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Chegou-me às mãos há poucos dias. Chama-se LEVANTAR O CÉU e tem por sub-título Os Labirintos da Sabedoria. Refiro-me a um livro de leitura e releitura obrigatória, publicado este ano pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates, e o seu autor é o prof. José Matoso. TEMAS: ESCREVIVENDO Trata-se de um conjunto de reflexões agrupadas em duas Partes: I – Sabedoria e Razão; II – Sabedoria e Fé. O prof. Matoso, aos 79 anos, não desiste de um olhar lúcido sobre a realidade contemporânea. Veja-se, por exemplo, o curto mas interessantissimo capitulo dedicado ao tema que serve de título a esta crónica.
Começando pelo conceito de «desenvolvimento», o autor admite que o esforço de crescimento é possível em nome do desenvolvimento. Mas sente-se na obrigação de perguntar: até quando? Será possível, neste mundo, um desenvolvimento sem limites? À custa do consumo de que recursos? E pergunta ainda: e quem paga o esforço da procura de novas fontes de energia? Os investidores industriais?
Estarão dispostos a reduzir os seus lucros para preservar os mecanismos da Natureza? Ou o Estado/Fisco? Ou – o que vem dar ao mesmo – os próprios consumidores? Com que salários? O autor adopta uma posição cética, fruto de um certo realismo e lucidez perante as estatísticas referentes ao aumento do lixo nuclear, às consequências dos aditivos na indústria alimentar, à escassez de petróleo e de água. Não se vê como se possa sair daqui. O leitor sente-se seduzido e desafiado a reescrever estas reflexões. De facto, as coisas têm repercussões tais que só a reunião de poderes universais poderia alterar a direção em que se vai.
Mas a verdade é que a atitude política está hoje subjugada ao sistema financeiro. Encontramo-nos perante uma usurpação da democracia.
Os Estados e os Governos todos os dias nos dão mostras de impotência perante os abusos de poder financeiro e o sistema democrático não resolve os problemas atuais. Os interesses corporativos, nomeadamente o sistema bancário, viciam a democracia, criam desemprego e semeiam o empobrecimento de países mais frágeis como o nosso.
Mas a verdade é que a maior parte das pessoas acha que não lhe compete intervir – os políticos que resolvam. Não é para isso que recebem o seu salário? Não é para isso que o leitor paga os seus impostos? O autor defende que quem assim pensa ilude-se. Somos todos responsáveis. Pertencemos todos à família humana embora nem todos tenhamos as mesmas obrigações.
A definição dos nossos deveres baseia-se no conceito de «cidade». Por isso se chama «cidadania».
Por mim, diria que a evolução social é implacável. Face às questões levantadas pelo prof. Matoso e ao quadro de grandes dificuldades em que vivemos, considerando o quadro de crise profunda que paralisa o Algarve hoje em dia, torna-se urgente que os cidadãos despertem porque na ordem do dia está a necessidade de uma «revolução cultural».
15 de Junho de 2012 | 08:38
Manuel da Luz*
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