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A paixão pela literatura, quando aliada a alguma disponibilidade financeira, é tudo o que é preciso para se criar uma editora de livros. A «Gente Singular» foi criada há bem pouco tempo por um grupo de cinco amigos, todos eles algarvios, e já tem dois livros nas bancas. A editora, que está sedeada em Olhão, foi lançada com o intuito de «reflectir e divulgar a cultura e autores algarvios» e pretende ser um veículo cultural que parte do Algarve para todo o país e, eventualmente, para o mundo. Apesar de ainda só disponibilizar os dois livros que editou em livrarias e autarquias da região, a ideia é que, dentro em breve, a sua distribuição seja nacional.
As duas primeiras obras lançadas pela «Gente Singular» foram o conto de Manuel Teixeira Gomes à qual a editora pediu emprestado o nome e o livro «Cultura e Política no Algarve Setecentista», de António Rosa Mendes.
A edição do texto do ilustre escritor portimonense e ex-Presidente da República foi acompanhada por um estudo de David Mourão-Ferreira sobre o conto.
Já no que toca à obra de Rosa Mendes, professor universitário que foi o presidente da estrutura de Missão da Faro Capital Nacional da Cultura 2005, trata-se de um ensaio sobre a figura de outro ilustre portimonense, Damião Faria e Castro.
Rosa Mendes é também, em conjunto com Fernando Cabrita, Paulo Custódio, Rogério Silva e Carlos Lopes, um dos fundadores da «Gente Singular».
E não é o único do grupo que se dedica à criação literária. Também Fernando Cabrita e Rogério Silva são autores e verão dois dos seus livros publicados em breve pela editora algarvia.
No primeiro caso, será o livro de poemas «O Amor é um Claro Mês». Já Rogério Silva vai lançar o livro de contos «Fonte Salgada», que conta com um prefácio da investigadora Teresa Rita Lopes.
Editora nasceu «da reunião de cinco amigos»
O «barlavento» falou com Carlos Lopes, que explicou que a editora nasceu «da reunião de cinco amigos», que tinham em comum «a paixão pelo livro» e a crença de que a literatura em suporte de papel «é o veículo cultural por excelência, fundamental em todo o mundo».
Depois de nascer a ideia, os companheiros juntaram algum dinheiro e criaram a «Gente Singular». Apesar de afirmar que os sócios estão «abertos a tudo quanto tenha qualidade», Carlos Lopes avisou que há um critério de selecção apertado. «Só se edita alguma coisa se houver unanimidade entre os cinco. Basta um discordar que já não se publica», revelou.
Carlos Lopes explicou que esta atitude não se prende com qualquer ideia elitista. Tudo está ligado ao mercado e às dificuldades que a «Gente Singular» sabe que irá enfrentar. «São publicados mais de mil livros por mês, em Portugal», lembrou Carlos Lopes.
A maioria deles são lançados pelas grandes editoras, que editam obras de «uma grande variedade de estilos». A solução tem passado, para muitos editores, pela especialização. No caso da «Gente Singular», a especialização foi em cultura e autores algarvios.
Custos da distribuição dificultam a vida
Outro problema que Carlos Lopes sabe que a editora irá enfrentar é o da distribuição. «A maioria das distribuidoras pedem 60 por cento sobre o preço de capa para colocar as obras nas livrarias», contou.
Os «custos elevadíssimos» desta operação impedem que os livros da editora já estejam em casas de todo o país.
Apesar das dificuldades, maiores ou menores, os criadores da editora não se deixam desanimar. «Gostávamos de atingir uma velocidade de cruzeiro que permitisse equilibrar as contas e editar sem grandes sobressaltos», ilustrou. Apesar de haver quase sempre um retorno para as edições lançadas, este é muito lento.
De resto, a componente financeira não é a que move os cinco sócios. «O que está por detrás disto é essencialmente a paixão. Não se trata de uma operação financeiro-económica», garantiu Carlos Lopes.
Para que os livros da editora não passem despercebidos na maré de novas edições, a «Gente Singular» pretende fazer lançamentos das obras que editar «em todos os concelhos da região».
Além disso, contam com a sua página na Internet, no endereço www.gentesingular.pt e a recém-lançada revista Al-Gharb, que também tem a assinatura da editora algarvia, para divulgar as obras.
12 de Dezembro de 2007 | 15:07
hugo rodrigues
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