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Lei da procura e da oferta começa a dar resultados e muitos dos espaços algarvios destinados a fumadores começam a conquistar adeptos. Proprietários dos espaços de cafetaria e bebidas já partiram para as denúncias anónimas, mas associações regionais do sector recomendam «prudência». Um clima de mau estar começou a instalar-se nos bares e cafés algarvios, com os proprietários de espaços destinados a não fumadores a partirem para as denúncias anónimas, alegando que os espaços destinados a clientes fumadores não cumprem a lei em matéria de extracção de fumos.
O alerta foi deixado ao «barlavento» pela secretária-geral da Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve (AIHSA) Isabel Gago, que justifica a reacção dos empresários com a diminuição de clientes, o que se está traduzir em dezenas de telefonemas de pessoas que informam a associação de que ponderam partir para a denúncia anónima.
Embora sem competências em matéria de fiscalização, a AIHSA está a aconselhar os associados que optem pela denúncia para que o façam apenas de uma forma clara e identificada junto das entidades competentes, embora reconheça que nem todos os espaços algarvios que decidiram permitir fumo têm as condições adequadas para tal.
«Mesmo que queiram cumprir a lei, não o podem fazer porque continua a não haver empresas certificadas no Algarve para montar equipamentos de extracção de fumo», frisou Isabel Gago ao «barlavento».
Prevendo a eventual aplicação de coimas por parte do fiscalizador, Isabel Gago disse já que os consultores jurídicos da AIHSA estarão dispostos a apoiar os associados.
A redução de clientes nos espaços destinados a não fumadores foi, aliás, constatada pelo «barlavento», na cidade de Vila Real de Santo António.
Um dos melhores exemplos para observar tal situação foi a emblemática Praça Marquês de Pombal, onde existem vários cafés com salas interiores.
Coincidência ou não, a verdade é que dos sete espaços de venda de bebidas e cafetaria visitados pelo «barlavento», apenas um – «O Coração do Marquês» - permitia tabaco na sala de cafetaria, sendo também este o estabelecimento mais cheio.
Frequentado essencialmente por uma clientela acima dos 60 anos, ninguém parecia muito incomodado com as baforadas que, de quando em vez, eram lançadas por um grupo de quatro aposentados que jogavam dominó numa das mesas centrais.
A excepção à regra nos espaços sem fumo, na tarde de sexta-feira, era apenas o «Puro Café», onde as mesas preenchidas do interior contrastavam com o corrupio permanente de grupos de pessoas alinhadas à entrada, de cigarro em riste.
De resto, todos os cinco cafés livres de fumo daquela praça apresentavam uma média de dois ou três clientes.
Mas este problema não é exclusivo dos cafés e bares. Também as discotecas – quase sempre com áreas superiores a 100 metros quadrados – falam da «concorrência desleal» dos pequenos bares onde é permitido fumar em todos os espaços e que apresentam conceitos de diversão muito semelhantes a uma discoteca.
O exemplo é lançado ao «barlavento» por Leonel Caetano, sócio-gerente da discoteca «Black Jack», em pleno centro de Vilamoura, que vai hoje expor o problema à Associação de Discotecas Nacional.
«Trata-se de espaços onde se passa música semelhante, têm normalmente um dj e são muito idênticos a uma discoteca, mas com a diferença de serem mais pequenos [normalmente inferiores a 100 metros quadrados] e permitirem o fumo», explica.
22 de Janeiro de 2008 | 09:00
Filipe Antunes
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