j. manuel andrade
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Eduardo Almeida - JSD/Algarve
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Eduardo Almeida, de 27 anos, recém-eleito presidente da Comissão Política Regional de Faro da Juventude Social- Democrata (JSD), diz que é preciso criar um plano estratégico para combater o desemprego no Algarve, envolvendo o Governo, as autarquias e as empresas, reconhece existirem cursos e oferta a mais, «completamente desfasada da realidade do nosso país», e receia a possibilidade de menos condições de trabalho, nomeadamente em termos materiais nos laboratórios se houver cortes no financiamento do Estado às universidades.
TEMAS: Política Em entrevista ao «barlavento», o novo líder da JSD/Algarve aposta em formar quadros antes de reivindicar lugares para os jovens nas listas do partido com vista às eleições autárquicas em 2013, garante não temer uma eventual coligação PS/PCP para a Câmara Municipal de Faro e entende que Macário Correia «reúne todas as condições» para voltar a candidatar-se à presidência enquanto aguarda o desfecho do recurso interposto ao processo do Supremo Tribunal Administrativo sobre a perda de mandato.

Licenciado em Gestão pela Universidade do Algarve, em Faro, de onde é natural e reside, Eduardo Almeida encontra-se a finalizar o Mestrado em Marketing e trabalha atualmente numa unidade de diversão noturna em Vilamoura. Já nos seus tempos livres, adora passear com a família e os amigos, além de conduzir. Contudo, de momento, prefere viajar pela Estrada Nacional 125 para não pagar portagens na A22/Via do Infante.
barlavento – Como surgiu a sua candidatura à presidência da Juventude Social-Democrata/Algarve?
Eduardo Almeida – Decidi candidatar-me porque achei que estava na altura de o fazer. Sou militante da JSD desde os 16 anos e sempre ocupei alguns cargos na estrutura, a qual deixei em 2008 por vontade própria para me poder candidatar à presidência da direção geral da Associação Académica da Universidade do Algarve, em Faro. Decidi, na altura, que não faria sentido ser dirigente da JSD e presidente da Associação Académica. Entendo que não se deve misturar uma atividade como essa com a política. Foi esse o meu principal motivo para então me afastar a meio daquele ano da JSD. Acabei por regressar no início de 2010 quando cessei funções, tendo continuado o meu percurso político. E em outubro desse ano, candidatei-me a presidente da Comissão Política Concelhia de Faro da JSD. Vinha a desenvolver o meu trabalho neste concelho e achei que reunia as condições necessárias para me candidatar à presidência da JSD no Algarve. Contatei então todos os presidentes das Comissões Políticas Concelhias desta organização, para anunciar a minha disponibilidade nesse sentido, fui recebendo vários apoios, tendo como tal a minha candidatura surgido naturalmente.
b. - Diz-se que o denominado eixo de Faro-Loulé acabou por ser determinante para a sua candidatura. O que se passou em concreto?
E.A. - Antigamente é que havia essa questão dos eixos, mas agora tal não existe. O que há é uma vontade de trabalhar em prol da JSD. Também poderia existir o eixo de Faro/Olhão, ou de Faro/Vila Real de Santo António, ou Faro/Albufeira. Mas não. A JSD é, isso sim, um eixo de todo o Algarve, ou seja, uma união entre todas as Concelhias em torno de um projeto.
b. - Mas chegou a falar-se na disponibilidade de uma figura em Portimão, neste o caso o filho do antigo presidente do PSD/Algarve e ex-secretário de Estado da Saúde e do Turismo, Carlos Martins…
E.A. - Não existia qualquer oposição. O que sempre senti foi uma unanimidade em torno da minha candidatura.
b. - E agora, o que se propõe alcançar como líder da JSD/Algarve?
E.A. - O nosso principal objetivo é continuar a ser voz da juventude junto do partido, junto do Governo e perante os executivos camarários em cada concelho. É essa que deve ser a grande missão da JSD. Não estamos aqui para agitar bandeirinhas em apoio ao PSD nem somos a voz do partido ou do Governo junto da Juventude, mas, repito, a voz da juventude junto do Governo. E nesse sentido, iremos defender os interesses dos mais jovens. Pretendemos ouvi-los e alertar os dirigentes do nosso partido sobre as preocupações que nos afetam.
b. - Quais são esses problemas?
