 135,3
Top 15 cursos com notas mais baixas na 1.ª fase do RGA de 2025
- Turismo (Portimão) — 106,0
- Ciências da Educação e da Formação — 108,0
- Turismo (Faro) — 110,5
- Farmácia — 112,3
- Arquitetura Paisagista — 113,5
- Desporto — 114,0
- Património Cultural e Arqueologia — 114,3
- Línguas e Comunicação Intercultural — 115,0
- Gestão Marinha e Costeira — 116,5
- Gestão, regime noturno — 116,8
- Biologia Marinha — 116,8
- Sociologia — 117,5
- Gestão (Faro) — 117,8
- Economia — 117,8
- Línguas, Literaturas e Culturas — 118,8
Nota: A UAlg tem 44 cursos com notas de último colocado registadas. O curso com nota mais baixa é Turismo (Portimão) com 106,0 pontos, que coincide com o 13.º lugar no ranking nacional de notas mais baixas.