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As paredes brancas do muro da escola do primeiro ciclo e jardim de infância de Santa Maria, em Lagos, deram lugar a cores vivas e personagens do imaginário que saltam à vista no espaço de recreio e animam a hora das brincadeiras. TEMAS: PREAA Com muita cor e entusiasmo, os aprendizes mais novos meteram (literalmente) mãos na tinta e pintaram personagens como a Sereia Seixa, o Nino Surfonite ou os dinossauros.
Para quem não sabe, estas não são mais do que as famosas figuras de dois Contos do Mago, da autoria de Helena Tapadinhas, criados no âmbito do Programa Regional de Educação Ambiental pela Arte (PREAA), da Direção Regional de Educação do Algarve.
Se de manhã as paredes ainda mostravam uma réstia de branco, bastaram umas horas para os alunos da primária e jardim de infância, bem como do ensino pré escolar itinerante, ajudados pelos estudantes de artes do 12º ano da Escola Secundária Júlio Dantas, criarem as figuras que conheceram através dos contos da Sereia Seixa e do Concurso de Sismos. São duas estórias que, de forma lúdica, contam a história geológica e falam sobre os efeitos da passagem dos anos na terra e no mar.
Mas a intervenção não se ficou pelas paredes exteriores. Nas salas de aula, como os mais pequenos disseram ao «barlavento», era necessária ainda mais «concentração» na hora de dar largas à imaginação. João desenhava a coroa do cavalo-marinho, que é o «príncipe», afirmou, sem levantar os olhos da sua obra.
Ali, naquele pequeno espaço, orientados pelos alunos mais velhos, continuavam a tarefa de dar cor a um mundo de imaginação. Desta vez, eram folhas de papel que, aos poucos, ganhavam forma e contavam, através do imaginário das crianças, a história.
«Fomos descobrir os baús na Praia da Batata quando fizemos o percurso. Por cada sala, havia um baú com as personagens e depois eles pegaram nelas e começaram a construir a história. Começou na sala quatro, passou para a um, desta passou para a escola de Espiche e por fim para a itinerância», descreveu Emília Marreiros, educadora na EB1/JI de Santa Maria.
Para os mais velhos, a tarefa não foi fácil. «Ao fim de um bocado, os miúdos já estavam saturados, só queriam ir lá para fora», explicou Rita, uma aluna da Secundária. «Temos que ter um pouco de paciência», murmurou por sua vez Gabriela, para os mais pequenos não ouvirem...
Ainda assim, este «foi um intercâmbio muito proveitoso. Houve enriquecimento e articulação, tendo sido muito importante para todos», considerou Emília Marreiros.
Para os alunos do ensino itinerante, a saída das suas casas para ir à escola e conviver com outros alunos, foi uma oportunidade única.
«Trabalhamos no meio rural, nas casas de crianças que vivem mais isoladas ou nos dois polos, na Ludoteca de Barão de São João e numa escola devoluta das Portelas. Com o PREAA, tiveram uma perspetiva diferente do litoral», avançou Lina Nascimento, uma das educadoras itinerantes no interior do concelho de Lagos.
Mas o trabalho não acabou aqui, pois, segundo Maria Belchior, adjunta da Direção do Agrupamento Vertical de Escolas de Lagos, no âmbito do PREAA, que envolve «28 professores», serão realizadas outras iniciativas.
As oito turmas inseridas no Programa vão participar nas exposições de areia, na escola do Bairro Operário está a ser desenvolvido um trabalho com a Academia de Bailado e «há ainda trabalhos relacionados com a música ou a Banda Desenhada», adiantou.
Por sua vez, há sempre um conto que tem que ser contado, um percurso a pé nas zonas onde a história se passa e muito trabalho de sala de aula para explicar aos mais novos as questões ligadas à formação da terra e da sensibilização da natureza. E no final estão também previstas as mostras destes trabalhos feitos ao longo do ano.
25 de Maio de 2010 | 09:18
ana sofia varela
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