E.A. - Uma das áreas é, sem dúvida, a do emprego. O Algarve teve a segunda taxa mais elevada de desemprego jovem do país em 2011, ao atingir cerca de 37 por cento. Ora, essa é uma forte preocupação para nós. O Governo lançou recentemente, e bem, o programa designado Impulso Jovem. Contudo, no início só 75 por cento das medidas daquele programa é que serviam ao Algarve, tendo depois o PSD/Algarve alertado o Governo para o facto de 25 por cento das propostas do Impulso Jovem não servirem esta região. E como tal, o Governo disponibilizou na hora fundos próprios nacionais para que o Algarve não ficasse de fora desses 25 por cento.
b. - Como é possível combater o desemprego jovem numa região turística, onde depois do verão têm encerrado nos últimos anos muitos estabelecimentos e empresas ligadas ao setor da restauração, hotelaria e dos serviços?
E.A. - É muito difícil, sendo a questão da sazonalidade desta região uma das principais preocupações da JSD/Algarve. Acho necessário que os responsáveis pelo tecido económico, do Governo e das Autarquias se sentem à mesa e tentem criar, não direi um plano de emergência, mas um plano estratégico e específico para combater a sazonalidade e o consequente desemprego na região algarvia. E esse plano estratégico também tem de olhar não só para o setor do turismo, mas voltar a ter em atenção os setores primários. Há que olhar, de novo, para a pesca e para a agricultura. O desenvolvimento do interior do Algarve tem de ser uma aposta.
b. - Mas os jovens estarão mesmo motivados para o interior do Algarve quando sempre têm estado ocupados com atividades em zonas do litoral? Existirá apetência para voltar às terras?
E.A. - Neste momento, nós, jovens, temos de esquecer as apetências. Está em causa a sobrevivência desta geração. Acho que é possível voltar a fixar jovens no interior do Algarve, criando para o efeito incentivos.
b. - No seu caso, está disponível para tal? O que gostaria de fazer em concreto numa zona do interior do Algarve?
E.A. - Não terei qualquer problema em passar a viver ali se me surgir uma oportunidade nesse sentido. Ir trabalhar para a serra não significa estar dedicado apenas à agricultura. O interior algarvio, como prefiro chamar, tem condições naturais para se poderem criar projetos a vários níveis. É possível apostar no interior ao nível de Turismo, bem como na área de energias renováveis e das mais variadas tecnologias. Quando pensamos nessas zonas da nossa região, não poderemos só pensá-las para a produção agrícola ou de gado. Há que ter uma visão mais ampla. E o plano estratégico que a JSD propõe abrange tudo isso.
b. - Quanto será necessário investir e em que altura poderá ser possível colocar esse plano em prática?
E.A. - É um estudo que terá de ser levado a efeito pelo Governo e não pela JSD. A nossa função é alertar para os problemas da nossa geração e da nossa região e defender a criação desse plano estratégico. Em Conselho Nacional da JSD iremos alertar para a necessidade de defender a nível nacional um plano estratégico de combate ao desemprego no Algarve. Essa terá de ser a principal missão da JSD nesta região.
b. - Será possível ter resultados concretos em 2013?
E.A. - Gostaria que em 2013 a taxa de desemprego fosse menor. É importante referir que estamos a atravessar uma crise que não foi criada pelo Governo de Pedro Passos Coelho. Ele está a combater uma crise que herdámos e que sobretudo a minha geração e as futuras gerações terão de pagar o peso da fatura deixado por anteriores Governos de Portugal.
b. - Está a referir-se apenas a governos do PS ou também aos do PSD a esse nível?
E.A. - A nível nacional temos defendido que deverão ser apuradas as responsabilidades.
b. - O PSD também esteve no Governo, tendo tido Cavaco Silva, Durão Barroso e Pedro Santana Lopes como primeiros-ministros. Admite que haverá igualmente culpas por parte deles para a situação em que o país se encontra?
