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A falta de psiquiatras no Algarve obrigou nos primeiros seis meses deste ano 50 doentes mentais a serem deslocados em ambulância até Hospital Curry Cabral, em Lisboa, unicamente para atestar o internamento compulsivo no Departamento de Psiquiatria de Faro. Segundo dados da GNR, do lado do Barlavento (de Sagres até Albufeira), foram enviados para o Curry Cabral, no primeiro semestre deste ano, mais de 28 pessoas, um "número excessivo", segundo informações recolhidas pela Lusa junto de autoridades oficiais.
Do lado do Sotavento - de Albufeira até Vila Real de Santo António - registaram-se, em igual período do ano, 10 situações em que o doente com mandado de internamento compulsivo passou em primeiro lugar pelo Hospital Central de Faro e depois teve de ser reencaminhado para o Hospital Curry Cabral devido ao défice de especialistas na urgência da Psiquiatria.
Em 2007, a GNR de Faro contabilizou 32 casos do lado do sotavento. A PSP, que tem a responsabilidade de cumprir o mandado de internamento impulsivo nas áreas metropolitanas, registou 12 pedidos neste primeiro semestre e até à presente data.
Até há alguns meses a região do Algarve apenas tinha cinco psiquiatras a fazer urgências daquela especialidade, e muitos deles chegavam a ver 60 pacientes por dia, recorda uma psicóloga que trabalha no Departamento de Psiquiatria.
Actualmente, o Hospital Central de Faro (HCF) tem sete psiquiatras e apesar de só dois estarem obrigados a fazer urgências, todos estão estão a realizá-las, disse à Lusa fonte oficial do HCF.
Os mandados de internamento compulsivo são solicitados pela delegada de saúde da região e autorizados pelo Ministério Público.
As urgências de Psiquiatria do HCF passaram recentemente a funcionar seis dias por semana, excepto aos sábados, das 09:00 até às 18:00. Se aparecer uma urgência de internamento compulsivo depois das 18:00 ou se for aos sábados, os pacientes são reencaminhados para Lisboa, explicou a directora clínica do HCF, Helena Gomes.
Segundo Helena Gomes, actualmente os doentes que têm de ir para Lisboa são uma "situação de excepção".
Questionada pelo facto de as autoridades acompanharem os doentes sem o auxílio de um técnico de saúde, Helena Gomes referiu que normalmente são acompanhados, mas acrescenta que os procedimentos são exactamente os mesmos tanto para acompanhar um "cidadão ao Hospital de Faro, como para acompanhar até ao Curry Cabral de Lisboa", ou seja, se o doente chegar ao Hospital de Faro sem um enfermeiro a acompanhar a autoridade policial, também não é daquela unidade hospitalar que vai ser cedido um.
A Agência Lusa fez as contas às 50 viagens que o Estado teve de pagar e o total de gastos ronda os 15 mil euros, com base no quilómetro a 0,60 cêntimos (tabela dos Bombeiros Voluntários de Faro) e a uma média de 500 quilómetros por cada ida e volta Faro/Lisboa.
Mas o preço pode aumentar se tiver se a ambulância contrada pertencer a privados e se em vez do paciente sair de Faro, tiver de sair, por exemplo, de Alcoutim, depois Faro, e por falta de médico, ter seguido para Lisboa.
22 de Agosto de 2008 | 11:00
agência lusa
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