|
É uma opção feliz e certeira. E é uma preocupação e um desafio. A expressão que titula esta crónica constitui o tema potencialmente mobilizador da moção de orientação estratégica proposta pelo novo presidente da Federação Regional do PS Algarve, o meu camarada António Eusébio.
TEMAS: ESCREVIVENDO
Estamos a viver um dos tempos mais difíceis da vida económica e financeira da região algarvia. E constata-se, cada vez com maior preocupação, que, tal como em todo o país, esta crise tem vindo a tornar-se extensiva ao campo dos valores e das ideologias.
Penso, aliás, que uma simples análise da história recente confirma que as ideologias estão falidas quer à esquerda quer à direita, pois não resolveram os problemas dos cidadãos e caíram com os regimes que sustentaram. Por isso, prefiro falar em ideais e em valores.
O texto da moção debruça-se sobre o Algarve e os problemas dos algarvios enquanto pessoas. Faz o diagnóstico dos problemas, define prioridades para a nossa Região e clama por uma nova atitude de diálogo, de debate de ideias com os diversos actores da sociedade algarvia.
De facto, a região está desmobilizada e do ponto de vista económico e social nada mexe. Por outro lado, as novas exigências a nível da economia e emprego, a nível de uma agenda social, designadamente no que respeita à saúde, segurança social e cultura, a nível do ordenamento do território, das acessibilidades e dos transportes, a nível do movimento associativo, obrigam a um processo contínuo de abertura à sociedade envolvente dos partidos e à colaboração genuína e sincera com os sectores mais dinâmicos da economia, da cultura e da sociedade em geral.
Creio, entretanto, que é de todo o interesse aprofundar em futuros debates, no âmbito da orientação estratégica, para além do turismo, as questões relativas à agricultura e às políticas do mar.
Defendo que o mar algarvio constitui um potencial económico, turístico e desportivo que está por aproveitar e constitui uma oportunidade, uma porta de saída para a crise que estamos a viver.
As políticas de afirmação das cidades constituem outro conjunto de questões estratégicas no contexto regional: do meu ponto de vista, a afirmação e o peso do Algarve dependem também daquilo que formos capazes de fazer com uma rede de cidades.
Em suma, é proposto, através deste documento, um grande debate regional sobre o modelo de desenvolvimento económico e social da região que envolva as organizações regionais, nacionais e até especialistas internacionais.
Eis uma tarefa urgente e indispensável que integra a vivência de uma cidadania activa. Falo de cidadania enquanto sentimento comum, corresponsabilidade e participação. Falo também de necessidades comumente sentidas e repartidas, que só em conjunto se resolvem.
O que nos deve levar à valorização de todos os grupos sectoriais, potenciando a subsidiariedade social em benefício de uma região. O Algarve do futuro só pode ser fruto ou manifestação da cidadania reencontrada: a que formos capazes de reconstruir.
28 de Junho de 2012 | 09:05
Manuel da Luz*
|