E.A. – Quem governou o nosso país ao longo dos últimos quinze anos, tem responsabilidades pela atual crise. Quando Durão Barroso chegou ao Governo, já o país estava mal. Não foi primeiro-ministro durante muito tempo. Saiu, entrou Santana Lopes que mal teve tempo para exercer as funções como primeiro-ministro e passado pouco tempo entrou José Sócrates. E sinceramente, teremos de dizer que, a partir dessa altura, a situação do país piorou ainda mais ao longo dos seis anos em que ele foi primeiro-ministro. O PSD teve então sentido de responsabilidade de alertar para a grave situação do país, como o fez em 2009 a doutora Manuela Ferreira Leite. Mas ninguém lhe deu ouvidos e hoje temos de dar razão àquela antiga dirigente do nosso partido.
b. - O antigo primeiro-ministro Cavaco Silva foi acusado de estar na origem da construção de autoestradas no país e de contribuir para a destruição do aparelho produtivo, nomeadamente ao nível da agricultura e das pescas, até com incentivos nessas áreas. Ele é também responsável pela situação a que Portugal chegou?
E.A. – Sinceramente, não me lembro muito bem do que foi feito no tempo dos governos de Cavaco Silva. Mas se não houvesse auto-estradas a nossa situação seria pior, pois não teríamos vias de comunicação capazes de apoiar o crescimento económico do nosso país. Prefiro que as responsabilidades sejam agora apuradas. E se se chegar à conclusão de que também existiram responsabilidades nessa altura não teremos problemas em afirmar que também falhámos. Na política, a melhor forma de liderar é saber reconhecer os nossos erros. E nesse sentido, se o PSD errou também o irá reconhecer. Agora uma coisa é certa: a crise que hoje vivemos muito se agravou nos últimos seis com José Sócrates no Governo.
b. - Foi presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve. Que problemas sente no Ensino Superior, numa altura em que se fala que se houver cortes no financiamento às Universidades a situação tornar-se-á complicada?
E.S. - O que se passa no Ensino Superior em Portugal foi uma falta de visão estratégica dos anteriores Governos, é importante relembrar. Neste momento, existem cursos a mais, existe oferta a mais que está completamente desfasada da realidade do nosso país. Não vou referir quais os cursos que estão a mais. Existem áreas, por exemplo, ao nível social, em que não existem saídas profissionais. No próprio setor da Educação, se calhar temos professores a mais. Em primeiro lugar, é preciso adequar os nossos cursos à realidade do Algarve. Depois, é necessário haver uma melhor visão sobre o sistema de ensino superior em Portugal. Nesse sentido, defendo uma reestruturação a esse nível em que cada universidade se especialize em áreas específicas. No Algarve, poderemos especializar-nos em áreas como o Mar e o Turismo, entre outras, que poderão criar um impulso ao desenvolvimento económico regional. Há que deixar um pouco outras áreas que não vêm trazer benefícios ou mais-valias à nossa região.
b. - Formou-se em Gestão. Nota que nessa área também existem dificuldades no mercado de trabalho ou trata-se de uma boa opção para os jovens?
E.A. - A Gestão é uma boa opção.
b. - Se houver cortes no funcionamento das universidades públicas, o que irá acontecer aos estudantes?
E.A. - Creio que a qualidade do ensino começará a diminuir. Passará a haver menos condições de trabalho, menos material nos laboratórios. Os problemas serão mais a esse nível. Já em relação aos professores, convém frisar que estes têm um vínculo à Universidade e à Função Pública. Mas cortes no Ensino Superior já existem há vários anos. Por isso é que os estudantes hoje pagam o que pagam. Neste momento, os estudantes pagam propinas, não para melhorar a qualidade de ensino, mas para suportar os custos das universidades. Sou totalmente contra isso. Considero que o aluno ao pagar propinas, as mesmas devem ser aplicadas na melhoria da qualidade de ensino.
b. - Quanto paga em média cada estudante em propinas na Universidade do Algarve?
E.A. – Em média paga de propinas cerca de 900 euros por ano. E é dos valores mais baixos do país.
b. - Há estudantes a passar fome?
