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Gonçalo Cunha de Sá fotografou cerca de 100 mulheres portuguesas que se distinguiram nas diferentes áreas profissionais, "mesmo que não sejam mediatizadas", retratos que integram uma exposição que vai ser inaugurada sexta feira em Lisboa. O projeto intitula-se "Mulheres portuguesas" e estará patente na estação ferroviária do Rossio, em Lisboa, seguindo depois para o Porto e Braga, sempre em estações ferroviárias.
Voltará a Lisboa em finais de maio, ficando patente na estação de Santa Apolónia, seguindo-se a gare Oriente e depois a estação de Faro.
Cunha de Sá disse à Lusa que o objetivo foi "fotografar mulheres notáveis e reconhecidas dentro das suas áreas, e não tanto mulheres mediatizáveis, mas antes aquelas que, pelo seu esforço e valor, conquistaram algo".
As cantoras Maria João e Teresa Salgueiro, a atriz Eunice Muñoz, as sopranos Elisabete Matos e Catarina Molder, as cientistas Elvira Fortunato e Ana Pombo e a judoca Telma Monteiro, são algumas das mulheres fotografadas.
Todas as fotografias de 100X67 centímetros de tamanho são a preto e branco.
A opção pelo preto e branco é justificada pelo fotógrafo na medida em que "focaliza mais atenção de quem vê".
"O preto e branco - prosseguiu - foi mais pela carga emocional e romântica que transporta".
"É mais romântico, fica-nos mais na alma e no coração, associamos a outros tempos", acrescentou.
Cada mulher é fotografada no seu ambiente de trabalho.
"Por exemplo, fotografei uma militar da GNR montada a cavalo, pois pertence ao 3º Regimento de Cavalaria, e uma outra numa lancha, por pertencer à Brigada Fiscal", explicou.
"Cristina Alves, comandante da Marinha Mercante, fotografei-a ao leme", referiu.
Cada sessão de fotografia levou entre duas horas e meia e cinco horas. Para o fotógrafo "é essencial conversar e conhecer melhor cada uma das fotografadas", de quem previamente estudou o trajeto profissional.
As escritoras Teolinda Gersão - "uma pessoa que me encantou" - e Lídia Jorge, a jurista Ana Martinho - "uma joia de pessoa"-, a conselheira do Supremo Tribunal de Justiça Maria Laura de Santana Maia, a pintora Graça Morais, a maestrina Joana Carneiro e a atriz Beatriz Batarda foram algumas das mulheres que mais gostou de fotografar.
"Fui até assistir a um concerto dirigido pela Joana Carneiro no Porto, e a Beatriz fui fotografá-la em bastidores, durante os ensaios de uma peça no Teatro Aberto, em Lisboa", recordou.
Paralelamente, será editado um livro com as fotografias e textos de Olga Roriz, Ana Lacerda, Lídia Jorge, Teolinda Gersão, Elisabete de Matos, entre outras, cujas vendas reverterão, através da SIC Esperança, para a Associação Mulheres Contra a Violência.
3 de Março de 2010 | 14:15
agência lusa
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