O Artists & Fleas Market, organizado pela MÔÇES, vai acontecer ao segundo sábado de cada mês na Associação de Músicos, em Faro, com dezenas de bancas de roupa vintage, artesanato e marcas regionais sustentáveis.
A associação MÔÇES, focada no desenvolvimento de projetos artísticos, culturais, ambientais, educacionais e desportivos com grupos de risco, juntou-se à Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM) para apresentarem, em Faro, um novo mercado pensado para dar a conhecer artesãos, artistas e empreendedores regionais.
Chama-se Artists & Fleas Market e está marcado para os segundos sábados de cada mês na ARCM, entre as 11h00 e as 19h00, tendo já a sua primeira edição a decorrer no dia 12 de novembro.
«Queremos atrair artistas de todo o Algarve, desde produtores locais, artesãos, músicos, pessoas que tenham roupa vintage e artigos em segunda mão. Vamos distanciar-nos um pouco da típica feira, porque o que acontece nesse tipo de eventos é que há um pouco de tudo, sem organização. Neste caso, prezamos por ter bancas selecionadas, para atrair também o público mais jovem, e por englobarmos o mundo das artes. Vamos dar oportunidade a quem tem pequenos negócios de poder expô-los mensalmente num espaço como a ARCM», explica ao barlavento Maria Lopes, 28 anos, cofundadora da MÔÇES.
Além de todo o espaço exterior da ARCM, também a sala SIGA e a sala Morcego vão ter bancas de diversos artigos: macramé, olaria, roupa em segunda mão, óleos essenciais, prints, cristais, bijuteria e até marcas com objetos sustentáveis.
Para completar o certame, a ARCM tem sempre o bar com esplanada, que permite almoçar ou apenas usufruir de uma bebida, e além de DJs, a organização promete ainda convidar artistas para atuarem durante o Artists & Fleas Market.
E apesar de a primeira edição deste certame ainda não se ter realizado, a organização tem recebido muito interesse. «Temos feito uma grande auscultação nas redes sociais e a opinião é incrível e unânime. Dizem-nos que há muito que esperavam por um mercado deste género em Faro. Ou seja, dá-nos a entender que é algo que faz falta. Por algum motivo as pessoas já têm a ideia que será especial», aponta Maria Lopes.
«A adesão está a ser muito boa e nem todas as marcas são selecionadas porque prezamos a qualidade e a diversidade dos produtos. Depois da inscrição, há um processo de seleção. Se tivermos cinco bancas semelhantes, não há o ecletismo que pretendemos. Queremos ter um conteúdo que nós, associação cultural e artística, valorizamos para também darmos o melhor a quem nos visita. Queremos que saibam que quando vierem ao Artists & Fleas Market vão encontrar uma boa seleção», refere.
Neste momento, ainda só há inscrições de marcas algarvias, e são esperadas cerca de 40 bancas. Ainda assim, a MÔÇES assegura que todas são bem-vindas, venham de outra parte do país, ou até de Espanha. Algo que Maria Lopes já viu acontecer num outro mercado de Lisboa, a Feira das Almas, no qual também fez parte da organização. Um evento que começou com uma média de 20 ou 30 bancas de produtos locais, alcançou, nas últimas edições, uma centena.
«Claro que serviu de inspiração. Durante muitos anos ajudei a organizar a Feira das Almas, que também começou por ser muito pequena, e que depois foi crescendo muito. A minha ideia é replicar um pouco esse modelo. Tivemos vários casos de pessoas que começaram a marca a vender na Feira das Almas e expandiram-se de uma maneira gigante. Hoje vendem apenas online», recorda.
Questionada sobre a possibilidade de replicar o Artists & Fleas Market noutros municípios algarvios, a jovem não recusa a hipótese. «Sim, já nos passou pela cabeça, mas agora estamos muito focados no de Faro. Queremos fazer bem as coisas e criar um ponto de encontro para os algarvios», assegura.
Para um futuro mais próximo, neste caso no fim de semana de 10 e 11 de dezembro, a organização prepara-se para uma edição especial, dedicada à época natalícia, sendo que nos meses seguintes, o Artists & Fleas regressa no seu formato habitual.
Para as marcas se inscreverem, basta visitarem o sítio da Internet da MÔÇES, preencher o formulário de inscrição, disponível aqui, e efetuar o pagamento de 15 euros, valor que reverte para os projetos da associação. A entrada para o público geral é livre.
Reutilizar plástico para mobiliário urbano
A associação MOÇÊS, fundada a 1 de setembro de 2020, depois de ensinar o croché a uma comunidade de etnia cigana em Loulé e de trabalhar com o barro com um grupo de jovens com necessidades especiais em São Brás de Alportel, o coletivo está agora a desenvolver um projeto relacionado com a sustentabilidade.
«É algo muito embrionário, mas o objetivo é provar que conseguimos fazer peças de mobiliário urbano com tijolos ecológicos. Tratam-se de garrafões de água de cinco litros, cheios de plásticos de utilização única, que depois são prensados e se transformam em tijolos», justifica Maria Lopes, uma das fundadoras da associação.
Deram o nome de Movimento Reutilizar e a ideia é sensibilizar a comunidade para a reutilização dos plásticos que não podem ser reciclados, dando-lhes uma nova vida.
«Infelizmente, ao contrário do que nos dizem, estes plásticos não são recicláveis. Falo daqueles plásticos finos de invólucros de tabaco, pastilhas, rebuçados e da fruta no supermercado. Esse plástico acaba por ser incinerado, acabando por ir parar aos oceanos ou aterros no meio da natureza. O nosso objetivo é arranjar forma de travar isto e sensibilizar a comunidade. Por enquanto, estamos a começar nas escolas de Quarteira, em parceria com a Junta de Freguesia. Mas o objetivo maior é ter parcerias com empresas para triturar esse plástico e ter quase uma fábrica de montagem de tijolos ecológicos para fazer peças de arte, bancos de jardim, mesas de merendas para parques, entre outros. Até dá para construir apoios agrícolas. Na América do Sul já se faz muito isso e foi lá que nos inspirámos», diz Maria Lopes.