E.A. - Existem estudantes a passar dificuldades, disso ninguém duvide. Já a passarem fome não acredito. Temos serviços de ação social a funcionarem muito bem na Universidade do Algarve e, a qualquer caso que surge, tem sido dada resposta eficaz logo na hora. Enquanto dirigente associativo nunca me foi comunicado nem um único caso de fome entre estudantes.
b. - E há alunos que desistem dos estudos por dificuldades económicas das suas famílias?
E.A. -Este ano já desistiram mais de duzentos alunos na Universidade do Algarve. Se tal aconteceu, temos de avaliar as causas que contribuem para essa situação. Há os que desistem porque não conseguem completar os cursos, aos quais não se sentem adaptados. Enganaram-se na opção tomada e no ano seguinte voltam a candidatar-se ao Ensino Superior para um novo curso. Por outro lado, existem ainda estudantes que desistem por dificuldades económicas; a Universidade também tem conseguido dar-lhes uma resposta em termos de apoio.
b. - Além do combate ao desemprego, o que é mais primordial ainda para a JSD?
E.A .- Voltando ao sector da educação, a JSD também está muito focada no ensino profissional. O país tem de regressar um pouco ao passado. Sei que a minha geração vive muito com a ideia de que ter uma licenciatura, um «canudo» na mão, é que é bom, mas se calhar temos de voltar a olhar para o tempo dos nossos pais e dos nossos avós, em que seguiam cursos profissionais e tinham emprego garantido. Há profissões tradicionais que quase desapareceram e em que é preciso apostar. Hoje, por um exemplo, um serralheiro ganha mais dinheiro do que um engenheiro, se quiser. O ensino profissional tem de ser a grande aposta para os jovens em Portugal.
b. - Emigrar é a solução para muitos jovens?
E.A. – Quanto mais sairmos do país menos competitividade Portugal ganhará. Esta é a geração mais qualificada de sempre, que tem conhecimentos, que estudou e está mais do que preparada para enfrentar as necessidades do mercado de trabalho. E o problema é que não estão a ser criadas condições para esses jovens.
b. - Pensa emigrar ou prefere manter-se em Portugal?
E.A.- Prefiro manter-me por cá. Acredito que o meu país vai recuperar da grave situação económica e social em que se encontra.
b. - Como encara a JSD as eleições autárquicas em 2013? Vai reivindicar lugares nas listas ao partido?
E.A. - A JSD pretende ser, acima de tudo, a voz dos jovens junto dos candidatos do partido. Essa terá de ser a nossa principal missão. Em segundo lugar, iremos a nível interno formar quadros que possam integrar as listas. Um jovem que for candidato a uma Assembleia Municipal terá de saber o que é este órgão, como funciona. Um jovem que se candidatar a vereador de uma câmara municipal terá de saber como se gere uma autarquia. Um jovem candidato a uma Freguesia terá de ter conhecimento sobre o território em que se encontra inserido, quais são os limites da sua freguesia e qual o trabalho que ali tem de ser feito. Como tal, antes de reivindicar o que quer que seja, será importante formarmos os nossos quadros de forma a poderem estar devidamente preparados para o combate político. E nesse sentido, a JSD irá defender junto do partido a inclusão dos seus melhores quadros nas listas do PSD candidatas às autarquias. Aliás, já foi expresso internamento pelo partido a necessidade de haver jovens nessas listas. É preciso uma renovação, tendo em conta que muitos autarcas de todo o país já não se poderão recandidatar.
b. - Acha que Macário Correia tem condições para se recandidatar à Câmara Municipal de Faro depois de ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Administrativo à perda de mandato no concelho de Tavira devido a ilegalidades cometidas no Plano Diretor Municipal?
