O facto passa despercebido à maioria dos algarvios, mas a verdade é que o castelo da vila foi berço da afamada ordem militar criada por D. Dinis. Sete séculos depois, Câmara local quer tirar partido da história.
O castelo de Castro Marim vai receber um Centro Interpretativo da Ordem de Cristo, dando assim a conhecer a ligação da vila algarvia a uma das mais importantes ordens militares portuguesas.
É que, apesar de frequentemente se associar a Ordem ao Convento de Cristo, em Tomar, foi na Igreja de Santiago, em pleno Castelo de Castro Marim, que, a mando de D. Dinis, se situou a primeira sede da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, entre 1319 e 1356.
A ideia já foi assumida pela autarquia de Castro Marim, que pretende aproveitar as potencialidades que o tema pode gerar não só em termos de receitas turísticas, mas também em notoriedade histórica e académica.
A necessidade de valorização deste facto também já foi apontada no recém-publicado Plano Global de Gestão e Valorização do Património de Castro Marim, um projecto encomendado pela Câmara e cuja execução esteve a cargo de especialistas na área do património como José Alberto Alegria, Conceição Amaral ou Francisco Motta Veiga.
De acordo com José Alberto Alegria, que assumiu igualmente a coordenação do Plano de Valorização, associar a marca de Castro Marim à Ordem de Cristo será «uma importante ferramenta de marketing turístico», tendo em conta que a questão das ordens militares «é hoje um tema muito chamativo».
Segundo o arquitecto, a futura integração do centro interpretativo no castelo da vila levou inclusivamente a uma reformulação do plano de requalificação do imóvel histórico, que passará a ter onze espaços diferentes.
Pela sua ligação à Ordem de Cristo, a zona da igreja de Santiago – em particular as ruínas – deverá ser um dos principais pontos a intervir dentro do castelo, onde será criado um espaço cultural, multimédia e de informação alargada sobre a Ordem.
Mas, como se estes argumentos não chegassem, Alberto Alegria lembrou ainda ao «barlavento» que foi esta Ordem que deu origem aos Descobrimentos Portugueses, iniciados pelo Infante D. Henrique, que foi Grão-Mestre da Ordem de Cristo e terá inclusivamente vivido no castelo de Castro Marim.
Também em declarações ao «barlavento», o presidente da Câmara José Estevens já admitiu que tudo está a ser preparado pare receber o centro de interpretação.
«A ideia está consolidada e, neste momento, decorre uma campanha arqueológica no castelo, com vista à abertura de uma segunda porta – encerrada no século XVII –, que constituirá um dos acessos privilegiados à igreja de Santiago», explicou.
«Neste momento, a equipa que está a desenvolver o projecto do centro interpretativo aguarda apenas pelos resultados das sondagens, que irão ficar disponíveis até Setembro, para depois avançar de imediato com o projecto de arquitectura», revelou o edil social-democrata.
Quanto ao plano global de requalificação do Castelo de Castro Marim, o autarca diz que a intervenção «irá começar pelo anel viário», sendo depois prolongada pela colina, em direcção à muralha.
Intra-muros, a obra prevê a criação de áreas destinadas aos saberes artesanais, bem como a transformação da Igreja da Misericórdia num núcleo de exposições temporárias. Já o paiol será adaptado a um espaço museológico, enquanto as construções contíguas à muralha Sudoeste servirão de gabinete de arqueologia. A pensar nas vistas sobre o Guadiana, serão criados espaços de lazer e esplanadas.
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