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A 17 de Maio, véspera do Dia Internacional dos Museus, a nova estrutura abrirá finalmente as suas portas. Será a concretização de um sonho de décadas. TEMAS: Arqueologia De máscara e óculos a proteger o rosto, nem se consegue descortinar quem é que está ali, de máquina na mão, a limpar com todo o cuidado a peça de metal.
«É uma peça da máquina da litografia, que será colocada na sala principal da exposição permanente», explica José Gameiro, director do Museu Municipal de Portimão.
Ali ao lado, duas funcionárias limpam outras peças desta máquina que já imprimiu muita lata de conservas. «Fica como se fosse nova e a funcionar», comenta uma das funcionárias.
Na sala do descabeço da sardinha, recuperada ao pormenor como se ali ainda estivessem as operárias conserveiras da antiga Fábrica Feu, os técnicos e responsáveis da empresa de electricidade observam o trabalho feito. «A calha deste projector nem se vai ver», assegura um, conversando com José Gameiro.
A conversa é interrompida pelos trabalhadores da empresa do Porto responsável pela montagem dos estrados e vitrinas de exposições na imensa sala ao lado, que cortam com serra eléctrica uma peça de madeira.
No Centro de Documentação novinho em folha, as funcionárias sobem escadotes para arrumar livros antigos e documentação, enquanto um dos funcionários empurra um carrinho carregado de pastas.
Na rua, frente à antiga Fábrica Feu prestes a transformar-se em Museu, o trânsito foi interrompido temporariamente, enquanto decorrem as obras para repavimentar e construir novos passeios em calçada portuguesa.
Até 17 de Maio, data marcada para a inauguração do Museu Municipal de Portimão, a azáfama tomou conta de todos quantos estão encarregados de montar as exposições e todas as outras valências deste novo espaço situado à beira do Rio Arade.
«Ainda falta muita coisa, mas está tudo controlado!», assegura José Gameiro. O nervoso, esse, é muito. No dia 17 de Maio, tudo terá que estar a postos para a inauguração oficial, com o ministro da Cultura Pinto Ribeiro.
«Nem imagina o susto que apanhei quando o segurança me veio dizer que a cisterna estava toda inundada. Está é cheia de água, tal como estava previsto», contou, por seu lado, Miguel Gil, o número dois do Museu. É que, nesta cisterna serão projectados filmes, na água que se estende em lençol por baixo do passadiço onde circularão os visitantes, e entretanto é preciso testar se tudo está a funcionar como deve.
O Museu Municipal de Portimão, que resulta da adaptação da antiga fábrica conserveira Feu Hermanos, significa um investimento da Câmara portimonense de 10 milhões de euros, apenas financiado a 50 por cento pelo Programa Operacional da Cultura.
Será o concretizar de um velho sonho com quase três décadas, que começou a ser delineado no final dos anos 70 pela equipa da então Comissão Instaladora, integrada por Jaime Palhinha, José Gameiro e Alberto Piscarreta. É um caso de uma estrutura que, «antes de o ser já era».
Apesar de ter vivido mais de vinte anos sem «uma casa», «todas as funções de um museu eram cumpridas, à excepção de ter uma sede definitiva», salientou Gameiro.
Ao longo dos anos, fizeram-se exposições, organizaram-se colóquios, recolheu-se e restaurou-se espólio, participou-se em campanhas de arqueologia, subaquática e terrestre, promoveu-se formação, organizaram-se eventos voltados para a comunidade.
«É por isso que as pessoas já sentem este museu como sendo seu. E isso explica as doações que fomos tendo, ao longo dos anos, de industriais conserveiros, da família de Manuel Teixeira Gomes, de muitas outras pessoas, nomeadamente dos operários das fábricas de conservas».
16 de Abril de 2008 | 14:42
elisabete rodrigues
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