E.A. - Julgo que sim. Tem feito um excelente trabalho em prol do concelho de Faro, onde encontrou uma câmara totalmente falida. De resto, tem sido incansável e quem o conhece sabe muito bem o trabalho por ele desenvolvido. Não é fácil gerir-se uma câmara quando não se tem dinheiro. Mas o certo é que Macário Correia tem conseguido geri-la mesmo sem dinheiro. É claro que há medidas menos populares que têm de ser tomadas. Contudo, a avaliação que faço sobre aquilo que tem sido este mandato é muito positiva. A cidade de Faro evoluiu e está a reafirmar-se novamente como a capital do distrito, o que é bastante importante. Por tudo isso, entendo que ele reúne todas as condições para voltar a candidatar-se à presidência da Câmara.
b. - Como vê a polémica em torno do processo do Supremo Tribunal Administrativo a condená-lo à perda do seu mandato anterior no concelho de Tavira?
E.A. - Vamos esperar para ver o que a Justiça irá decidir nesse processo em consequência dos recursos interpostos.
b. - O PS já admite coligar-se ao PCP para concorrer, em 2013, à Câmara Municipal de Faro. O que lhe parece tal cenário? Serão dificuldades acrescidas para a coligação PSD/CDS e outros partidos à direita neste concelho?
E.A. - É natural que haja coligações em tempo de eleições. O que interessa é o projecto político e o resultado no final. Acredito que o PSD não tem de recear essas coligações. O trabalho desenvolvido é notório e, assim, julgo que temos todas as condições para vencer as eleições.
Acho necessário que os responsáveis pelo tecido económico, do Governo e das Autarquias se sentem à mesa e tentem criar, não direi um plano de emergência, mas um plano estratégico e específico para combater a sazonalidade e o consequente desemprego na região algarvia. E esse plano estratégico também de olhar não só para o sector do turismo, mas voltar a ter em atenção os sectores primários. Há que olhar, de novo, para a pesca e para a agricultura.
O país tem de regressar um pouco ao passado. Sei que a minha geração vive muito com a ideia de que ter uma licenciatura, um «canudo» na mão, é que é bom, mas se calhar temos de voltar a olhar para o tempo dos nossos pais e dos nossos avós, em que seguiam cursos profissionais e tinham emprego garantido. Há profissões tradicionais que quase desapareceram e em que é preciso apostar. Hoje, por um exemplo, um serralheiro ganha mais dinheiro do que um engenheiro, se quiser. O ensino profissional tem de ser a grande aposta para os jovens em Portugal.
A JSD pretende ser, acima de tudo, a voz dos Jovens junto dos candidatos do Partido. Essa terá de ser a nossa principal missão. Em segundo lugar, iremos a nível interno formar quadros que possam integrar as listas para as eleições autárquicas. Um jovem que for candidato a uma Assembleia Municipal terá de saber o que é este órgão, como funciona. Um jovem que se candidatar a vereador de uma câmara municipal terá de saber como se gere uma autarquia. Um jovem candidato a uma Freguesia terá de ter conhecimento sobre o território em que se encontra inserido, quais são os limites da sua freguesia e qual o trabalho que ali tem de ser feito. Como tal, antes de reivindicar o que quer que seja, será importante formarmos os nossos quadros de forma a poderem estar devidamente preparados para o combate político.
Este Governo está realmente preocupado com a minha geração
Não poupa elogios a Passos Coelho e garante que o PSD não receia contestação popular na rua, apesar de a tradicional Festa do Pontal organizada pelo seu partido, no dia 14 de agosto, ser neste ano em espaço fechado. O primeiro-ministro «herdou o país no estado em que todos conhecem, mas a coragem ao tomar medidas difíceis diz muito sobre a sua maneira de trabalhar. O balanço é positivo», enaltece o presidente da JSD/Algarve Eduardo Almeida. E destaca o Programa Impulso Jovem, a devolução parcial ou integral da Taxa Social Única para empresas que contratem jovens até aos 30 anos como medidas a ilustrarem a preocupação do Governo para com a sua geração. Embora considere natural o descontentamento das populações perante a necessidade de lançar medidas impopulares, aquele dirigente da Juventude Social-Democrata diz que «não existe receio por parte do PSD em estar na rua». «Nem devemos recear qualquer manifestação popular», vinca Eduardo Almeida, justificando a mudança de local da Festa do Pontal, que marca a rentrée política do partido, com a presença do seu líder nacional Passos Coelho, estar marcada desta vez para um recinto fechado na zona de Quarteira, no concelho de Loulé, com a necessidade de «conter despesas».
