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Um segundo túmulo pré-histórico vai começar a ser restaurado no complexo megalítico de Alcalar, situado no interior do concelho de Portimão, revelou o arqueólogo Rui Parreira, ao semanário «barlavento». TEMAS: Arqueologia Depois do restauro do túmulo 7, o maior, o túmulo 9, situado mesmo ao lado do primeiro, mas de dimensões mais pequenas, vai começar a ser alvo de obras de recuperação ainda este ano.
Tal como o monumento mais conhecido, também este túmulo é uma mamoa, ou seja, uma sepultura constituída por um corredor subterrâneo, que dá acesso a uma câmara interior, onde eram depositados os corpos de mortos importantes desta comunidade de portimonenses pré-históricos.
Tudo isto era então fechado por uma estrutura de pedras de xisto, nas paredes, e depois de calcário, formando um montículo em forma de mama (daí o nome de mamoa), tapado na sua falsa cúpula por uma enorme laje, também de calcário.
Os arqueólogos presumem que estes montes cobertos de pedras brancas de calcário seriam visíveis de longe, sendo, por isso, uma importante marca no território.
Este tipo de túmulo, ou tholoi, típico do Neolítico, há cerca de cinco mil anos, existe em profusão na zona de Alcalar, já que aí se situaria um importante povoado pré-histórico.
O túmulo 7, o maior de todos os até hoje descobertos, foi classificado como monumento nacional já em 1910, e sujeito, há meia dúzia de anos, a extensos trabalhos de conservação e restauro, sendo hoje a atracção principal do complexo megalítico de Alcalar.
Mas o túmulo 9, considerado satélite do primeiro, vai agora também ser alvo de intervenção de restauro, depois de quatro campanhas de escavações arqueológicas.
«A intervenção exclusivamente arqueológica permitiu verificar que aquele monumento é bem mais pequeno que o 7 e também está mais destruído», explicou Rui Parreira.
A ideia é agora «refazer a volumetria original exterior e manter no interior a ruína. Isto implica a construção de um hangar interior, que não se verá de fora, uma vez que vai ficar coberto pelo restauro da mamoa, com pedras calcárias colocadas à mão – a mesma metodologia que se utilizou no monumento 7.
Por dentro haverá apenas uma consolidação», acrescentou este arqueólogo, que há mais de uma década se dedica a investigar Alcalar.
«O que vamos ver quando chegarmos ao monumento pré-histórico é um edifício aparentemente inteiro, como o monumento 7, mais pequeno. Quando entrarmos no corredor e passarmos o limiar da primeira porta, estaremos dentro de uma cobertura metálica sobre uma ruína, que vai ter a sua iluminação, vai ser visitável por dentro, mas não na sua totalidade. Vamos ter que criar uma barreira para evitar o pisoteio do original. Mas as pessoas vão poder entrar, olhar para dentro do edifício», acrescentou Rui Parreira.
Os projectos do Igespar, o instituto público responsável pela gestão destes monumentos, passam por concluir a intervenção «dentro deste recinto arqueológico e complementá-lo no futuro com o restauro do forno de cal do século XVII/XVIII, que é uma construção mais recente, mas que vem criar um contraponto aos edifícios antigos, até porque uma das razões porque estes tholoi são de calcário é a abundância da matéria prima, a mesma razão que leva ao aparecimento do forno de cal. Há aqui uma permanência no tempo que nos interessa também explorar», salientou.
A primeira fase da intervenção, a começar ainda este ano, passa apenas pela consolidação do interior da estrutura e custará cerca de 18 mil euros.
Mais cara e complicada será a segunda fase, que passa pela construção da «tampa» do túmulo, apoiada em micro-estacas, que atingirá «valores bastante superiores».
O Igespar vai buscar dinheiro para estas intervenções ao Programa Operacional da Cultura e futuramente ao PIDDAC. Segundo Rui Parreira, irá também «tentar alavancar o investimento com um projecto internacional».
Para já, o que está previsto para investimento do PIDDAC de 2008 cobre os custos dessa intervenção.
8 de Dezembro de 2007 | 16:15
elisabete rodrigues
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