Por outro lado, entende que o acordo com «troika» não deve ser revisto, nem adiada a resolução do problema da despesa pública do país. «Ao contrário de outros, nós não gerimos simplesmente a dívida, nós vamos pagá-la», assegura o líder da JSD no Algarve. E apesar de reconhecer ser ainda cedo para apontar figuras do PSD com vista à sucessão de Cavaco Silva na Presidência da República, não esconde admiração pelo «trabalho e frontalidade» do presidente da Câmara Municipal do Porto Rui Rio, e do comentador político Marcelo Rebelo de Sousa.
b. - Pela primeira vez no seu historial, o PSD vai levar a efeito a sua rentrée política, a denominada Festa do Pontal, em recinto fechado, no parque de diversões aquáticas «Aquashow», na zona de Quarteira, no concelho de Loulé, dia 14 de agosto, numa altura em que surgem ameaças sobre protestos contra o primeiro-ministro Passos Coelho, e outros políticos no Algarve. O PSD está com medo de enfrentar o povo na rua?
E.A. - É natural que as populações não estejam satisfeitas perante a necessidade de o Governo lançar medidas impopulares para enfrentar a situação financeira do país, mas não existe receio por parte do PSD em estar na rua. Nem devemos recear qualquer manifestação popular. De resto, em 2011 o PSD já estava no Governo e a fazer a Festa do Pontal ao ar livre, no Calçadão de Quarteira, como vinha sendo hábito nos últimos anos. Desta vez, existe uma opção de um recinto fechado numa altura em que surge necessidade de o partido também conter despesas.
b. - Que avaliação até ao momento faz do mandato de Passos Coelho enquanto primeiro-ministro?
E.A. - Herdou o país no estado em que todos conhecem, mas a coragem ao tomar medidas difíceis diz muito sobre a sua maneira de trabalhar. O balanço é positivo. Este Governo está realmente preocupado com a nossa geração.
b. - A coligação PSD/CDS é mesmo para continuar?
E.A. – Quando dois partidos se unem para recuperar o país da crise em que se encontra, temos de os apoiar. Têm estado a realizar um bom trabalho. Na minha opinião, esta coligação deve manter-se.
b. - O acordo do Estado português com a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) deverá ser revisto, de forma a aligeirar os prazos de pagamento da dívida do país e assim poder evitar mais medidas de austeridade?
E.A. – Na minha opinião, não deve ser revisto. O Governo, junto com todos os portugueses, têm dado sinais claros de que pretendemos ultrapassar esta crise o mais rapidamente possível rumo à prosperidade. É certo e sabido que todos têm feito sacrifícios, mas também é importante perceber que agora o exemplo começa a vir de cima. A questão da avaliação das Fundações é exemplo disso. Não me lembro de nenhum anterior Governo questionar a aplicação cega de dinheiro público em projetos sobre os quais boa parte de nós nunca ouviu falar e muito menos sentiu o seu trabalho. As avaliações da troika indicam que Portugal se encontra num bom caminho rumo à recuperação. Nesse sentido, penso que não devemos adiar mais a resolução deste problema. Ao contrário de outros, nós não gerimos simplesmente a dívida, nós vamos pagá-la.
b. - O que pensa da ação desenvolvida pelo Presidente da República Cavaco Silva?
E.A. – Tem exercido o seu papel na linha de funções que lhe são conferidas pela Constituição Portuguesa e alertado os partidos para os problemas da sociedade.
b. - Qual a figura do PSD que gostaria de o ver substituir no cargo após cumprir este seu segundo e último mandato?
E.A. – É cedo para abordar essa matéria, mas existem algumas figuras no PSD com as quais eu simpatizo e admiro o seu trabalho e frontalidade: Rui Rio – atual presidente da Câmara Municipal do Porto e Marcelo Rebelo de Sousa – antigo dirigente do PSD e actual comentador político.
8 de Agosto de 2012 | 23:32
josé manuel oliveira
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